Convite para Gramado
Queridos amigos, vou para Gramado participar do festival de cinema que já existe há 35 anos na bela serra gaúcha. Fui convidada para o evento por conta do artigo que escrevi sobre o documentário Operação Condor, de Roberto Mader, que está na mostra competitiva. Essa crítica foi escolhida para ser publicada no catálogo do festival e ensejou o convite para eu integrar o júri que vai premiar montagem, música, cenografia e direção de arte. Bacana, né? Embarco no próximo domingo e pretendo manter esse blog atualizado com informações sobre a mostra, jurados, convidados, diretores de longas e curtas-metragens, estrelas, agregados, bicões, festas, premiações e tudo o mais que achar interessante passar para vocês. Abraços, e até segunda.
De Bergman e Antonioni
Durante muito tempo guardei meio adormecida a vontade de assistir a Blow-up, de Antonioni. Vez por outra surgia uma oportunidade em reprises e mostras especiais e eu acabava perdendo. Primeiro porque era tempo de criar os filhos – e aí não sobrava tempo pra programação especial. Depois veio a necessidade de afirmação profissional e eu embarquei no turno da noite que, na verdade, começa todo dia às quatro da tarde sem muita hora para acabar. Aí, só dava pra pegar um cineminha de fim-de-semana, aquele que tem de ser eleito por consenso e, por isso mesmo, acaba sendo escolhido um cartaz de estréia, um lançamento. Então, a sede por novidades fazia passar na frente dos clássicos filmes absolutamente medíocres, para não se ficar para trás nas conversas de salão.
Um dia, livre das imposições de ordem prática e subjetiva, resolvi fazer o que me dava na telha e entrei para a Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Logo apareceu a oportunidade pra ver Blow-up. Ah, que delícia! O filme é baseado em As babas do diabo, um conto de Júlio Cortazar que narra a angustia de um fotógrafo envolvido com a possibilidade de interferir na realidade que retrata. Antonioni usa o texto existencialista de Cortazar como base para o seu cinema moderno, adiciona elementos do pop, e realiza um dos filmes mais charmosos de todos os tempos. Não vou entrar na viagem de falar dos “longos planos-seqüência” e coisas do gênero porque não é esse o ponto que interessa aqui. A intenção é prestar uma homenagem a um mestre do cinema mundial, morto esta semana, no mesmo dia em que morreu Ingmar Bergman, outro gênio da sétima ate. Não posso dizer que gosto mais de um que de outro, no entanto, conheço bem mais a cinematografia do mestre sueco. Mas Bergman fez mais filmes que Antonioni, tinha maior reconhecimento do público, e mesmo quem não curtia seus filmes ia vê-los para não “ficar por fora”. Além do mais, grande parte de sua obra é dos anos 70 e 80, a tal época em que eu não perdia novidades no cinema. Como se vê, nem sempre as novidades levam a gente para trás, pois existe a exceção para confirmar a regra.
Um dia, livre das imposições de ordem prática e subjetiva, resolvi fazer o que me dava na telha e entrei para a Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Logo apareceu a oportunidade pra ver Blow-up. Ah, que delícia! O filme é baseado em As babas do diabo, um conto de Júlio Cortazar que narra a angustia de um fotógrafo envolvido com a possibilidade de interferir na realidade que retrata. Antonioni usa o texto existencialista de Cortazar como base para o seu cinema moderno, adiciona elementos do pop, e realiza um dos filmes mais charmosos de todos os tempos. Não vou entrar na viagem de falar dos “longos planos-seqüência” e coisas do gênero porque não é esse o ponto que interessa aqui. A intenção é prestar uma homenagem a um mestre do cinema mundial, morto esta semana, no mesmo dia em que morreu Ingmar Bergman, outro gênio da sétima ate. Não posso dizer que gosto mais de um que de outro, no entanto, conheço bem mais a cinematografia do mestre sueco. Mas Bergman fez mais filmes que Antonioni, tinha maior reconhecimento do público, e mesmo quem não curtia seus filmes ia vê-los para não “ficar por fora”. Além do mais, grande parte de sua obra é dos anos 70 e 80, a tal época em que eu não perdia novidades no cinema. Como se vê, nem sempre as novidades levam a gente para trás, pois existe a exceção para confirmar a regra.
Questão de Compostura
No tempo da minha mãe, havia alguma coisa de indecente em uma mulher ir sozinha ao cinema. A razão principal era porque uma mulher desacompanhada, por mais de duas horas, numa sala escura, fatalmente sofreria assédio sexual. Então, na lógica daquele tempo, as mulheres direitas não iriam desacompanhadas ao cinema para não ser alvo de tarados, e as que contrariavam a norma o faziam porque certamente o seriam. Portanto, bastava ficar em casa esperando pelo marido para a mulher se proteger do assédio ou da maledicência.
Mas, no tempo da minha mãe, a vida era outra, a família nuclear era a âncora da sociedade e o papel da mulher era muito bem definido: ou ela andava com seu homem ou andava a procura de homem. E o sexo era para garantir a geração de filhos e não para lhe proporcionar prazer. Hoje, graças à pílula e ao movimento feminista, a mulher tem livre trânsito e pode sair em busca do seu prazer sem ser estigmatizada. Aí, se algum tarado tentar o assédio, ela chama a polícia e manda prender o meliante.
Minha mãe é uma mulher inteligente, atualizada, que acompanha e aplaude os movimentos de emancipação feminina. No entanto, sentiu-se violentamente molestada com o “relaxa e goza” de Marta Suplicy. Foi ela que levantou a questão num almoço de família, no domingo passado. E destacou o quanto estamos, homens e mulheres, desamparados atualmente, “... pois quem vai chamar o guarda para autuar em flagrante a ministra do governo Lula?”
É isso aí, o mundo melhorou para a mulher, mas o Brasil piorou para ambos os sexos. Somos todos brutalizados pelos que ocupam o poder, paguemos ou não altos impostos. É só ver o dinheirão que foi gasto para realizar um PAN, na cara de um povo carente de tudo, que nem ao espetáculo pode assistir. E, diferentemente do tempo da minha mãe, que não saia sozinha para não correr risco físico ou moral, você hoje é agredido no aconchego do lar quando recebe, logo pela manhã, o jornal com os gestos pornográficos de um assessor do presidente Lula estampados na primeira página.
Mas, no tempo da minha mãe, a vida era outra, a família nuclear era a âncora da sociedade e o papel da mulher era muito bem definido: ou ela andava com seu homem ou andava a procura de homem. E o sexo era para garantir a geração de filhos e não para lhe proporcionar prazer. Hoje, graças à pílula e ao movimento feminista, a mulher tem livre trânsito e pode sair em busca do seu prazer sem ser estigmatizada. Aí, se algum tarado tentar o assédio, ela chama a polícia e manda prender o meliante.
Minha mãe é uma mulher inteligente, atualizada, que acompanha e aplaude os movimentos de emancipação feminina. No entanto, sentiu-se violentamente molestada com o “relaxa e goza” de Marta Suplicy. Foi ela que levantou a questão num almoço de família, no domingo passado. E destacou o quanto estamos, homens e mulheres, desamparados atualmente, “... pois quem vai chamar o guarda para autuar em flagrante a ministra do governo Lula?”
É isso aí, o mundo melhorou para a mulher, mas o Brasil piorou para ambos os sexos. Somos todos brutalizados pelos que ocupam o poder, paguemos ou não altos impostos. É só ver o dinheirão que foi gasto para realizar um PAN, na cara de um povo carente de tudo, que nem ao espetáculo pode assistir. E, diferentemente do tempo da minha mãe, que não saia sozinha para não correr risco físico ou moral, você hoje é agredido no aconchego do lar quando recebe, logo pela manhã, o jornal com os gestos pornográficos de um assessor do presidente Lula estampados na primeira página.
Tom Zé
Grande figura o Tom Zé! Eu meio que sabia, por causa das matérias que lia sobre ele. Mesmo nunca tendo visto um show ou apresentação de Tom Zé, mantenho uma certa simpatia por ele, até mesmo pelo tipo de artista que ele representa ser. Desses que, não importa o mau tempo, mantêm-se autênticos a cada expressão, artística e pessoal. Por isso, na primeira oportunidade, fui conhecer um pouco mais sobre ele no filme Fabricando Tom Zé, de Décio Mato Jr..
Se eu meio que sabia, agora sei mais, porém não o bastante. O filme acompanha a turnê de Tom Zé pela Europa em 2005 para falar sobre a carreira, a vida e a obra do baiano radicado em São Paulo desde os anos 60. Captado em vídeo digital e película super 8mm, o documentário é correto no tratamento cinematográfico e no propósito de documentar sem, no entanto, registrar alguma relevância de expressão. E isso contrasta com a importância que se quer dar ao artista. São cantores e compositores, críticos e músicos depondo sobre a genialidade musical de Tom Zé. Só que de música mesmo, mostrada do jeito que faz a gente se aficionar pelo som do cara, nada.
Mas a personalidade do Tom Zé está ali e é admirável. Ele foi tropicalista, convidado por Caetano e Gil, fez sucesso, foi deixado de lado por Caetano e Gil, ficou no ostracismo por longos anos e foi resgatado de lá por David Byrne, que o descobriu em uma loja de discos do Rio. Tom Zé passou por tudo isso sem mexer um acorde no som que se propunha fazer. Ao contrário, ele foi fundo, no âmago da questão, como no caso do CD Estudando o Samba, trabalho afinal garimpado pelo produtor Byrne.
O documentário mostra ainda um baita desentendimento de Tom Zé com a equipe de som de Montreux que o tratou com descaso, revela assim que Tom Zé é na Suíça o mesmo que nasceu em Irará. E também assistimos à vaia que o artista levou em uma apresentação na França. Sem censura, está tudo lá. Tom Zé diz que ficaria muito chato um documentário sobre um artista falando apenas bem dele. Não é pouco desapego nesses tempos de soberba, quando o presidente da república fica transtornado com uma vaia a ponto de abandonar a cena. Enquanto Lula demonstra, mais uma vez, a maior dificuldade em lidar com a crítica, o outro lhe reconhece função. Grande figura o Tom Zé!
Se eu meio que sabia, agora sei mais, porém não o bastante. O filme acompanha a turnê de Tom Zé pela Europa em 2005 para falar sobre a carreira, a vida e a obra do baiano radicado em São Paulo desde os anos 60. Captado em vídeo digital e película super 8mm, o documentário é correto no tratamento cinematográfico e no propósito de documentar sem, no entanto, registrar alguma relevância de expressão. E isso contrasta com a importância que se quer dar ao artista. São cantores e compositores, críticos e músicos depondo sobre a genialidade musical de Tom Zé. Só que de música mesmo, mostrada do jeito que faz a gente se aficionar pelo som do cara, nada.
Mas a personalidade do Tom Zé está ali e é admirável. Ele foi tropicalista, convidado por Caetano e Gil, fez sucesso, foi deixado de lado por Caetano e Gil, ficou no ostracismo por longos anos e foi resgatado de lá por David Byrne, que o descobriu em uma loja de discos do Rio. Tom Zé passou por tudo isso sem mexer um acorde no som que se propunha fazer. Ao contrário, ele foi fundo, no âmago da questão, como no caso do CD Estudando o Samba, trabalho afinal garimpado pelo produtor Byrne.
O documentário mostra ainda um baita desentendimento de Tom Zé com a equipe de som de Montreux que o tratou com descaso, revela assim que Tom Zé é na Suíça o mesmo que nasceu em Irará. E também assistimos à vaia que o artista levou em uma apresentação na França. Sem censura, está tudo lá. Tom Zé diz que ficaria muito chato um documentário sobre um artista falando apenas bem dele. Não é pouco desapego nesses tempos de soberba, quando o presidente da república fica transtornado com uma vaia a ponto de abandonar a cena. Enquanto Lula demonstra, mais uma vez, a maior dificuldade em lidar com a crítica, o outro lhe reconhece função. Grande figura o Tom Zé!
PLÍNIO MARCOS na TV
Quando eu trabalhava em televisão, não via televisão. Na verdade, quase não via, porque assistir ao Jornal Nacional é norma nas redações de telejornalismo e assistir a um telejornal do turno contrário ao que se trabalha é obrigatório para os jornalistas. Assim, eu fazia o meu e assistia a mais dois programas de televisão por dia, e só. Nem aos domingos eu ligava a televisão, pois era ouvir as vinhetas dos programas mais populares para sentir uma angústia tremenda. Chamam a isso de angústia de domingo, e só quem sofre ou já sofreu desse mal pode entender.
Agora, sem trabalhar na tv e curada da angústia de domingo, resolvi recuperar os programas perdidos. Na primeira garimpagem, encontrei o DVD da entrevista de Plínio Marcos para o Roda Viva, da Cultura. É um colosso de bom! De saída, Plínio Marcos envereda pelo caminho da verdade com bravura. Diz que depois de ter sido o dramaturgo brasileiro mais perseguido pela ditadura militar, passou a ser censurado pela mídia quando veio a anistia. Diz que os jornais só noticiam as peças que pagam anúncios em suas páginas e que qualquer atriz bonitinha de novela tem mais destaque quando estréia do que qualquer espetáculo reconhecidamente bom pelos próprios críticos dos jornais. E por aí ele vai, descascando a imprensa, desancando a política partidária, descompondo a televisão brasileira e servindo ao espectador o mais saboroso banquete de sinceridade, humanidade, honestidade, autenticidade, inteligência e sabedoria, tudo regado a muito humor.
No programa, de 1988, o autor de Dois Perdidos Numa Noite Suja, Navalha na Carne e Barrela exalta o trabalho dos atores, incentiva a impetuosidade dos jovens, faz um libelo da liberdade de expressão, “sem a qual não haverá preservação dos direitos humanos”, e ainda diz que prefere morrer na sarjeta a fazer comercial, pois não admite a perversão de “pegar pessoas que não podem comprar e insistir para que elas comprem”. Tudo dito assim, de forma muito simples, do jeito que faz a gente gostar de ver e ouvir gente falar. Portanto, acredite, o Plínio Marcos no Roda Viva é programa para enfrentar qualquer angústia de domingo
Agora, sem trabalhar na tv e curada da angústia de domingo, resolvi recuperar os programas perdidos. Na primeira garimpagem, encontrei o DVD da entrevista de Plínio Marcos para o Roda Viva, da Cultura. É um colosso de bom! De saída, Plínio Marcos envereda pelo caminho da verdade com bravura. Diz que depois de ter sido o dramaturgo brasileiro mais perseguido pela ditadura militar, passou a ser censurado pela mídia quando veio a anistia. Diz que os jornais só noticiam as peças que pagam anúncios em suas páginas e que qualquer atriz bonitinha de novela tem mais destaque quando estréia do que qualquer espetáculo reconhecidamente bom pelos próprios críticos dos jornais. E por aí ele vai, descascando a imprensa, desancando a política partidária, descompondo a televisão brasileira e servindo ao espectador o mais saboroso banquete de sinceridade, humanidade, honestidade, autenticidade, inteligência e sabedoria, tudo regado a muito humor.
No programa, de 1988, o autor de Dois Perdidos Numa Noite Suja, Navalha na Carne e Barrela exalta o trabalho dos atores, incentiva a impetuosidade dos jovens, faz um libelo da liberdade de expressão, “sem a qual não haverá preservação dos direitos humanos”, e ainda diz que prefere morrer na sarjeta a fazer comercial, pois não admite a perversão de “pegar pessoas que não podem comprar e insistir para que elas comprem”. Tudo dito assim, de forma muito simples, do jeito que faz a gente gostar de ver e ouvir gente falar. Portanto, acredite, o Plínio Marcos no Roda Viva é programa para enfrentar qualquer angústia de domingo
Cruz X Credo
A campanha para eleger o Cristo Redentor uma das Sete Maravilhas do Mundo tem na geração de milhares de empregos indiretos no turismo um apelo irresistível para o morador de uma cidade com a economia acachapada, como o Rio de Janeiro. Fora a injeção de auto-estima, sempre bem vinda, segundo a crença vulgar e o lugar comum das mesas de bar. E agora, que as operadoras de celular abriram mão do valor cobrado pelas mensagens de voto, virou obrigatório se engajar “nessa luta”.
Mas que luta é essa, bicho? Alguém acredita que ganhar um concurso promovido por uma ONG da Suíça é mais importante para o desenvolvimento do turismo no Brasil do que resolver o problema do apagão aéreo. Ou dá pra perceber que tudo não passa de mais um número deste grande circo eternamente montado para distrair corações e anestesiar mentes. Olha o Pam aí jogando mazelas para debaixo do tapete enquanto enche de dinheiro as burras dos poderosos da ocasião. Mas isso é a história da cartolagem no país... E se no Brasil é assim, no Rio de Janeiro, é assim e meio.
Pois não é que um dia, sem protesto das outras religiões, a igreja católica se apropriou de uma das montanhas mais bonitas do mundo e tascou-lhe no topo esse penduricalho cafona que é a estátua do Cristo Redentor. Um monumento ao kitsch, isso sim. Uma interferência desnecessária ao conjunto de montanhas que formam o extremamente belo relevo da cidade. Ainda mais escabrosa me parece essa idéia quando vejo o Corcovado virgem, numa litografia do séc. XIX, como a Vista da Montanha do Corcovado e do bairro do Catete, de Rugendas. Ou numa das muitas fotografias de paisagens do Rio de Janeiro de Marc Ferrez, como a Vista de fora da Baía de Guanabara, do lado de Niterói, de 1890.
É como diz meu namorado: Não dava para suportar o Bom?
Mas que luta é essa, bicho? Alguém acredita que ganhar um concurso promovido por uma ONG da Suíça é mais importante para o desenvolvimento do turismo no Brasil do que resolver o problema do apagão aéreo. Ou dá pra perceber que tudo não passa de mais um número deste grande circo eternamente montado para distrair corações e anestesiar mentes. Olha o Pam aí jogando mazelas para debaixo do tapete enquanto enche de dinheiro as burras dos poderosos da ocasião. Mas isso é a história da cartolagem no país... E se no Brasil é assim, no Rio de Janeiro, é assim e meio.
Pois não é que um dia, sem protesto das outras religiões, a igreja católica se apropriou de uma das montanhas mais bonitas do mundo e tascou-lhe no topo esse penduricalho cafona que é a estátua do Cristo Redentor. Um monumento ao kitsch, isso sim. Uma interferência desnecessária ao conjunto de montanhas que formam o extremamente belo relevo da cidade. Ainda mais escabrosa me parece essa idéia quando vejo o Corcovado virgem, numa litografia do séc. XIX, como a Vista da Montanha do Corcovado e do bairro do Catete, de Rugendas. Ou numa das muitas fotografias de paisagens do Rio de Janeiro de Marc Ferrez, como a Vista de fora da Baía de Guanabara, do lado de Niterói, de 1890.
É como diz meu namorado: Não dava para suportar o Bom?
Aqui e na Dinamarca
Descobri o myspace, uma boa da internet. Boa para mim, para você e pra todo mundo. Já sei que funciona como o orkut, mas eu não saco nada de orkut, nunca quis ter um e nunca me bateu a curiosidade de ir lá fuçar. No entanto, assim que recebi o e-mail do Eduardo Feijó contando que acabou de fazer um cd do qual era possível conhecer algumas músicas no myspace.com/eduardofeijo, eu acessei o endereço.
O Dudu foi meu colega de faculdade nos anos 80 e, apesar da gente quase nunca se encontrar, há entre nós um carinho igual ao daquele tempo. Eu sei que essas coisas legais acontecem com todo mundo. E é exatamente por isso que disse que o myspace é bom pra todo mundo, porque, ao contrário do orkut, ele pegou nos quatro cantos do planeta e não apenas no Brasil. Então, a minha melhor amiga, por exemplo, pode ouvir as músicas do novo trabalho do Vadu (myspace.com/vadu), ex-namorado dela que é cantor e compositor em Cabo Verde. Portanto, se você tem um amigo baterista na Dinamarca, dá uma pescada na rede pra ver como anda a batida dele.
Eu já entrei no myspace pra dar uma geral, e me programei para curtir o som do Eduardo Feijó no próximo domingo de manhã (meu horário relax de música, reservado inclusive para os novos cds). Agora, diferentemente da minha melhor amiga e de você que tem um amigo baterista na Dinamarca, eu vou poder ver pessoalmente o Dudu na próxima quinta-feira, num chopinho combinado com o pessoal da UFRJ. E vou conferir se a foto do myspace é daquelas antigas, ou se ele continua o mesmo gatinho da época da faculdade.
O Dudu foi meu colega de faculdade nos anos 80 e, apesar da gente quase nunca se encontrar, há entre nós um carinho igual ao daquele tempo. Eu sei que essas coisas legais acontecem com todo mundo. E é exatamente por isso que disse que o myspace é bom pra todo mundo, porque, ao contrário do orkut, ele pegou nos quatro cantos do planeta e não apenas no Brasil. Então, a minha melhor amiga, por exemplo, pode ouvir as músicas do novo trabalho do Vadu (myspace.com/vadu), ex-namorado dela que é cantor e compositor em Cabo Verde. Portanto, se você tem um amigo baterista na Dinamarca, dá uma pescada na rede pra ver como anda a batida dele.
Eu já entrei no myspace pra dar uma geral, e me programei para curtir o som do Eduardo Feijó no próximo domingo de manhã (meu horário relax de música, reservado inclusive para os novos cds). Agora, diferentemente da minha melhor amiga e de você que tem um amigo baterista na Dinamarca, eu vou poder ver pessoalmente o Dudu na próxima quinta-feira, num chopinho combinado com o pessoal da UFRJ. E vou conferir se a foto do myspace é daquelas antigas, ou se ele continua o mesmo gatinho da época da faculdade.
A Luz de Santa Teresa
Os jornais chegaram no fim de semana com inúmeras sugestões de programa para o dia dos namorados. Como foi difícil escolher apenas um, assim, na lata, resolvemos fazer reservas em quatro restaurantes para decidir no dia em qual iríamos jantar. O critério de seleção foi a pedida mais interessante, alguma coisa fora do lugar comum. Queríamos um programa que desse certo, é claro. Mas que não fosse careta demais. Já chega ter que enfrentar o dia dos namorados com a obrigatoriedade de comemorar, achar presente, escrever cartão, ficar bonita (o) para o outro e ainda acertar na programação. É um misto de angústia e ansiedade pra namorado nenhum botar defeito.
Chegou o dia de ontem e nos decidimos pelo Espírito Santa, por vários motivos. Dentre eles, porque sou de Santa Teresa. Não moro mais lá, porém, não paro de gostar daquele bairro. Assim que estacionamos o carro (com facilidade) no Largo dos Guimarães, fomos dar uma voltinha a pé para fazer hora. Fomos ao armazém da D. Lurdes cumprimentá-la. Que saudades! Abraços, beijos e lágrimas portuguesas com certeza.
Voltamos curtindo o silêncio, o bonde, os casais entrelaçados, o cheiro fresco da noite e a luz de Santa Teresa. Ah, a luz de Santa... sempre luz de domingo, faça chuva ou faça sol, faça frio ou calor, de noite e de dia também.
Mas o melhor foi o jantar. Eu não conhecia o restaurante, mas sabia que teria uma varanda reservada para nós. E o anúncio prometia cobertores se o frio apertasse. Quer coisa melhor? Pois teve um menu degustação do dia dos namorados como só um restaurante em Santa Teresa pode oferecer. Pra começar, um belo drinque de vodca com as frutas mais exóticas do Brasil. Uma entrada de frutos do mar com ostra e tudo o mais e duas escolhas gostosas de prato principal. A sobremesa era digna da mais pura larica. E de saideira, numa cuia cheia de gelo, para dois, um drinque chamado Viagra da Região: ... catuaba, guaraná em pó, ginseng, suco de cupuaçu, água de coco, cachaça e “nó de cachorro”. Meu Deus, o que pode ser “nó de cachorro”?, seria um foguete, uma bala de revolver, um disco voador, um super vegetal? Saímos de lá sem saber. Vai que a gente pergunta e o garçom responde que nó de cachorro é nó de cachorro mesmo.
Chegou o dia de ontem e nos decidimos pelo Espírito Santa, por vários motivos. Dentre eles, porque sou de Santa Teresa. Não moro mais lá, porém, não paro de gostar daquele bairro. Assim que estacionamos o carro (com facilidade) no Largo dos Guimarães, fomos dar uma voltinha a pé para fazer hora. Fomos ao armazém da D. Lurdes cumprimentá-la. Que saudades! Abraços, beijos e lágrimas portuguesas com certeza.
Voltamos curtindo o silêncio, o bonde, os casais entrelaçados, o cheiro fresco da noite e a luz de Santa Teresa. Ah, a luz de Santa... sempre luz de domingo, faça chuva ou faça sol, faça frio ou calor, de noite e de dia também.
Mas o melhor foi o jantar. Eu não conhecia o restaurante, mas sabia que teria uma varanda reservada para nós. E o anúncio prometia cobertores se o frio apertasse. Quer coisa melhor? Pois teve um menu degustação do dia dos namorados como só um restaurante em Santa Teresa pode oferecer. Pra começar, um belo drinque de vodca com as frutas mais exóticas do Brasil. Uma entrada de frutos do mar com ostra e tudo o mais e duas escolhas gostosas de prato principal. A sobremesa era digna da mais pura larica. E de saideira, numa cuia cheia de gelo, para dois, um drinque chamado Viagra da Região: ... catuaba, guaraná em pó, ginseng, suco de cupuaçu, água de coco, cachaça e “nó de cachorro”. Meu Deus, o que pode ser “nó de cachorro”?, seria um foguete, uma bala de revolver, um disco voador, um super vegetal? Saímos de lá sem saber. Vai que a gente pergunta e o garçom responde que nó de cachorro é nó de cachorro mesmo.
Os Seios de Deus
Fui convidada para fazer uma participação no novo filme de Alberto Salvá, baseado no romance de Rodrigo Abi Ramia, que fala do caso de amor entre dois jovens, Rodrigo e Mariana. Eu seria a mãe da moça que só aparece na cena em que fala com o genro ao telefone enquanto a própria filha protagoniza uma cena de felação com o rapaz que goza falando com a mãe da moça do outro lado da linha. Resolvi não aceitar o papel. É coisa para profissional, acredito.
No entanto, gostei do Roteiro. Não que haja novidade na sinopse: um rapaz conhece uma garota na faculdade, os dois se apaixonam e passam a viver uma história de amor.
Acontece que Rodrigo, o protagonista, embarca numa aventura sexual desmesurada em busca de total intimidade com a namorada. Ele quer mais que o corpo, coração e mente de Mariana. Ele a quer por dentro, por fora e pelo avesso também. Ele a quer com todos os sentidos e vai ao paroxismo do prazer tátil com os excrementos da mulher amada.
O tema também não é original, eu sei. Já vimos esse filme antes... um homem embarca na perigosa expedição ao universo do amor obsessivo. Mas aí era um Bertolucci, ou ainda um Polanski. E mais, os personagens daqueles filmes são homens maduros e protegidos pela couraça do cinismo e o escudo dos recentimentos. Neste caso é diferente. Aqui, o nosso herói é um jovem de vinte e poucos anos, aparentemente desprovido de equipamentos emocionais para enfrentar as peripécias sinistras de um mergulho cego na sensibilidade do outro. Não quero dizer que desacredite no talento do diretor para levar a cabo a empreitada, repito que não aceitei o dasafio por questão de foro íntimo. Mas acabei curtindo uma imensa curiosidade a respeito deste jovem autor. Quem é ele? Seu romance é autobiográfico? Porque um homem tão jovem se embrenharia numa transa tão visceral? E mais: Rodrigo é a exceção, ou os jovens de hoje estão mesmo com essa disponibilidade toda para o amor? Vou começar pelo livro, que tem o título estranho de Os Seios de Deus.
No entanto, gostei do Roteiro. Não que haja novidade na sinopse: um rapaz conhece uma garota na faculdade, os dois se apaixonam e passam a viver uma história de amor.
Acontece que Rodrigo, o protagonista, embarca numa aventura sexual desmesurada em busca de total intimidade com a namorada. Ele quer mais que o corpo, coração e mente de Mariana. Ele a quer por dentro, por fora e pelo avesso também. Ele a quer com todos os sentidos e vai ao paroxismo do prazer tátil com os excrementos da mulher amada.
O tema também não é original, eu sei. Já vimos esse filme antes... um homem embarca na perigosa expedição ao universo do amor obsessivo. Mas aí era um Bertolucci, ou ainda um Polanski. E mais, os personagens daqueles filmes são homens maduros e protegidos pela couraça do cinismo e o escudo dos recentimentos. Neste caso é diferente. Aqui, o nosso herói é um jovem de vinte e poucos anos, aparentemente desprovido de equipamentos emocionais para enfrentar as peripécias sinistras de um mergulho cego na sensibilidade do outro. Não quero dizer que desacredite no talento do diretor para levar a cabo a empreitada, repito que não aceitei o dasafio por questão de foro íntimo. Mas acabei curtindo uma imensa curiosidade a respeito deste jovem autor. Quem é ele? Seu romance é autobiográfico? Porque um homem tão jovem se embrenharia numa transa tão visceral? E mais: Rodrigo é a exceção, ou os jovens de hoje estão mesmo com essa disponibilidade toda para o amor? Vou começar pelo livro, que tem o título estranho de Os Seios de Deus.
Samba, Luzia
E o amanhã só chegou na sexta-feira. Veio junto com um céu de veludo azul- marinho arrematado pela lua amarela de botão. Veio com vento frio e trouxe maresia para a melhor roda de samba do Rio, no momento. É o “Samba, Luzia” que acontece toda semana no clube de nome da mesma santa, beirando a Baia de Guanabara, no final do parque do Flamengo, juntinho ao aeroporto Santos Dumont.
Quem comanda é o elegante Moacyr Luz. Escolho o adjetivo "elegante" por causa do estilo de Moacyr de se vestir e se relacionar com as pessoas a sua volta, já que sambista de primeira todos sabem que ele é. Antes da roda começar, Moacyr dá um giro pelas mesas, cumprimenta um e outro, joga charme para as moças do gargarejo, desfila na impecável bata branca com colar de contas coloridas... E faz sucesso também no social.
Social é o termo preciso para o ambiente do lugar. São casais de todas as idades, avulsos dos dois sexos, gente da zona norte e zona sul. Todo mundo de bem com a vida, bebendo cerveja de garrafa estupidamente gelada e curtindo na boa a festa na laje.
A música é de primeira. Tem muito samba de raiz, partido alto, um ou outro pagode, e o melhor dos maiores sambistas de todos os tempos; na voz altiva do cantor, na contagiante percussão e na correção altiva do violão e cavaquinho. Posso estar exagerando...? Então vai lá e tira a teima na sexta-feira que vem.
Quem comanda é o elegante Moacyr Luz. Escolho o adjetivo "elegante" por causa do estilo de Moacyr de se vestir e se relacionar com as pessoas a sua volta, já que sambista de primeira todos sabem que ele é. Antes da roda começar, Moacyr dá um giro pelas mesas, cumprimenta um e outro, joga charme para as moças do gargarejo, desfila na impecável bata branca com colar de contas coloridas... E faz sucesso também no social.
Social é o termo preciso para o ambiente do lugar. São casais de todas as idades, avulsos dos dois sexos, gente da zona norte e zona sul. Todo mundo de bem com a vida, bebendo cerveja de garrafa estupidamente gelada e curtindo na boa a festa na laje.
A música é de primeira. Tem muito samba de raiz, partido alto, um ou outro pagode, e o melhor dos maiores sambistas de todos os tempos; na voz altiva do cantor, na contagiante percussão e na correção altiva do violão e cavaquinho. Posso estar exagerando...? Então vai lá e tira a teima na sexta-feira que vem.
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