<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545</id><updated>2012-03-02T18:11:56.208-03:00</updated><title type='text'>Leila Richers</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>153</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-5854397579002551837</id><published>2012-02-28T14:21:00.000-03:00</published><updated>2012-02-28T14:21:26.747-03:00</updated><title type='text'>Sorry Salvador...</title><content type='html'>Sorry  Salvador, mas o carnaval no Rio é que foi massa. A cidade recebeu mais de um milhão de turistas, a taxa de ocupação dos hotéis chegou a 95%, e não só na orla, mas no Centro, Flamengo, Catete e Botafogo. A ideia da prefeitura de espalhar os blocos pela cidade deu muito certo, pois se houve aumento do número de foliões, o trânsito ficou mais desafogado com a maior concentração da folia na região central. O lixo ainda é um problema, mas a prefeitura informa que houve considerável melhora em relação a 2011, já que muitos blocos foram seguidos por catadores de latinhas que vivem da reciclagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor que isso, só se resolverem o problema do xixi. Este ano, mais de mil pessoas foram detidas mijando na rua e calcula-se que o número de mal educados seja, é claro, bem maior.  Aproveitando a deixa, vai aí uma sugestão:  deter também os donos dos cachorros que mijam o ano todo nas ruas do Rio. E muitos desses cães são grandes o suficiente para emporcalhar a cidade tanto quanto adultos de porte médio. E ainda investir em campanhas que constrangessem donos de animais a pelo menos limpar a merda de seus estimados porcalhões, pois estes são exceções. De qualquer forma, com saquinho de plástico ou não,  eu acho um horror uma pessoa levar um animal para cagar e mijar na rua. Ora, se um cidadão não se adapta às regras da cidade, que vá morar no mato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando ao carnaval, foi mesmo o melhor dos últimos tempos. Não que eu tenha brincado em algum bloco, apenas fiquei no Rio e fiz os programas que mais gosto e que são caminhar na praia, mergulhar no mar  e ir ao cinema. Este ano, a graça era ver o máximo de filmes concorrentes ao Oscar e depois acompanhar a entrega do prêmio. Valeu. As praias estavam limpinhas logo cedo, o mar tinha ótima aparência e a água estava bem gelada como gosta o carioca.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu prefiro as sessões noturnas, passei por vários blocos no trajeto para os cinemas, e pude apreciar tanto concentrações quanto dispersões. Foi impressionante o número de gente fantasiada, principalmente os rapazes, que aderiram de vez às perucas engraçadas. A alegria reinava em Copacabana e Ipanema. A rua Visconde de Pirajá era uma festa só em quase toda a extensão, sem violência e com muito humor. Aliás, a sensação de segurança foi notória no período momesco.  Atestada por quem,  na falta de taxi, voltou algumas vezes pra casa de ônibus, e depois da meia noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso, a prefeitura, o carioca e os turistas estão de parabéns. Já os filmes concorrentes e a festa do Oscar eu deixo para comentar na próxima postagem, por que esta já está de bom tamanho e o assunto cinema merece um espaço maior. Um  abraço e até lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-5854397579002551837?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/5854397579002551837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=5854397579002551837' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5854397579002551837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5854397579002551837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2012/02/sorry-salvador.html' title='Sorry Salvador...'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8252462863958373841</id><published>2012-02-15T15:27:00.008-02:00</published><updated>2012-02-29T14:07:53.177-03:00</updated><title type='text'>Do frevo ao manguebeat</title><content type='html'>Meu primeiro carnaval inesquecível foi em Recife, na casa de meus tios, junto com cinco primas adolescentes. Ainda havia corso naquela época, uma tradição portuguesa com certeza que nos levava todas as tardes, durante os quatro dias de folia, à linda Avenida Guararapes em jipes sem capota alugados, como fazia toda a sociedade local. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ressalto o caráter português da brincadeira que misturava azaração com certa brutalidade que em muito lembra uma passagem de O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, na qual ao se conhecerem no navio, vindo de Portugal para o Brasil, Jerônimo e Piedade começam o namoro de pisões e beliscões que os levaria ao altar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois assim era o corso em Recife. Quando um rapaz estava interessado numa garota, vinha em sua direção e empapuçava-a toda com punhados de farinha de trigo, aproveitando a oportunidade para esfregar-lhe os braços e assanhar-lhe os cabelos. E as meninas por sua vez mostravam suas preferências esguichando contra eles jatos de bisnagas cheias de água e óleo de cozinha. Uma porcaria só, mas gostosa como o quê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim se preparava o clima para os bailes da noite, depois de horas e horas de banho,  até que se conseguisse limpar toda a gororoba.  Lindas, então, íamos dançar e continuar a paquera nas festas do Country Club, do Náutico, e do Internacional. Ali, o frevo corria solto e eu, carioca de primeira viagem, ficava fascinada vendo os homens de smoking e as mulheres de longos ou fantasias de luxo, tanto  jovens como velhos, afluírem ao salão em passos  frenéticos ao som contagiante dos naipes de sopro tocando Capiba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-6dsxbK6DLrI/T05ZIHUYXLI/AAAAAAAAAbk/xaIZKY85h5M/s1600/DO_FREVO_AO_MANGUEBEAT.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-6dsxbK6DLrI/T05ZIHUYXLI/AAAAAAAAAbk/xaIZKY85h5M/s400/DO_FREVO_AO_MANGUEBEAT.jpg" width="283" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Tais lembranças me ocorreram com vivacidade não apenas por estarmos já em clima de carnaval, mas principalmente por conta do livro Do frevo ao manguebeat, que acabo de ler. Nele, o jornalista e crítico musical José Teles faz um passeio pela história da música pernambucana, passando pelos gêneros historicamente reconhecidos, como o frevo e o forró, pelo erudito e instrumental, até a música urbana contemporânea que, na versão de Chico Science e Nação Zumbi, estourou na Europa e Estados Unidos, influenciando todo o pop brasileiro dos anos 90. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paraibano de Campina Grande, José Teles cresceu no Recife onde escreve para o Jornal do Commercio desde os anos 80.  Com cerca de 20 livros publicados, é autor da biografia do Quinteto Violado, lançada agora em comemoração aos 40 anos do grupo, numa exposição no Centro Cultural dos Correios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fã da qualidade e diversidade da música pernambucana, que considero das mais criativas e instigantes do mundo, aproveitei a chance e fui entrevistar  Marcelo Melo, remanescente da formação original do Quinteto Violado.  De quebra, assisti ao espetáculo do grupo que desfila frevos, forrós e baiões numa concepção musical de interação entre o erudito e o popular que faz a gente sair do chão, de corpo e alma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*************************************************&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8252462863958373841?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8252462863958373841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8252462863958373841' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8252462863958373841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8252462863958373841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2012/02/do-frevo-ao-manguebeat.html' title='Do frevo ao manguebeat'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-6dsxbK6DLrI/T05ZIHUYXLI/AAAAAAAAAbk/xaIZKY85h5M/s72-c/DO_FREVO_AO_MANGUEBEAT.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-620058912242991866</id><published>2012-02-13T15:55:00.000-02:00</published><updated>2012-02-13T15:55:03.781-02:00</updated><title type='text'>O Rio de Janeiro e suas bicicletas voadoras</title><content type='html'>A economia do Brasil está bombando e isso se reflete diretamente no turismo do Rio de Janeiro. Na Zona Sul, principalmente, mas também no Centro e na Lapa o que mais se vê são visitantes de outros estados brasileiros. O pessoal do Centro Oeste é o mais frequente e disputa lugar nos restaurantes e bares da orla com os estrangeiros, que continuam vindo para cá aos montes e cada vez mais em grupos de jovens. Quem se aventurar a dar uma volta em Copacabana, num final de tarde qualquer,   poderá conferir que o turismo no Rio já não é apenas sexual, e isso há algum tempo. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o Rio de Janeiro está se firmando como point  internacional para todo tipo de gosto, gênero e idade. Porém, para o carioca, a coisa não está tão boa assim. A começar pelos preços inflados dos serviços e moradia. Hoje, um jovem casal carioca que se casa e quer constituir família vai ter que mudar de vida mesmo. Mas para pior, porque os preços dos imóveis para compra e aluguel, no mínimo, triplicaram em menos de 5 anos. Tudo bem se os salários aqui tivessem acompanhado a euforia do mercado imobiliário. Não é o caso. Pegue uma empresa nacional e compare o contracheque de um gerente do Rio com um de São Paulo. De banco às teles, a discrepância é abissal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os mais velhos, a vida no Rio também não melhorou. Acho até que está bem pior, apesar da pacificação das favelas. É inquestionável que a cidade está mais segura do ponto de vista da macroviolência, viu-se livre da barbárie do tráfico e etc. E isso contribuiu efetivamente para fomentar a euforia social e econômica em que o Rio vive hoje, aditivada ainda pelas expectativas em torno da Copa do Mundo e Olimpíadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é do dia a dia que estou falando, do transito dos pedestres pelas calçadas, em seus próprios bairros e adjacências. E aí a coisa pega, e compromete a qualidade de vida do morador do Rio. Pois veja, numa singela ida ao supermercado um idoso morador de Copacabana corre o risco de ser atropelado, já que a avenida que corta o bairro virou corredor exclusivo de ônibus, o BRS. Está certo que o coletivo tenha prioridade, pois foi justamente a falta de transporte público rápido, barato e seguro no Rio de Janeiro a grande responsável pelo crescimento desordenado da cidade e seus perniciosos efeitos colaterais. O que falta é levar em conta a condição do pedestre de um bairro que tem, em sua maioria, moradores da terceira idade. No BRS da Av. N. S. de Copacabana,  muitos sinais fazem contagem regressiva de 10 segundos no vermelho, uma verdadeira gincana para os idosos que frequentemente são vítimas de atropelamentos com um número assustador de óbitos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas calçadas há perigo também. E se antes eram os entregadores do comércio com suas bicicletas e triciclos voadores a trafegar pela contramão e cortar caminho pelas calçadas levando pânico aos mais velhos, a eles se juntaram, nos últimos tempos, os ciclistas de todas as categorias, motorizados ou não, jovens ou maduros, a trabalho ou a passeio. Eu mesma seria forte candidata à vítima desses maníacos, não fosse o cuidado que tenho atualmente ao andar também pelas calçadas .  E aí, ainda temos que sofrer com a merda dos cachorros, já que para cada dez donos de au-au apenas um leva o saquinho sanitário.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, eu sou carioca da zona sul, adoro praia, caminhar na orla, ir a cinema de rua, tomar cafezinho no botequim e suco de fruta na lanchonete. E é por amar caminhar nas ruas do meu bairro que chamo a atenção para esses detalhes que fazem a qualidade de vida do morador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torço pelo Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa de fato, que está sim cada vez melhor. Mas nem por isso acredito que devemos nos acomodar e deixar de apontar defeitos e reivindicar iniciativas de quem por direito e dever administra o estado e a capital. É também direito e dever de todo cidadão apontar desmandos para ajudar a garantir uma satisfatória qualidade de vida para todos os moradores de sua cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-620058912242991866?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/620058912242991866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=620058912242991866' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/620058912242991866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/620058912242991866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2012/02/o-rio-de-janeiro-e-suas-bicicletas.html' title='O Rio de Janeiro e suas bicicletas voadoras'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8535087445971947060</id><published>2011-11-27T20:02:00.000-02:00</published><updated>2011-11-27T20:02:23.446-02:00</updated><title type='text'>A pele que habito</title><content type='html'>Bem garota, nos meus oito ou nove anos de idade, presencie uma cena que guardo até hoje como amostra da condição existencial do indivíduo, único, sozinho, abandonado em sua paixão pessoal e intransferível. Aconteceu em uma tarde preguiçosa de verão do Rio de Janeiro. Uma aparentada nossa foi recebida em casa com certa consternação, um ar inusitado de solidariedade  permeando a habitual amabilidade com que meus pais costumavam receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato me chamou a atenção e passei a acompanhar de perto a visita. Tratava-se de uma mulher, magra e muito curvada. Não pela idade, que não devia passar dos quarenta e tantos anos, mas pela intensa aflição que lhe pesava como um fardo. E lhe ardia pelos poros,  engelhava-lhe o rosto e fazia saltar-lhe as veias das mãos que alisavam mecânica e nervosamente a alça da bolsa de couro roto que trazia no colo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa triste figura passava pelo desgosto de ter o marido preso por conta de uma refrega num bar, na qual atirou em um homem com uma arma que nem era sua. Era um boêmio inveterado, mas muito querido dos meus pais e alegre e carinhoso conosco, crianças, a quem costumava segredar com muita verve diabruras da infância. Seu nome era Odraude, o contrário de Eduardo, e pelo vaticínio de nascimento vê-se logo o porquê de, em toda uma família de biografias exemplares, ter sido ele o único a sair ao desvio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que me fez mergulhar assim no profundo das minhas lembranças foi assistir ao mais recente filme de Pedro Almodóvar, A pele que habito. E aproveito para dizer que não entendo como o filme não foi um sucesso estrondoso logo na noite de abertura do Festival do Rio. Acreditando-se que o público ali  era de, senão de cinéfilos, gente interessada em cinema, convidada para fruir o que a sétima arte produziu de melhor no último ano. Ou as pessoas vão a uma estréia mais para ver e serem vistas, somente para fotos e flashes? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perderam!, pois A pele que abito é um filmaço-aço-aço. Quem saiu no meio da sessão no Odeon para esperar a festa no barzinho ao lado perdeu uma aula de cinema. Um roteiro ousado e ao mesmo tempo preciso, adaptado de uma história originalíssima, que fala de alterações nas várias camadas do sentimento humano e na delicada estrutura de identidade do indivíduo. Uma direção de arte que brinda o olhar da audiência a cada enquadramento e ao acompanhar a ação, valorizada pela atuação de um Antônio Banderas surpreendente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, essa história plausível e fantástica ao mesmo tempo, contada com excelência cinematográfica, é uma metáfora da condição existencial de todo ser humano. E me envia diretamente ao momento em que percebi pela primeira vez na vida o que seria sentir na pele a falta do marido, o desamparo dos filhos e a humilhação social. Leva-me àquela tarde e à resposta da mulher ao comentário desdenhoso de um cunhado indiferente ao seu infortúnio: “Você diz isso, fulano, porque não está na minha pele.”              &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8535087445971947060?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8535087445971947060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8535087445971947060' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8535087445971947060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8535087445971947060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2011/11/pele-que-habito.html' title='A pele que habito'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-884842495113282947</id><published>2011-10-20T17:40:00.000-02:00</published><updated>2011-10-20T17:40:38.083-02:00</updated><title type='text'>Salomão e o Festival do Rio</title><content type='html'>Dizem que a economia por aqui está bombando, muito por conta das escolhas acertadas nos investimentos sociais da era Lula, a despeito da crise internacional. Ou talvez por isso mesmo, como acreditam outros, os europeus estejam investindo pesado no Rio de Janeiro, e daí a recente alta espetacular nos preços dos imóveis nos últimos dois anos. Há os que apontam ainda a expectativa de forte injeção de grana na economia carioca por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas vindouras. Eu, sinceramente, não sei fazer um diagnóstico nem mesmo impreciso do que ocorre, mas percebo os sintomas de um Rio de Janeiro eufórico e angustiado ao mesmo tempo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noto uma população tão animada que chega a ser ansiosa no afã, perdoem o pleonasmo, de aproveitar ao máximo toda a oportunidade de diversão que lhe é apresentada. Foi assim na última Bienal do Livro, no Riocentro que fez recorde de público. Nunca se viu tanto visitante no evento, ao ponto de ter sido necessária a intervenção da Defesa Civil, para controlar a lotação do espaço no último dia. Mas a Bienal tem entrada franca e é programa para toda a família, dirá você. Sim, no entanto, foi sempre dessa forma e nunca houve, nas quatorze edições anteriores,  tanta gente interessada em ver livros assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que dizer do Rock’nRio? Outro estouro da boiada. Filas de seis horas para andar na roda-gigante, quatro horas para a montanha russa e outras tantas para outras atrações. É muita vontade de dar voltas e reviravoltas no ar, ou eu estou mesmo ficando velha e não sou capaz de avaliar o grau de satisfação proporcionado por esses brinquedos.  &lt;br /&gt;Então vejamos o tipo de diversão mais apropriado para a minha idade e estilo de vida: cinema. Sempre acompanhei o Festival do Rio, com qualquer nome que tenha tido, não perdi uma de suas várias edições. Fui assídua frequentadora da plateia do Odeon e fiz bons amigos no café do teatro, gente que conheci ou reencontrei durante os intervalos das sessões. E, com crachá ou convite, sempre consegui assistir aos filmes que quis, muitas vezes um seguido do outro, como propõe a própria programação do evento. &lt;br /&gt;Acontece que este ano a coisa mudou. Ou venderam mais ingressos do que a lotação do Odeon, ou em anos anteriores não havia a euforia de que falei mais acima. Só sei que com tempo bom ou com chuva as filas eram imensas e quem saísse de uma sessão não conseguiria lugar na sessão seguinte, mesmo que ficasse mais de meia hora na fila. Aliás, a média foi de 45 minutos de fila por filme exibido. A estimativa é minha, baseada em experiência própria ou no depoimento de amigos. Uma pena para os verdadeiros cinéfilos e uma falha para com os que estavam ali a trabalho, como o Salomão Azaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salomão é um dos camaradas que fiz no café do Odeon, há alguns anos, numa edição do festival. Ele me foi apresentado por uma amiga em comum e desde então somos companheiros da maratona cinéfila. Hoje, mais do que isso, somos amigos. Salomão faz o Festival de Cinema Brasileiro de Israel, e o faz como ninguém. Todos os anos leva uma seleção dos nossos melhores filmes para a mostra que ocorre nas três principais cidades do país, Tel-aviv, Haifa e Jerusalém. Acompanhando os quinze longas-metragens, sendo dez de ficção e cinco documentários,  vão diretores ou atores dos respectivos filmes que junto com jornalistas ou críticos formam a delegação de brasileiros convidados pelo festival. Eu mesma fui convidada em 2008 e fiz a cobertura do festival para o Jornal do Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que Salomão precisa assistir a todos os filmes, caso contrário a seleção seria tendenciosa, ou no mínimo injusta, ao recair apenas sobre parte das obras inscritos no festival. Pois acreditem, a disposição de Salomão é tanta que ele chegou a assistir a um filme sentado no chão. Foi Sudoeste, logo a vedete do festival. Saímos juntos do filme anterior e entramos diretamente no fim da fila que dava a volta no quarteirão, mas não conseguimos um assento. Eu fui embora. Salomão sentou-se na escada, no fundo da plateia, e assistiu impávido ao filme até o fim. Eu morri de pena de não ver Sudoeste. Salomão adorou o filme que já está na lista dos que serão exibidos no Festival do Cinema Brasileiro em Israel. &lt;br /&gt;Moral da história: No final dá tudo certo, mas dessa vez foi por um triz. E&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-884842495113282947?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/884842495113282947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=884842495113282947' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/884842495113282947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/884842495113282947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2011/10/salomao-e-o-festival-do-rio.html' title='Salomão e o Festival do Rio'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-449547416577317538</id><published>2011-09-16T15:06:00.004-03:00</published><updated>2011-09-16T15:27:25.205-03:00</updated><title type='text'>E assim caminha a humanidade...</title><content type='html'>No Aurélio, xodó quer dizer envolvimento amoroso, namoro, paixão. Ou ainda, por metonímia, indivíduo por quem se estabelece um vínculo de afeto, estima, apreço, afeição. Desta forma, alguém pode dizer que fulano ou fulana é seu xodó. Só que eu não vou tratar de gente aqui. Tampouco é para falar sobre animais de estimação que eu volto a esse blog, depois de longo inverno. Até porque eles são considerados gente para muitos de seus donos e eu, que nunca entendi direito isso de achar que bicho é gente, prefiro não entrar nessa seara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, eu quero mesmo é falar de coisas que são ou foram um xodó para mim, coisas das quais eu tive que me desfazer, não sem sofrimento, quando as contingências me obrigaram. Como quando mudei de um casarão em Santa Teresa, onde vivi por muito tempo. Além de perder o convívio em um dos bairros mais adoráveis do Rio, com suas ruas de paralelepípedo, a legião de inofensivos bichos-grilos e a alegria do sobe e desce do bondinho, deixei para trás alguns objetos que foram meus verdadeiros xodós. Desta forma, lá ficou um lindo anjo de madeira rústica que, postado à entrada de casa, parecia proteger bravamente nossa existência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li recentemente que o Deepak Chopra acredita ser o amor uma constante que permeia o Universo. Meu cunhado, o Bi, costuma dizer que o amor é a costura do mundo, é ele que nos une a tudo que prezamos, e seria ele ainda o responsável por nossa longa convivência com, por exemplo, uma certa cadeira que nos acompanha para onde quer que nos mudemos, ou aquela jaqueta de jeans que usamos raramente mas da qual nunca conseguimos nos desfazer, ou mesmo um copo de cristal que está na família desde o tempo da bisavó. Amor, apego, carinho ou xodó? Chame como quiser, o fato é que há mesmo uma liga, um tanto misteriosa, entre nós e alguns objetos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há que deixam saudades por motivos diferentes, como o meu antigo aparelho de televisão, de muitas polegadas, comprado e inaugurado no dia da morte de Airton Senna, vejam só há quanto tempo. Pois dele me desfiz há pouco. Troquei-o por um moderníssimo monitor de mais algumas polegadas, alta definição, visão lateral e outras modernidades aproveitadas apenas em conexão com outros aparelhos, porque para assistir à programação da nossa rede aberta não dá. Para ver a novela da Globo, por exemplo, é preciso fazer um ajuste na tela, já que a produção global é captada em medida diferente. E com o ajuste necessário, a tela fica reduzida ao padrão do antigo aparelho. Resumo da ópera: o arrependimento de ter perdido sem grandes motivos uma TV tão querida e familiar, ao ponto do meu filho cumprimentá-la solenemente quando vinha me visitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, eu desconfio que existe o xodó inverso, ainda mais misterioso, pois se trata do amor que alguns objetos demonstram por nós. Falo daqueles artefatos que nos acompanham desde sempre, e quase que independentemente da nossa vontade. Algo sem muito valor, beleza ou serventia, mas que, sabe-se lá porque, não quebra apesar de ser de vidro e não some apesar da dimensão reduzida e das muitas mudanças da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso de uma tigela de vidro verde escuro, da qual eu nunca me lembro, e que entrou em minha vida como um presente de casamento. Ela fica lá, quietinha, no fundo de um armário e raramente é utilizada. Mas gosto dela mesmo assim. Não porque seja especial, bonita ou de valor, mas simplesmente porque há anos está lá e, mesmo esporadicamente, tem ajudado a servir gostosas saladas aos filhos e amigos e, o mais interessante, só agora me dou conta do quanto conto com ela para servir receitas ainda mais saborosas aos netos que terei um dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-449547416577317538?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/449547416577317538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=449547416577317538' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/449547416577317538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/449547416577317538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2011/09/e-assim-caminha-humanidade.html' title='E assim caminha a humanidade...'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-9167720478336297549</id><published>2011-07-31T15:03:00.001-03:00</published><updated>2011-08-01T09:56:30.436-03:00</updated><title type='text'>Um jeito tupinambá de ser</title><content type='html'>Outro dia, numa entrevista para o programa Cidade de Leitores sobre a obra de Darcy Ribeiro, o professor Bessa Freire contou uma passagem ótima de se contar ocorrida com os tupinambás, que formavam a grande maioria entre as nações indígenas brasileiras na época do Descobrimento. E desde então, a idéia que a história encerra me serve de parâmetro quando estou às voltas com algum opressor de plantão, daqueles que não faltam no mundo de hoje, e que fazem da cobrança um exercício constante, quase um cacoete. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi na época da Invasão Holandesa, quando um português, autoridade na região, combinou com um chefe tupinambá uma investida contra os inimigos em comum. A batalha ocorreria em determinada hora e local, dali a um mês, tempo necessário para os preparativos. Ficou acertado que os índios, guerreiros notáveis, viriam em grande número se juntar ao contingente de brasileiros e portugueses que tentavam sem sucesso a expulsão dos intrusos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que no dia da batalha os tupinambás não apareceram, não mandaram aviso, desculpas, uma justificativa se quer. O que além de decepcionar, provocou muita raiva no portuga, poi teve que adiar o combate e ainda por cima dar satisfações à metrópole. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passada uma lua do incidente, aparece na cidade para uma visita à mesma autoridade o ditoso chefe tupinambá, com seu séquito, seus belos adornos e sua atitude mais que altiva, marrenta até. Interpelado pelo rabugento político, o índio respondeu que não comparecera ao encontro porque tivera melhor coisa pra fazer e que para governo dos brancos seria bom que soubessem que um tupinambá não é escravo sequer da própria palavra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: não me chamem pra roubada que eu sou tupinambá. E quem quiser conhecer mais sobre a história e cultura desses indígenas – conhecidos no Rio de Janeiro como Tamoios –,  os quais contribuíram e muito para a formação da mentalidade carioca, deve ler Meu destino é ser onça, de Alberto Mussa.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro, Mussa, um carioca da gema, reconstitui a mitologia dos antigos tupinambás juntando a pesquisa de documentos históricos  com relatos de alguns dos nossos primeiros cronistas. Entre eles André Thevet, um frade católico que veio para o Brasil, por volta de 1550, durante a ocupação da Baía de Guanabara pelos franceses e, acompanhado de um intérprete, conviveu com os indígenas registrando vários aspectos da cultura tupi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é com uma porção dessa cultura, salpicada de pitadas da tradição afro-brasileira (que conhece bem) que Mussa cria a saborosa narrativa de O senhor do lado esquerdo. Um romance do gênero policial, de prosa ágil e ao mesmo tempo manhosa, como a ginga do capoeirista Aniceto, personagem central e originalíssimo, que dá ao mais novo livro de Alberto Mussa, um sabor quase afrodisíaco.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-9167720478336297549?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/9167720478336297549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=9167720478336297549' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/9167720478336297549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/9167720478336297549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2011/07/um-jeito-tupinamba-de-ser.html' title='Um jeito tupinambá de ser'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-238458376461826517</id><published>2011-07-05T23:00:00.002-03:00</published><updated>2012-02-16T15:09:48.424-02:00</updated><title type='text'>MEIA-NOITE EM PARIS</title><content type='html'>Em São Paulo o melhor programa no feriado de Corpus Christi foi assistir ao filme novo do Woody Allen, “Meia-noite em Paris”. E foi um programão, porque todo filme do diretor suscita uma boa conversa depois da sessão, nem que seja para “tocar o pau”. Foi o que aconteceu com Vicky Cristina Barcelona, uma chatice que, no entanto, me rendeu uma crônica para a Gazeta Mercantil no tempo que ela existia. No mais, três atores jovens e bonitos jogando muita conversa jogada fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já esse novo “Woody Allen” não tem tanto apelo sensorial (e sensual), mas é muito mais inventivo, aproveita melhor a atmosfera onírica da projeção numa sala de cinema e mexe mais com as fantasias de viagens reais e imaginárias que habitam quase todos os mortais, ou pelo menos os não caretas. Então, dá papo para um jantar, ou mesmo um vinhozinho depois do cinema, qualquer que seja a sua companhia (menos os caretas, é claro!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo meu discorda. Ele acredita que só quem sabe quem é  Georges Braque ou Luiz Buñuel pode aproveitar o filme. Os outros seriam como burros olhando pra palácio. Discordo. Cinema bom é bom para todo mundo, independentemente do nível cultural, social ou econômico. Lembro que levei meu filho Guilherme quando ele tinha dez anos para ver Ladrões de Bicicletas, de Vittório De Sica, na Cinemateca do MAM, e do impacto que o filme provocou nele. Tenho certeza de que até hoje a sua maneira de ver o mundo foi influenciada pelo realismo italiano de De Sica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, para quem já esteve e curtiu a capital da França, aí sim, Meia noite em Paris faz diferença. E logo no início do filme tem uma deliciosa sequência de planos da cidade que, em beleza arquitetônica é campeã. As tomadas sobre o Sena, o bateau mouche passando sob as centenárias pontes da cidade; o Trocadero, onde, num café e restaurante, pode-se, ao final da tarde, saborear macarrons e uma taça de champanhe enquanto se espera a chegada da noite para ver a Torre Eiffel iluminada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, são apenas reminiscências parisienses que eu já contei aqui mesmo neste blog, um tempo atrás, ao recordar os alegres e diuturnos passeios de bicicleta pela cidade luz. Portanto, para mim, qualquer oportunidade de ver Paris, mesmo que na telona, é um bom programa. E além do mais estávamos em São Paulo e, depois do cinema, fomos destrinchar o filme e saborear um vinhozinho tinto na Mercearia do Conde, que ninguém é de ferro e fazia frio naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, a boa era almoçar no Mercado Municipal. E como nos arredores fica a Rua 25 de março, não deu para resistir e fomos às compras. E aí é que eu fiquei mesmo besta. No mesmo Shopping 25 de Março, onde alguns anos atrás houve a grande e escandalosa apreensão das “moambas”, que levou à cadeia o contrabandista chinês, do qual não me lembro mais o nome, eram oferecidas bolsas e acessórios falsificados por preços módicos mesmo. E os guardas nas esquinas orientando os turistas com a maior tranquilidade:&lt;br /&gt;_ Seu guarda, por favor, onde fica o Shopping 25 de Março?&lt;br /&gt;_ Na próxima esquina, bem em frente à guarita da polícia.&lt;br /&gt;_  Ah..., bom. Obrigada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois de dar uma volta no bazar da contravenção, formos almoçar no Marcado Municipal. O lugar estava lotado, mas o seu Elídio, dono de um dos restaurantes no segundo andar, foi com a nossa cara e nos serviu no balcão mesmo uma caipiríssima mais do que honesta, verdadeiramente generosa!  Enquanto a mesa não saía, e a nossa senha era de vários dígitos, fomos nos divertindo como os petiscos que, de tão fartos e gostosos, nos saciaram o apetite. O jeito era ceder a mesa para o casal seguinte e voltar para o hotel feliz da vida com as compras e o efeito da vodka tirando a gente um pouco do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se foi por conta da euforia etílica, porém, ao passar por uma esquina, ao pé da ladeira que leva a multidão à entrada do metrô, me deslumbrei com a voz de uma menina que, em seus magrelos 15 anos, chamava à porta de uma galeria para a remarcação relâmpago de bolsas ao final do corredor. Pelo timbre da voz, pelo physique du rôle, pelos plenos pulmões com que anunciava o saldo, lembrou-me Edith Piaf cantando na rua para ganhar uns tostões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela era bonita, e era esguia, e colocava talento no que fazia. Seria com certeza uma bela cantora, se alguém lhe descobrisse o dom e lhe ajudasse a burilar a voz. Um coral de igreja aos finais de semana e a garota estaria no caminho do estrelato. Não era ainda um esbanjamento, pela tenra idade. Nem um caso perdido pelo mesmo motivo. Mas que dá pena ver tanto potencial desperdiçado numa esquina fria da Pauliceia, ah, isso dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso também é Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-238458376461826517?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/238458376461826517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=238458376461826517' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/238458376461826517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/238458376461826517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2011/07/meia-noite-em-paris.html' title='MEIA-NOITE EM PARIS'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-536221655065153149</id><published>2011-04-13T14:37:00.000-03:00</published><updated>2011-04-13T14:37:47.231-03:00</updated><title type='text'>Estreia Cidade de Leitores</title><content type='html'>Estreia no próximo sábado às 9h30, na Band, a nova série Cidade de Leitores. É um programa de literatura, no qual eu entrevisto escritores e especialistas no assunto, com entrevistas de 30 minutos de duração, e que promove a cada edição um diálogo da literatura com outras formas de expressão artística como cinema, teatro, artes visuais, música, histórias em quadrinhos e etc. Uma atração que não se propõe discutir a literatura ensimesmada na palavra,  mas valoriza o sentido do texto, os caminhos da leitura que levam a reflexões que irão de alguma forma transformar nossas vidas.  É como diz o jovem escritor português Gonçalo M. Tavares: “... um bom livro vale em média cem gramas de lucidez. “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o terceiro ano do programa que volta remodelado desde o nome até o tempo de produção. Nos dois anos anteriores fizemos o programa ao vivo com participação do público. Agora, com meia hora a menos, o programa conta com duas entrevistas gravadas em locações externas. Em consequência está mais ágil, pois além de mais curto, por ser gravado permite uma edição mais interessante, com imagens de arquivo e com muito mais ritmo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu sou a editora de conteúdo e roteirista do programa. Para as entrevistas que dialogam com outras expressões artísticas, conto com a colaboração inestimável dos roteiros de David França Mendes há quase um ano. Essas matérias,  que podem ser acessadas no YouTub, são muito bem dirigidas,  assim como o programa todo, por André Glasner. Carolina Antonutti é a nossa competentíssima produtora e Leonardo Ribeiro, nosso talentoso editor de imagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Cidade de leitores faz parte de um programa mais amplo da secretaria municipal de Educação, com várias ações de incentivo à leitura, chamado Rio, uma cidade de leitores. É um exemplo da preocupação da secretária Cláudia Costin com a formação cultural de professores e alunos da rede municipal de ensino. É por aí que acompanho o trabalho da secretária desde o início de sua gestão e sou testemunha de seu esforço no sentido de melhorar e modernizar o ensino no Rio de Janeiro. Portanto, posso imaginar sua consternação com o massacre das crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo. E é aí que vem ao caso o comentário de Zuenir Ventura em sua crônica de hoje. Ele observa ser mais importante do que discutir o controle de armas, neste momento, pensar uma série de iniciativas para reprimir e até impedir os casos mais agressivos de bullying nas escolas. Eu assino em baixo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-536221655065153149?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/536221655065153149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=536221655065153149' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/536221655065153149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/536221655065153149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2011/04/estreia-cidade-de-leitores.html' title='Estreia Cidade de Leitores'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-6818965834596051434</id><published>2011-03-31T16:36:00.000-03:00</published><updated>2011-03-31T16:36:21.567-03:00</updated><title type='text'>Um certo leão-marinho</title><content type='html'>Voltar a esse blog com algum assunto leve – depois de uma temporada ininterrupta de leitura pesada e acelerada que não me deu tempo de nada além de trabalhar  – é o que me leva a escrever hoje. Porque se tivesse que tratar de coisas sérias, fatos graves, confabulações metafísicas ou qualquer questão relacionada a direitos autorais, por exemplo, não me aventuraria não. Ainda mais que antes de mais nada devo encerrar a historia do mergulho no Pacífico Sul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, vamos lá. Foi em Vinha Del Mar, a cidade dos festivais de música dos meus anos dourados. Um balneário formoso e organizado, como quase tudo no Chile, com uma pitada de sofisticação nostálgica que me deu a sensação de estar em algum filme dos anos 60, com trilha sonora de Pepino di Capri. &lt;br /&gt;Talvez  a topografia da via litorânea que nos levou de Valparaiso a Vinha Del Mar, costeando a orla de pedras escarpadas pelo mar muito azul  repicado de espuma branca,  tenha feito eu voltar ao tempo das comédias românticas, nas quais casais enamorados zarpavam pela cote d’azur em seus conversíveis coloridos ao som de Sapore di Sale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acordei dessa “viagem” quando paramos num mirante e vimos um grupo de pessoas fotografando loucamente um rochedo em frente. Ao me aproximar da balaustrada, com a curiosidade aguçada pelo frenesi dos turistas, descobri uma família de leões-marinhos se esbaldando de mergulhar nas ondas revoltosas da encosta, para depois voltarem aos solavancos, cada qual ao seu lugar nas escarpas do rochedo.     &lt;br /&gt;Aparentemente eles fazem o maior esforço para subir, pois se jogam com todo o peso sobre as pedras e vão se arrastando para o alto em solavancos, contando apenas com o movimento ondular do corpo roliço para ajudar. Tampouco se manter ali parece fácil.  A violência do mar os derruba de volta à água com frequência, e eles têm que empreender novamente, e desde o início, a maratona rochedo acima, até conseguir se firmar num lugar ao sol.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diversão dificultosa a desses mamíferos, você diria. Qual é a graça afinal? Eu não sei bem, porque não me aventurei num mergulho naquela água gelada. Além do mais que soprava um ventinho frio e, apesar de ser verão, o clima é de sul da América do sul.  Logo, uma combinação enregelante por demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, os leões-marinhos pareciam estar adorando o banho de mar. Posso até jurar que eles riam a valer a cada mergulho. E alguns ainda gargalhavam, tirando sarro dos mais desajeitados, aqueles que pelejavam para alcançar um encosto seguro no rochedo, tombados que eram sem cessar pela força das ondas constantes. Realidade ou fantasia? Pouco me importa. Relevante mesmo foi sentir a alegria contagiante daqueles bichos. Alegria, animação, entusiasmo, sei lá, só sei que ver a persistência de um leão-marinho mais gorducho, e mais lento que os outros, para alcançar as pedras e enfim poder descansar me animou a entrar na aula de natação no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, frequento a academia do campeão Luis Lima, na praia de Copacabana. Todo sábado, chova ou faça sol, lá vou eu de maiô, touca e óculos de mergulho. E, quando o mar está frio ou agitado, não me intimido não. Penso no meu leão-marinho gorducho e desajeitado, e nos  muitos caldos que ele levou até alcançar seu lugar ao sol. Aí, eu entro nesse Atlântico Sul de cabeça, sem medo e sem frio, e mergulho com um sorriso no rosto e um calor danado no coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-6818965834596051434?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/6818965834596051434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=6818965834596051434' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6818965834596051434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6818965834596051434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2011/03/um-certo-leao-marinho.html' title='Um certo leão-marinho'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-2857783797530429626</id><published>2011-02-21T14:29:00.003-03:00</published><updated>2011-02-21T14:46:56.124-03:00</updated><title type='text'>Mergulho no Pacífico Sul</title><content type='html'>Um mergulho no Pacífico Sul, foi como começou a conversa que nos levou ao Chile, um país que, pela diversidade topográfica e climática, oferece uma formidável variedade de passeios, com paisagens e atrativos que justificaram as cinco horas de voo e as duas semanas que passamos lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade de Santiago frequentava o meu imaginário há muito tempo, como contei na postagem anterior. Mesmo assim, a realidade não foi totalmente desapontadora, por conta da limpeza das ruas, da organização urbana, da educação e gentileza dos moradores, e por estar incrustada na pré-cordilheira dos Andes, o que lhe dá certa atmosfera de proteção.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine uma São Paulo um pouco menor, menos barulhenta, com um trânsito mais bem resolvido, e cercada por montanhas de picos nevados que compõem um visual do tipo "Shangrilá"?  Seria um sonho se o fato de estar naturalmente cercada não fizesse a cidade sofrer com a frequente alta poluição do ar. Acontece que é raro chover na região e a cordilheira impede a passagem dos ventos que levariam as partículas indesejáveis de poeira para o mar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pouco tempo que passamos em Santiago, quatro dias ao todo, não deu para sentir essa poluição, foi tudo muito agradável. A comida é razoável, pra quem gosta de salmão é uma festa, e tem ainda um King Crab que é uma viagem.  É o mesmo Santolla que se encontra na costa atlântica de Portugal, na cadeia de restaurantes Oscar, de Nova Iorque, e em todo o Canadá. Para mim, a iguaria é um tesão de sabor e contém uma quantidade de proteína que, combinada às ostras frescas da entrada, transformou-se na refeição mais afrodisíaca que jamais provei. Ainda mais que essas delícias se comem com as mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade tem ainda os vinhos chilenos ao preço de “vinho nacional”. E muito próximo,  o adorável balneário de Vinha Del Mar, onde ocorreu o nosso tão esperado e propalado mergulho no Pacífico Sul. Enfim, a capital do Clile tem quase tudo para fazer de uma cidade um lugar bom para viver, a não ser por um senão. E aqui eu peço licença a Clarice Lispector - e à precisão de seu comentário sobre uma cidade da Suíça - para dizer sem hesitação: falta demônio em Santiago do Chile.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-2857783797530429626?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/2857783797530429626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=2857783797530429626' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2857783797530429626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2857783797530429626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2011/02/mergulho-no-pacifico-sul.html' title='Mergulho no Pacífico Sul'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-3281893402346800067</id><published>2011-02-17T20:30:00.002-02:00</published><updated>2011-02-17T22:34:20.274-02:00</updated><title type='text'>Na terra de Allende</title><content type='html'>Conversa vai, conversa vem, depois de gostosos mergulhos no Atlântico Sul – comentados aqui na última postagem –, resolvemos tomar um banho de mar no Pacífico Sul, só para comparar. Em dois dias tínhamos um roteiro organizado, com passagens marcadas e hospedagem garantida no Chile. Um país que nenhum de nós conhecia, apesar de constar da lista dos lugares que um dia iríamos com certeza visitar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santiago para mim era e continua sendo a terra de Salvador Allende. A cidade para onde foram nossos exilados políticos quando pela primeira vez na história da América Latina um socialista marxista era eleito presidente. A cidade mais citada nas memórias desses brasileiros que participaram da luta armada ou não, militantes de esquerda ou simplesmente defensores da democracia que depois, em tempos de anistia, contaram em livros suas aventuras e desventuras no exílio. Alguns dos quais se tornaram best sellers e eu saborosamente li.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garota meio alienada, por força da repressão que engolfava todas as instâncias da vida social e transbordava para o seio das famílias, apavoradas com a possibilidade de ter um esquerdista entre os seus, fui despertada da modorra política por um tio que costumava nos visitar. Como notasse que eu lia na revista Manchete uma reportagem sobre o novo presidente do Chile, um socialista eleito por sufrágio universal, ele vaticinou por entre o bigode cerrado,com sua voz de trovão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__ Esse Allende vai cair. Socialista na América Latina tem que tomar o poder, tem que fazer revolução. Eleito de forma democrática, ele não se sustenta, não governa de jeito nenhum. Vão derrubá-lo, minha filha, você vai ver!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se três anos e a maldição se confirmou. O palácio de La Moneda foi cercado e Salvador Allende morreu resistindo à investida do seu chefe das Forças Armadas e antigo homem de confiança Augusto Pinochet. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto da história vocês sabem. Eu também. Pois tendo a curiosidade politica revitalizada por um analista no mínimo intuitivo, passei a preferir as rodas masculinas de conversa e as colunas de política nos jornais. Sempre com interesse meio transversal porque o assunto era proibido em casa, na escola, na praia e onde mais os jovens se encontrassem, sob pena de ser tomados por subversivos. Fama pior do que a de “galinha” para uma moça de família. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora, tantos anos depois, lembrando daquela época com uma pontinha de nostalgia, eu me encontrava em frente ao palácio no qual o primeiro presidente socialista marxista da América Latina entrara para três anos depois morrer resistindo ao famigerado golpe do general Augusto Pinochet. A emoção foi imensa. E confesso que senti correr na espinha o mesmo arrepio de tempos atrás, quando ao saber da notícia da queda de Allende, fui tomada pela angústia de, de alguma maneira, ter sido conivente com as forças da repressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-3281893402346800067?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/3281893402346800067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=3281893402346800067' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3281893402346800067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3281893402346800067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2011/02/na-terra-de-allende.html' title='Na terra de Allende'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-1309631152462826378</id><published>2011-01-10T17:54:00.000-02:00</published><updated>2011-01-10T17:54:49.036-02:00</updated><title type='text'>Pôr do sol no Arpoador</title><content type='html'>Depois de um longo e adorável invernico em Teresópolis, onde passamos Natal e Réveillon, resolvemos tomar uma prize de Rio de Janeiro e fomos ver o pôr do sol no Arpoador.  Foi no último domingo. Já era tarde, início da noite, e no entanto o sol parecia ir ainda alto, dada a intensidade da luz. Vinhamos de Copacabana e, por volta das dezenove horas cruzamos a Francisco Otaviano, no sentido de Ipanema. Em sentido contrário vinha um mundo de gente deixando a praia. Eram grupos só de rapazes ou só de moças, outros mistos e de idades variadas, pais e filhos, famílias inteiras, avós,tios, madrinhas e padrinhos, crianças de colo ou bem pequenas se entrelaçando nas pernas dos adultos, mulheres velhas de fio dental e muito, mas muito sacolé.  Enfim, uma turba barulhenta que se deslocava atabalhoadamente pelas calçadas do bairro, sem tomar conhecimento dos outros, os que vinham ordeiros rumo ao seu banho de mar. “Um choque cultural brutal para o morador de Ipanema!”,  foi a primeira coisa que pensei. Mas como é de meu feitio e tendência ideológica, imediatamente tentei argumentar&gt; “ Apenas pessoas alegres que trabalharam a semana toda e agora tem seu momento de distensão.” “...talvez mais honestas do que muitas das de nossas relações.” “Gente que respeita a família e não cobiça a mulher do próximo, por exemplo.” “Afinal, todos têm direito a essa praia, ora bolas!” E nesse exato momento passa ao meu lado uma jovem mãe falando ao celular com a criança no colo, que estica o bracinho tentando pegar o aparelho. E ela berra no ouvido do pequeno que vai levar “porrada” se continuar a "zoar". E foi tanto palavrão e grito pra criança que eu desisti na hora de defender os “visitantes”. Sem mais palavras chegamos ao nosso destino. A areia ainda apinhada de gente. Esperamos com uma cervejinha no quiosque até que vagasse lugar. E antes do pôr do sol tomamos um delicioso banho de mar. Depois vinham chegando os amigos, um papinho aqui, outro ali, na beira do mar. Cada qual contando seu réveillon. E mais um pouquinho, e pimba!, o sol caiu dentro d'água, como uma gota de ouro em  veludo drapeado. Apareceu no céu um filete de lua branca e a primeira estrela despontou. Um último mergulho afogou de vez  a lembrança da nossa traumática chegada. Voltamos pra casa alegres, fazendo planos de desbravar esse caudaloso Atlântico Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-1309631152462826378?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/1309631152462826378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=1309631152462826378' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1309631152462826378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1309631152462826378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2011/01/por-do-sol-no-arpoador.html' title='Pôr do sol no Arpoador'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-2024273196408891552</id><published>2010-11-04T23:05:00.003-02:00</published><updated>2010-11-04T23:11:40.764-02:00</updated><title type='text'>Tropa de Elite 2</title><content type='html'>Fui das primeiras pessoas a denunciar o caráter fascista do filme Tropa de Elite, aqui mesmo neste blog. Na época, assisti ao filme numa seção da tarde, na primeira semana do lançamento, antes de ouvir outras opiniões.  E fiquei indignada com a justificativa do uso da violência por uma força policial que deveria, acima de tudo, respeitar o estado de direito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justificativa evidente na forma como o roteiro tratava o comandante da tropa de elite da PM, como um verdadeiro “herói”. Ora, o herói é, em toda mitologia, seja ela grega, judaica, cristã ou ianomâmi, um exemplo de desafio, conquista e superação, servido aos simples mortais como modelo para ser admirado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aí que se dá o caráter fascista do filme: o uso da violência por quem está do lado “certo” da história contra todos os que ousam atravessar seu caminho. Mesmo um garoto de não mais que 13 anos que, seduzido pela possibilidade de  comprar um par de tênis importado, vira olheiro do tráfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrar um soldado de elite espancando um adolescente na tela e, ainda por cima, levar a plateia a aplaudi-lo é chegar ao fim da linha para uma sociedade que se quer civilizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi só por causa da insistência de um amigo no qual deposito bastante confiança que me aventurei a assistir ao Tropa de Elite 2. E volto a este blog, desta vez para declarar que o filme é muito bom, que o diretor José Padilha se redimiu perante a sociedade ao assumir, nas palavras do agora Coronel Nascimento, o caráter fascista do antigo Capitão Nascimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o filme conta uma parte da história recente do Rio de Janeiro, trata da relação espúria entre a política, a polícia e o crime organizado, desmascara o projeto de poder dessa verdadeira máfia que é a milícia e ainda dá uma pernada nos que defendiam a ação dos milicianos nas comunidades como um mal menor, seja por falta de informação, má fé ou por posição ideológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o lado engraçado é que o pessoal da extrema direita acha o filme ruim. Diz que esse agora não tem nada a ver com o “Tropa” original, e bóia na história do personagem Diogo Fraga, baseado em Marcelo Freixo, professor de História que se tornou deputado estadual,lutou, conseguiu abrir e presidiu a CPI das milícias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Freixo se reelegeu no dia 3 de outubro, antes do lançamento do filme, portanto, para um segundo mandato na Assembléia Legislativa, pelo PSOL. Foi o segundo deputado mais votado no estado. E é por tudo isso, e por ser um filme bastante inteligente também, que eu recomendo aos leitores o Tropa de Elite 2. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-2024273196408891552?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/2024273196408891552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=2024273196408891552' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2024273196408891552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2024273196408891552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2010/11/tropa-de-elite-2.html' title='Tropa de Elite 2'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-3290969346811264936</id><published>2010-10-14T22:54:00.000-03:00</published><updated>2010-10-14T22:54:34.225-03:00</updated><title type='text'>PLAGAS TIJUCANAS</title><content type='html'>A crônica surgiu na Idade Média com a função de registrar fatos reais ao longo do tempo. E ao longo do tempo foi perdendo o caráter de documento oficial, na medida em que se aproximava do leitor. Entre nós, a crônica apareceu vinculada à imprensa e ao compromisso romântico de fundação de uma literatura nacional, para se consolidar, ao passar dos anos, como gênero literário mais apreciado pelos brasileiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi no Rio de Janeiro que a crônica caiu no gosto do povo. Pois além de se ver muitas vezes retratado em textos da mais fina tradição, o carioca reconheceu em bairros, ruas, bulevares e recantos da cidade cenários reveladores da mentalidade da época e das vivências das diferentes classes sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, comentar cenas do cotidiano, lançando um olhar poético sobre personagens, hábitos e costumes em determinado tempo e espaço não é privilégio da literatura. O cinema tem dado demonstração de grande vocação para a crônica, e Amarcord, de Fellini, é o exemplo mais corriqueiro e universal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi justamente buscando exemplos nacionais de crônicas cinematográficas para levar aos meus telespectadores que fui parar na Praça Xavier de Brito, numa manhã gelada de sol. Foi o dia mais frio de outubro desde 96, segundo o jornal O Globo. Talvez pelo inusitado do clima, talvez pelo azul puríssimo do céu, a experiência tenha me parecido mágica; e boa de contar.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lugar fica na Tijuca, um dos bairros do Rio mais mencionados nas páginas literárias e tão esquecido do cinema nacional. É a praça dos cavalinhos. Não sei se você já a conhece ou se dela já ouviu falar. Se tiver a oportunidade de visitá-la, não perca. Vai encontrar um espaço com tudo o que há de bom num grande centro urbano: lazer e diversão ao ar livre ou ao rés do chão para todos os gostos e idades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o chão de areia rústica das pistas que se cruzam na arquitetura da praça guardava ainda os arabescos de piaçava do pessoal da COMLURB que acabara de passar; para minha grata recepção. Olhando para o alto, vi as árvores frondosas que sombreiam o lugar. E me pareceu serem elas os mimos e cuidados do departamento de parques e jardins, tal a variedade de adornos vegetais pendendo de seus galhos generosos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A praça ainda tem coreto, monumento e chafariz. Tem também área coberta com mesinhas para o carteado da turma da terceira idade. Mulheres jovens e nem tão jovens, mas charmosas, praticando o jogging diário; e a mãe empurrando o carrinho do bebê e papeando no celular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se você gosta de chope gelado, no entorno da praça é o que não falta. Experimente o do Bar do Pavão. Tome quantos copos agüentar e depois vá almoçar no Rei do Bacalhau, ali do lado. Mas, cuidado, não faça muito barulho que o lugar é tranqüilo por demais. Não há muito trânsito, ninguém corre, nem buzina. Leve a sua namorada e vá sentar-se com ela num dos bancos da praça dos cavalinhos. Espere desafobado o anoitecer, e faça um pedido à primeira estrela que aparecer. Você pode até não voltar lá. Mas mesmo que o seu desejo não se realize, você nunca vai esquecer a tarde que passou ligeira nas doces plagas tijucanas.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-3290969346811264936?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/3290969346811264936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=3290969346811264936' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3290969346811264936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3290969346811264936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2010/10/plagas-tijucanas.html' title='PLAGAS TIJUCANAS'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-5852071565068023861</id><published>2010-06-27T22:21:00.002-03:00</published><updated>2010-06-27T22:27:54.372-03:00</updated><title type='text'>O país do desperdício</title><content type='html'>São Paulo é tudo de bom para uma visita rápida. Foi no mês de maio, do tradicional tempo bom. Independentemente da estação, seja inverno ou verão, o clima no mês das noivas costuma ser de sol e temperatura amena em quase todo o planeta. Então, não tem muito erro na hora de fazer a mala, o que já alivia bastante a má vontade do carioca em relação à capital paulista. Porque do contrário, a gente nunca sabe o tempo que pode fazer na terra da garoa. E aí é que a coisa pega, pois para não ser pego de calça curta, deve-se carregar duas vezes mais roupas, para inverno (se chover), e para verão (em dias de sol). Mas em maio não, em maio os dias são limpinhos, azulzinhos, faz friozinho, e à noite é mais frio ainda, mas sem aquela umidade enjoada no ar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fui à cidade principalmente para ver duas exposições de artes plásticas que me interessavam sobremaneira. A primeira, uma retrospectiva em homenagem ao Hélio Oiticica, um artista que cada vez mais se torna referência para a compreensão da arte contemporânea. Um intelectual que refletia sobre seu trabalho, registrando em texto suas experiências artísticas, suas intenções com cada obra. E esclarecendo, sempre que tinha a oportunidade, em entrevistas e depoimentos, seu processo criador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mostra põe à disposição do público o pensamento e inúmeras obras de Oiticica, entre elas o Parangolé (“Tudo começou com a formulação do Parangolé, em 1964, com toda a minha experiência com o samba, com a descoberta dos morros, com a arquitetura orgânica das favelas cariocas ...”), na sede do Itaú Cultural na Avenida Paulista. E ainda distribui, em locais de grande fluxo na cidade, obras da série Penetráveis, construídas de forma a serem penetradas pelo espectador. Não poderia ser melhor a ilustração de um dos principais conceitos elaborados por Hélio Oiticica, o de que a arte só se completa com a participação das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra exposição foi Andy Warhol, Mr. América, na Estação Pinacoteca. O espaço é formidável e merece uma postagem especial, já que entre outras coisas abriga uma homenagem às vítimas do DoiCodi, na época da ditadura militar. Mas voltando à mostra de Warhol, a maior exposição do gênio da arte pop já feita no Brasil nos revela um artista enraizado no seu tempo e, por isso mesmo, capaz de traduzir em comentários perspicazes e nos trabalhos violentamente poéticos, o pathos da América da segunda metade do século XX. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mostra estão desde as Latas de Sopa Campbell’s aos retratos de Mohamed Ali e Pelé. Ao lado deste último um comentário do artista do dia em que fotografou o rei do futebol, em sua casa, em Nova York. Warhol diz que uma das coisas mais interessantes que viu na vida foi o fato de que no Brasil há pessoas de várias cores diferentes na mesma família. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mesmo assim o nosso país, tão cheio de possibilidades que ainda não conseguimos entendê-lo muito bem. Quanto tempo perdido na discussão de cotas raciais! Quanto tempo perdido em disputas inócuas. Veja só, temos duas cidades como Rio e São Paulo, há menos de uma hora de avião uma da outra, as duas com aeroportos próximos ao centro, cada uma com mais atrações que a outra e em vez de promover o entrosamento cada vez maior entre elas e seus moradores, um intercâmbio comercial, cultural, artístico e turístico, que favoreceria as duas, estamos sempre a compará-las numa competição que não leva a nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mesmo o país do desperdício esse Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-5852071565068023861?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/5852071565068023861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=5852071565068023861' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5852071565068023861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5852071565068023861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2010/06/sao-paulo-e-tudo-de-bom-para-uma-visita.html' title='O país do desperdício'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-3607397856980353564</id><published>2010-04-19T00:39:00.001-03:00</published><updated>2010-04-19T00:43:15.938-03:00</updated><title type='text'>Jogando para a plateia</title><content type='html'>Fiquei Abismada quando ouvi o presidente Lula afirmar que é muito difícil para as autoridades retirar os moradores de áreas de risco porque eles voltam sempre. Pior foi Lula falar em tom de solidariedade ao governador Sérgio Cabral, ao seu lado num evento no dia seguinte às chuvas que provocaram a situação de calamidade no Rio de Janeiro no início do mês. Quando o que era de se esperar, por Lula cultivar a imagem de presidente que mais fez pelos despossuídos na história desse país, seria além da mensagem de pesar,  a promessa de empenho em ajudar a dar condições para que toda a população do Rio possa morar e trabalhar com dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Lula falou com naturalidade apesar de saber que ninguém mora em área de risco porque quer. O presidente tem consciência, pela própria história de militância na esquerda, que a origem e crescimento das favelas no Rio de Janeiro têm a ver com financiamento para a construção de conjuntos habitacionais para a população de baixa renda, e transporte seguro, rápido e barato para levar que essas pessoas ao trabalho a um custo que lhes caiba no orçamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, por que o comentário leviano sobre a índole dessa gente despossuída de tudo, ao ponto de ir morar sobre um lixão? Porque Lula conhece o eleitorado do Rio. Porque, com o senso de oportunidade que lhe é peculiar, o presidente sabe que, aqui, a classe média é a grande formadora de opinião. E essas pessoas não têm compaixão. Em meio ao desespero das famílias e vizinhos das vítimas soterradas em lama e chorume, o que se ouvia no trabalho, na praia, no bar da esquina e na fila dos cinemas da Zona Sul era a voz da censura e do rancor disfarçada por entre expressões não propriamente de tristeza, mas, no máximo, de chateação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois a classe média carioca é reacionária, exclusivista, insensível e preguiçosa. Para falar apenas de um detalhe emblemático da situação que se criou na cidade, essa gente insensível nunca abriu mão da doméstica para lhe servir de manhã à noite, e sem hora para ir dormir no cubículo claustrofóbico chamado até hoje de quarto-de-empregada. E por isso mesmo nunca se preocupou em reivindicar transporte adequado para que  pudessem morar dignamente com suas famílias nos subúrbios e periferias da cidade e vir trabalhar na Zona Sul gastando menos de três a quatro horas do seu tempo de sono e descanso e de trinta por cento do seu salário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim nasceram e cresceram as favelas que tanto incomodam o morador do asfalto. Ciente desse desconforto frívolo, tipicamente carioca, Lula preferiu censurar a parte fraca, pôs-se do lado em que a corda nunca arrebenta, e se absteve de apontar a irresponsabilidade histórica da elite do Rio de Janeiro em aceitar que políticos e governantes tratem grande parte da população como criaturas de segunda classe, e não como cidadãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-3607397856980353564?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/3607397856980353564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=3607397856980353564' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3607397856980353564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3607397856980353564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2010/04/jogando-para-plateia.html' title='Jogando para a plateia'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-1540500650362776438</id><published>2010-02-23T19:37:00.004-03:00</published><updated>2010-02-23T19:44:56.572-03:00</updated><title type='text'>Cuba Libre</title><content type='html'>A recente viagem a Cuba foi uma das melhores que já fiz na vida. Primeiro porque era um sonho antigo acalentado desde o início da minha carreira no jornalismo, quando só os diretores de jornais, os editores-chefes e os colunistas renomados eram convidados a visitar a ilha de Fidel. Nessa época, as delegações brasileiras eram recebidas com pompa e circunstância pelo regime castrista, de resto  fechado ao turismo de um modo geral. E os chefes voltavam à redação contando maravilhas da viagem, deixando-nos, os simples operários da notícia, invejosos daquele privilégio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou e não houve uma oportunidade igual para mim, mesmo depois da abertura do país para o turismo. Hoje Havana é uma das cidades mais visitadas do Caribe, tem hotéis excelentes, um dos mais belos conjuntos arquitetônico da América Latina, os melhores músicos do mundo e os drinques mais saborosos do planeta. Mas o segundo motivo de minha extraordinária satisfação em visitar a ilha socialista não foi de interesse profissional, cultural ou artístico, mas por motivo fútil. Vou fazer uma volta no tempo para contar uma passagem da minha vida que talvez revele a origem de eu ter um temperamento rebelde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Como toda adolescente, eu colecionava fotografias de artistas de cinema e, em vez de álbum, colava as fotos recortadas das revistas do lado de dentro da porta do meu armário. Era o espaço mais reservado possível na casa onde eu vivia com meus pais, irmãos e avó. E como as fotos eram presas com durex, eram trocadas logo que as revistas da semana anterior fossem substituídas pelas mais novas. Desta forma se mantinha atualizada minha galeria de galãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia, folheando a revista Manchete ou O Cruzeiro, vi um rosto tão bonito quanto os de Alain Delon e Paul Newman, porém com um quê a mais, um certa aura de mártir; um ar romântico e ao mesmo tempo desafiador.  À doçura do olhar, ele combinada uma postura altiva, quase arrogante. Tratava-se de um homem jovem, de pele clara e cabelos negros revoltos. A barba escura contrastava com as feições suaves, e o bigode hesitante delineava uma boca quase feminina. Belo como as mais cobiçadas estrelas de Hollywood, e ao mesmo tempo tão diferente, tão fora de padrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto em preto e branco, de página inteira, estava em destaque no centro da revista, onde só as celebridades mais importantes da atualidade tinham lugar. E, dali, meu ídolo mais recente foi direto para o meu recanto idílico de menina moça. Colei a foto na altura um pouco acima do meu rosto, de forma que pudéssemos cruzar o olhar sem dificuldade. E eu falseava, buscava não me dar conta da sua existência, abria o armário distraída, procurando apressada uma calcinha, um par de meias ... Para em seguida me surpreender e até mesmo corar sob o olhar daquele herói romântico, descobridor dos meus desejos mais íntimos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que o namoro durou pouco. Minha mãe, eleitora da UDN e fã de Carlos Lacerda, em sua inspeção periódica ao meu quarto, e num de seus arroubos cotidianos de voluntarismo, arrancou o recorte da porta do armário e rasgou o meu Che Guevara em pedacinhos.  Transtornada, ela batia no peito e alardeava suas convicções patrióticas e religiosas, na casa de quem jamais entraria foto de  um COMUNISTA. Eu ainda levei uns tapas quando argumentei que a foto do COMUNISTA havia sido recortada da revista que ela mesma comprava e lia todas as semanas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um trauma. Nunca mais quis saber de fotografias de artistas de cinema. Em compensação vi crescer em todo o mundo a admiração pelo moço proibido de entrar em minha casa, e passei a experimentar o agradável sabor da revanche a cada pôster, botton ou camiseta estampada com a imagem de Che Guevara. Imagem esta que se espalhou rapidamente pelo mundo como símbolo maior de coragem, abnegação e coerência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vocês podem imaginar qual não foi o meu prazer ao me deparar, em Cuba, a toda hora, com a imagem daquele meu primeiro amor.  Impresso em outdoors com mensagens educativas ao longo das estradas, nos saguões dos prédios públicos, nas entradas de museus, nas paredes das lojas, nos caixas dos bares, ou na monumental figura esculpida em bronze na fachada do Ministério do Interior, na Praça da Revolução. &lt;br /&gt;Muito mais do que Fidel Castro, e mesmo José Marti, poeta e herói da independência, em Cuba, é  Che Guevara a  personalidade mais cultuada. Assim como no México há imagens de Nossa Senhora de Guadalupe por todo canto e recanto, em Havana, a célebre imagem de Che, clicada pelo fotojornalista Alberto Korda,  paira sobre os cidadãos como um padroeiro, um padim Cícero em Juazeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, mais uma vez e em grande estilo, eu fui à forra daquele dia em que dormi sem beijar meu ídolo de papel. Mas só eu sei que sonhei com seu olhar romântico noites seguidas e, até hoje, tenho a convicção de que Che Guevara, com sua aura de Santo Guerreiro, foi o homem mais sexy que eu conheci.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-1540500650362776438?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/1540500650362776438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=1540500650362776438' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1540500650362776438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1540500650362776438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2010/02/cuba-libre.html' title='Cuba Libre'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-4979890453250010773</id><published>2010-02-01T23:57:00.004-02:00</published><updated>2010-02-02T00:26:08.770-02:00</updated><title type='text'>Luar sobre Varadero</title><content type='html'>Desta vez o luar foi sobre Varadero. Veio sem alarde e sem reclame, no último dia da nossa viagem a Cuba. Depois do jantar, fomos andar na beira da praia, e com o mar ondulando nossos passos, repassamos, encharcados da lua cheia, cada instante do pouco tempo que já dura nosso amor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... assim acabaram-se as férias mais adoraveis de que me lembro. Antes de Varadero, foram quatro noites em Havana, todas regadas ao bom rum do Caribe e embaladas por rumbas e boleros que, desde sempre, fizeram a trilha sonora das minhas mais românticas fantasias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De dia Havana é ainda melhor. Que cidade linda! Não há capital mais limpa em todo o planeta. Pelo menos não nesta parte do mundo onde não falta o demônio, como diria Clarice Lispector, para quem a Suíça era bonita mas sofria de ausência do danado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como são belas e imponentes as construções de palácios e prédios públicos que vão do estilo colonial espanhol ao modernista,  percorrendo cinco séculos de história latino americana. E tal conjunto arquitetônico de valor inestimável é disposto em largas alamedas em meio a amplas e arborizadas praças, algumas das quais se percorre pisando cerâmica impecavelmente conservada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permeando a grandiosidade das avenidas com seus  monumentos imperiais, republicanos e revolucionários há as típicas ruelas de sobrados singelos com varandas de serralheria rústica. Nelas, há quase sempre uma corda onde roupas coloridas tremulam ao vento em ritmo de salsa, talvez querendo mostrar com poesia como a vida simples do povo faz a grandeza de uma nação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-4979890453250010773?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/4979890453250010773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=4979890453250010773' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4979890453250010773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4979890453250010773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2010/02/luar-sobre-varadero.html' title='Luar sobre Varadero'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-7597438281296743808</id><published>2010-01-16T11:08:00.002-02:00</published><updated>2010-01-16T11:17:38.277-02:00</updated><title type='text'>Afinidades Eletivas</title><content type='html'>É cedo. Chove pela primeira vez no Rio de Janeiro em mais de dez dias de um calor senegalês. E eu volto a este blog depois de um longo e tenebroso inverno. A metáfora é um clichê pra lá de gasto, dele lanço mão apenas para que fique entendido que o contato com vocês me fez falta nesse período no qual trabalhei em dobro para tirar umas férias que já vão pela metade. O batente duplicado naturalmente me estressou, mas agora gozo o ócio remunerado e, estimulada pela chuvinha fina que cai lá fora e o café fumegante que sorvo aos golinhos ligeiros, vou direto às novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um ano bom. Fechei uma série de trinta programas de televisão sobre literatura brasileira e universal, do qual sou editora de conteúdo, roteirista e apresentadora. Foi um ano de desafios, de muito estudo, trabalho duro e pouco tempo livre, mas também de grandes satisfações e algum contratempo. O importante é que o saldo é positivo, e prova disso foi o fato de poder romper com amarras emocionais há muito rotas e já desnecessárias. Os reflexos da rebeldia fizeram-se notar mais precisamente no último Natal. O primeiro da alforria. Livre, fiz o que bem entendi na noite de 24 de dezembro. Inteira, não vi meus mais genuínos desejos estilhaçados pela tirania familiar; que costuma recrudescer nessa época do ano, por mais paradoxal que seja&lt;br /&gt;. &lt;br /&gt;Sim, porque neste período é aberta a temporada de  confraternização forçada, imposta por laços de família ou obrigações profissionais, que nem sempre coincidem com a admiração honesta, com a gratidão espontânea e o autêntico bem querer.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o amor não precisa de data certa para dar demonstrações. Muito menos de presentes com preços superfaturados comprados no tumulto dos shoppings na véspera dos feriados. O amor prescinde das reuniões forçadas  com parentes que passam o ano inteiro te derrubando e aproveitam a festa de “família” para te dar aquela última sacaneada do ano, regada a vinho quente e peru com farofa.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo amor de Deus, amar é muito mais dar que receber ( outro clichê que me ocorre e do qual ando bastante convencida).  Amar aos seus é deixá-los livres para curtir o que bem lhes aprouver, sem cobranças. Amar é entender que as carências são todas suas e que só há erros porque há acertos também. E se as carências são minhas vou tratá-las com o que tenho de melhor: senso prático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim levei meus filhos e seus enteados, com as respectivas noras para uma noite de Natal diferente. Fomos todos ao cinema assistir a Avatar em 3D, com direito a jantar depois no Out Beck. E isso no dia 23 de dezembro. Que tal? Um programão, sem lembrancinhas e muito menos amigo oculto, essa coisa inventada não sei por quem, mas, em minha opinião, sem graça nenhuma. E no dia 24 fui cear com amigos queridos, na casa de um deles. Fui confraternizar com gente de quem gosto muito e com quem me apraz conversar. Gente escolhida reciprocamente  ao longo da vida. Gente reunida por afinidades eletivas, como tão bem entendeu e escreveu Goethe no livro do mesmo nome.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Escrevi este texto ontem, dia 15, quando até minha internet estava preguiçosa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As outras novidades vêm a seguir. Aguarde !&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-7597438281296743808?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/7597438281296743808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=7597438281296743808' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7597438281296743808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7597438281296743808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2010/01/afinidades-eletivas.html' title='Afinidades Eletivas'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-93871907607516751</id><published>2009-11-04T01:00:00.005-02:00</published><updated>2009-11-04T23:05:38.581-02:00</updated><title type='text'>Postagem pra lua</title><content type='html'>Ela saiu mansa, densa, plena. Ainda sem forma precisa, meio oval sob a bruma espessa que ofusca as luzes de Icaraí. Eu espero por esta lua há tempos, todos os meses, todos os dias marcados para serem noites de lua cheia. Mas aí nublava. E no mês seguinte chovia, e no outro um compromisso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ela aparece sobre Niterói. Deslumbrantemente laranja, suculenta e calma. A cada minuto sobe um pouco mais; aos poucos tomando forma, arredondando.  Desponta uma curva meia lua, como um ombro nu. A outra metade despojada de nuvens, surge como se deixasse cair um xale diáfano a seus pés. E vem altaneira azulando o céu. E crava sua figura de luz no azul profundo e aveludado. Marca minha retina, ofusca minhas memórias. Faz do meu coração tabula rasa, pra derramar faceira um vau de ouro sobre o espelho d’água. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que ele ficou de vir. Vem hoje, como veio ontem e anteontem. Que venha pleno como esta lua. Que venha transbordando de beijos salgados e olhos marinhos. Que venha alegre como os golfinhos. Que dance, cante e conte piadas picantes. E no pé do ouvido me fale do Egito. Que fume, que se embriague, que queime em desejos tribais os lençois da minha cama. E depois caia no sono, em abandono largo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a noite regurgitou o bafo quente do dia, em que o sol ardeu por doze horas sem descanso. E os ânimos se exaltaram indóceis em corpos eriçados. Os copos tilintaram o cristal boêmio até pra lá da madrugada. O som do funk na varanda, as pétalas arrancadas de uma orquídea, um riso nervoso e, enfim, é dita a palavra errada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua escorregou por detrás dos edifícios, e os porteiros já estão lavando os carros. Ele partiu. Não se despediu, foi desconfiado. Nunca mais um beijo amante, nem mergulhar juntos no mar. Nem vinho, nem volta, nem vontade vamos ter. Nada que possa arranjar um desnorteio como esse; que não tem conserto, nem emenda, nem soneto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe em outro dia de outubro... Em outra noite de luar? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-93871907607516751?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/93871907607516751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=93871907607516751' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/93871907607516751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/93871907607516751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/11/post-pra-lua.html' title='Postagem pra lua'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8762417906696291648</id><published>2009-10-12T19:56:00.004-03:00</published><updated>2009-10-12T20:38:19.314-03:00</updated><title type='text'>Rita Cadillac e o Festival do Rio</title><content type='html'>Uma das decisões que vou tomar no próximo último dia do ano será a de tirar férias no mês do Festival do Rio. É que a programação é tão variada e a quantidade de filmes interessantes que não serão exibidos em outra oportunidade é tal que, para os cinéfilos, o festival vale como dar a volta ao mundo em quinze dias no escurinho do cinema. Pode ser melhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E além disso dá a maior dó o fato de ter credencial e não poder curtir todos os filmes da Première Brasil, a minha preferida porque além da oportunidade de acompanhar a produção nacional, a mostra acontece no cinema Odeon, o melhor da cidade, com seu café-bar-restaurante charmosíssimo, com vista para a Cinelândia.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos lá. Do que eu vi, da produção nacional, foram três os filmes de longa-metragem de ficção que mais me impressionaram. “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes é um road movie narrado em primeira pessoa pelo protagonista. Ele nunca aparece, apenas ouvimos sua voz falando como se ditasse cartas. As imagens são tomadas do seu ponto de vista durante viagem de carro pelo semi-árido nordestino. O que faz da fita uma experiência singular, porém prazerosa, pois o texto é bom e a fotografia de Heloísa Passos (troféu Redentor), excelente. Enquanto faz o levantamento topográfico da região que será inundada com transposição de águas de um rio, o herói conta o fim do seu casamento e a dor da separação; o esforço para superar a perda da mulher amada; e a procura de consolo no sexo de programa e na prostituição. A decisão final do protagonista de mergulhar no mundo em busca de um novo amor é ilustrada com uma sequência espetacular de mergulhadores profissionais de Acapulco, com trilha sonora de música mexicana, daquelas em que o naipe de sopros de tão bom pinica o coração mais redimido. O filme ganhou justamente o troféu de melhor direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já “Hotel Atlântico”, de Suzana Amaral deixou a desejar. Pois apesar de condizente com a grife de qualidade em adaptação literária que Suzana inaugurou com “A Hora da Estrela”(do romance homônimo de Clarice Lispector); da produção bem-cuidada e história tecnicamente bem- conduzida, este agora não passa de um filme bem-feito. Os atores, no entanto, fazem um trabalho brilhante e há sequências muito boas também. Talvez a minha dificuldade seja com o universo de João Gilberto Noll. Diferentemente da obra de Clarice, em que personagens comuns se deparam com o mistério da existência, o autor gaúcho lança mão de protagonistas improváveis para mostrar que a vida é fria como uma lâmina.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Chovia muito na noite em que foi exibido “Os inquilinos”, de Sérgio Bianchi. E eu só fui ao Odeon, depois de um longo dia de trabalho, porque gostei muito de “Cronicamente Inviável” e “Vale quanto pesa, ou é por quilo?”, dois filmes anteriores de Sérgio, e que como este último dão um soco bem dado no estômago do espectador. Naqueles, o golpe é uma crítica contundente à mentalidade mesquinha, violenta, gananciosa, porém dissimulada da sociedade brasileira. Neste, é o retrato da realidade assustadora da nossa classe média, oprimida entre a violência que deixou crescer e ausência da cidadania que não se esforça para construir. O filme ganhou o Redentor de melhor roteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos documentários, eu vi e não gostei de “ Alô, Alô Teresinha”, de Nelson Hoineff. Nelson fez sucesso na década de 1990, com o programa televisivo de reportagens Documento Especial, da extinta TV Manchete. É um grande jornalista e ótimo teórico de comunicação. Foi meu editor durante seis anos no Jornal da Manchete, e eu credito grande parte do sucesso que tive naquela ocasião à qualidade do programa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso dizer o mesmo deste documentário sobre Chacrinha. É desrespeitoso com a memória do Velho Guerreiro e humilhante para as chacretes, que estão aí, têm família, e admiradores. O incrível é que o diretor conseguiu levar todas elas à estréia do filme, no Odeon. Como são ignorantes! São destratadas na tela e comparecem à exibição do filme sentindo-se homenageadas! Quer dizer, deixaram-se humilhar também ao vivo. Uma tristeza. Até Roberto Carlos está mal na fita. O rei aparece desprovido de carisma, mal fotografado, mal enquadrado, desperdiçado, enfim.&lt;br /&gt;Apenas duas pessoas Nelson Hoineff não conseguiu maltratar no seu longa: Fábio Júnior e Rita Cadillac. Talvez porque sejam muito autênticos e banquem, sem culpa, sua condição existencial, por mais estranha que seja. Talvez porque tenham sacado tudo e resolveram ser mais sacanas que o diretor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, é isso aí. No mais, palmas para a organização do Festival do Rio. Da seleção de filmes à cerimônia de premiação, foi um evento impecável. Ilda Santiago e Walkyria Bargosa estão de parabéns. Parabéns também para Lílian Hargreaves que cuidou da imprensa com profissionalismo e atenção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8762417906696291648?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8762417906696291648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8762417906696291648' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8762417906696291648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8762417906696291648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/10/rita-cadillac-e-o-odeon.html' title='Rita Cadillac e o Festival do Rio'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-1984410016903679267</id><published>2009-09-27T19:16:00.004-03:00</published><updated>2009-09-27T20:42:27.266-03:00</updated><title type='text'>Festival do Rio</title><content type='html'>A noite de abertura do Festival do Rio foi um estouro. Não que o tempo estivesse bom e o programa tenha começado na hora, evitando a já tradicional aglomeração desconfortável no exíguo e abafado saguão do Odeon. Não, quase todos os erros das vezes anteriores foram repetidos. Como, por exemplo, deixar por muito tempo a imprensa esperando do lado de fora, enquanto as estrelas e personalidades do cinema nacional e internacional chegavam e iam se acomodando no café e no restaurante anexos à sala de projeção. Pior, chovia a cântaros, e os pobres dos fotógrafos e jornalistas responsáveis pela cobertura do evento ficaram ao desabrigo, à mercê da intempérie por quase uma hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até os seguranças se protegiam debaixo dos sombreiros montados na entrada, que por sinal ficava muito afastada da única possível parada dos carros. Logo, os convidados ou portavam guarda-chuvas ou chegavam ao cinema encharcados. Eu, de minha parte, enfrentei a travessia com a cabeça coberta por uma pashmina, como fazem as muçulmanas. Deu no jornal que foi para proteger o penteado, e foi mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como pode ter sido um estouro uma noite que começa mal? Elementar, caro leitor. É só ir melhorando no decorrer do período. Coisa que não aconteceu com a chuva que só piorou. No entanto, passados os contratempos do começo, o evento foi indo de bom a melhor. O auge foi a projeção do filme Woodstock, de Ang Lee. Um primor de fita, uma história bem contada sob todos os pontos de vista. Bom roteiro, bons atores e a excelência da batuta do taiwanês radicado nos Estados Unidos. Mas o melhor do filme é contar como aquele festival de música, marco das transformações culturais mais profundas e contagiantes do planeta no século passado, processou tais transformações no microcosmo de uma família careta, numa cidade idem. É hilário na variedade de situações inusitadas, é sensível ao mostrar a felicidade proporcionada pelas liberdades individuais respeitadas, é humano na construção de personagens que costumam ser tratados como caricaturas (vide o travesti), é, enfim, um filme delicioso de assistir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes do filme teve a abertura da cerimônia com um discurso rápido e eficiente do prefeito que, diga-se de passagem, foi muito aplaudido na subida ao palco e aplaudidíssimo ao final, ao dar por oficialmente aberto o festival. Christiane Torloni não gostou. Mestre de cerimônias, junto com Toni Ramos, a bela demonstrou francamente sua contrariedade com o prefeito. Coisa que ninguém na platéia entendeu.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí chamaram ao palco a diva da Nouvelle Vague, Jeanne Moreau. Linda, aos oitenta e seis anos, a atriz fez um discurso tão bom que dispensou tradução para o português. Pois os que não entendem  francês, entenderam a entonação e, seja por conta da sintaxe semelhante entre as duas línguas, seja pela modulação da voz bem treinada de intérprete de La Moreau, a mensagem foi transmitida com sucesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elegantíssima, a protagonista de Jules e Jim vestia um conjunto parecido com um jogging de malha branca com brilho, botas brancas e um redingote longo e negro, aberto na frente, com uma imensa flor branca na lapela. Divina!&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;Depois do filme veio a festa. Como as anteriores, teve comida e bebida à vontade, salão de dança e DJs. O ambiente estava agradável, encontrei pessoas conhecidas, outras amigas e uma queridíssima. Lá pelas tantas, estava com meu prato na mão, conversando com amigos, ao lado de uma mesa alta que servia de pouso para os drinques, quando um lindo rapaz, alto, de terno branco e camisa preta, cabelos negros gomalinados e olhos claros de cristal, se aproximou num rodopio e lançou um “Leila Richers você é linda!” Eu quase tomei um susto, mas  cheguei a perguntar seu nome para agradecer o elogio. O moço não esperou, assim como veio ele se foi, com um pivô de bailarino russo, fazendo ventania atrás de si. Alguém da turma comentou:  “Foi embora rápido, antes que virasse homem!”.  Como vocês sabem, uma festa não é completa se faltar maldade no salão.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-1984410016903679267?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/1984410016903679267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=1984410016903679267' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1984410016903679267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1984410016903679267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/09/festival-do-rio.html' title='Festival do Rio'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-1910229682477552338</id><published>2009-08-30T12:43:00.009-03:00</published><updated>2009-09-07T18:19:03.158-03:00</updated><title type='text'>Clarice Lispector e o aniversário de criança</title><content type='html'>*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga passou de taxi e fomos assistir ao espetáculo Simplesmente eu. Clarice Lispector, no CCBB. No caminho ela contou que vinha de um aniversário de criança. Quis saber se sua filha, que eu gosto muito, tinha se divertido bastante. Impossível uma criança não se divertir numa festa de aniversário hoje em dia, com a quantidade de atrações que os pais contratam para tais ocasiões. É teatrinho, animadores e pula-pula, no mínimo, porque a maioria prefere alugar casas de festas, e aí há sempre um incontável número de atividades! Mas as crianças brincam umas com as outras?, perguntei. Mais brigam, porque ficam tão excitadas com a descomunal oferta de diversão que disputam com o coleguinha ao lado até um balão de gás de cor diferente! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pais angustiados, filhos mais angustiados ainda, e assim caminha a humanidade... No meu tempo era diferente!,  contei-lhe num transe saudosista. As festas de aniversário eram sempre na casa dos aniversariantes e invariavelmente nos fins de semana, porque no dia mesmo era um bolo no colégio e olhe lá. Mas havia muito encanto nessas ocasiões e nós aproveitávamos pra valer. Tinha sempre um adulto por perto, quase sempre o mais camarada da família, para organizar as brincadeiras de pêra-uva-e-maçã. Enquanto os pais se mantinham distraídos no uísque com gelo, para as mães era uísque com guaraná. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas comemorações varavam a tarde, entravam pela noite  e costumavam  ter dança depois do parabéns. A música era a da preferência do anfitrião, pos naquela época não havia a ditadura da criança. Lembro que as melhores festas eram na casa de um Alagoano que adorava Jackson do Pandeiro. Eu não desgostava, mas quase não podia me concentrar na dança, só pensando no pescoço rotativo da Alzira que “pulava que nem uma guariba. E gritava a e i o u ipslone.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia ainda outro fato que me afligia. Eram os dois irmãos que usavam terno e gravata nos aniversários, embora não passassem dos dez e doze anos de idade. O mais velho então ficava sinistro daquela maneira, parecia a miniatura do pai. E por mais que me incomodasse o tecido áspero com cheiro de naftalina, não nos seria permitido recusar um convite para dançar feito com gentileza por outros convidados. E assim, com o passar dos anos, peguei até amizade aqueles irmãos. Além, é claro, do gosto pela dança de salão.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom mesmo é que na época, bastava um disco na vitrola e estava garantida a diversão. Acho até que aquelas festinhas nos preparavam para uma vida mais feliz, o individualismo era combatido e a camaradagem estimulada de maneira muito natural. &lt;br /&gt;Hoje, a sociedade adota o discurso hipócrita de aprovar a diversidade, mas está cada vez mais massificada, tendo  todos que se enquadrar nos padrões determinados de beleza,  sucesso e comportamento. Tudo regido pelo  consumo e a vaidade, inclusive as relações interpessoais. Não há tempo a perder, e o outro deve ser descartado ou  aproveitado rapidamente e com sofreguidão, pois “a fila tem que andar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensava nisso enquanto esperava o teatro lotar e a peça sobre a vida e obra de Clarice Lispector começar. Pensava como teriam sido essas festinhas no tempo de Clarice, em Pernambuco, onde a escritora passou a infância. Mas o tempo de Clarice é tão único, e corre em outro ritmo, o da subjetividade feminina. Por isso sua  literatura é revolucionária, por abrir novos caminhos para a prosa, e Clarice escreve por inteiro, envolvendo a realidade, os objetos e as personagens com todo o corpo, oferecendo aos leitores uma visão alternativa da realidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a autora de Perto do Coração Selvagem, o tempo maior é o dos pequenos instantes de epifania, que provocam o crescimento emocional e psicológico das personagens, como a grã-fina que experimentam um turbilhão de emoções ao pisar num rato morto, distraída, em seu passeio por Copacabana. Esta Clarice, autora, está no palco do CCBB, muito bem representada por Beth Goulart. Também a Clarice pessoa, das cartas e entrevistas, desfilando o elegante figurino dos anos cinquenta,em meio a um amplo e belo cenário, iluminada com arte e precisão. Clarice, a mulher que gostava de ser apreciada acima de tudo pela beleza física. A mãe que trabalhava sentada no sofá, com a máquina de escrever no colo, os filhos pequenos ao seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um monólogo, um corte e colagem de tempos e espaços, um retrato com claros, escuros e nuances da escritora, mãe e mulher. Um texto bem ao estilo de Clarice, em palimpsesto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns para Beth Goulart!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-1910229682477552338?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/1910229682477552338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=1910229682477552338' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1910229682477552338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1910229682477552338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/08/minha-amiga-passou-de-taxi-e-fomos.html' title='Clarice Lispector e o aniversário de criança'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-9036944527341150003</id><published>2009-08-15T18:46:00.013-03:00</published><updated>2009-08-17T23:48:59.806-03:00</updated><title type='text'>24 horas no ar</title><content type='html'>Ontem fui com amigos assistir Vau da Sarapalha, carro chefe do grupo Piollin, criado há trinta anos, na Paraíba, pelo ator Luiz Carlos Vasconcelos. O espetáculo está em cartaz há dezessete anos e volta ao Rio depois de um grande sucesso em 1993. Talvez a última oportunidade para ver a mais premiada das adaptações de Guimarães Rosa para o teatro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Depois, fomos jantar no novo restaurante da moda, o Oui Oui, da mesma turma do charmoso Mian Mian. Eles têm uma loja de móveis de época, a Hully-Gully, no Shopping da Siqueira Campos, onde podem ser negociadas todas as peças expostas nos dois restaurantes que ficam em casas, em Botafogo. No Oui Oui, há dois salões, um decorado no estilo Art Deco, o outro bem anos 70. Os dois ambientes, no entanto, são harmônicos no conjunto. E o capricho no estilo vai até o serviço, do tipo descontraído, sem os tradicionais maitre e garçons, mas jovens profissionais do setor de alimentação vestidos, e bem-vestidos, de maneira casual. Logo na entrada, o freguês é recebido pela Mariana, uma graça de moça com um rosto lindo que parece ter saído de um filme da nouvelle-vague. Seu jeitinho esguio de manequim e modelo lembra Cleo de 5 às 7, a obra-prima de Agnes Varda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comida também é boa, e os pratos são servidos em pequenas porções, o que proporciona uma diversão a mais, pois são dispostos no meio da mesa para que os comensais possam se servir de tudo um pouco. Ontem éramos quatro e pedimos duas rodadas de três pratos entre costelinhas caramelizadas, vol au vent de rabada, linguicinhas com molho de maracujá, bacalhau com cebolas e tapenade, panquecas de figo seco com pato desfiado e brulé de Grana Padano. Tudo uma delícia. Mas um contraste radical com o universo de Guimarães Rosa, de escassez e simplicidade. E aí, devo fazer uma confissão: tenho a maior dificuldade com o universo de Guimarães Rosa, que é um dos nossos maiores escritores, e nisso não ponho dúvidas. Mas o negócio é que não me agrada a temática da roça, a simplicidade em demasia, a  precariedade dos costumes, a falta de polidez, a sinceridade exagerada, a estética de valorização dos elementos primordiais e as fabulações meio brutais do sertanejo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, acabei de ler Os Sertões, de Euclides da Cunha, para o programa em homenagem aos 100 anos de morte do escritor. E adorei o livro. Um ensaio científico, um tratado antropológico, um épico sobre a Guerra de Canudos, um emocionante drama da nossa história. E o autor conta essa história, na qual os heróis são, na verdade, os vencidos, com tal poder de comunicação que é impossível, mesmo ao leitor mais relapso, não se envolver ao ponto de não querer largar o livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiquei obcecada pela narrativa meio jornalística, meio romanesca, da luta dos jagunços de Antônio Conselheiro contra o exército republicano, armado até os dentes e em número extraordinariamente superior. E a paisagem da caatinga descrita de forma expressionista, com galhos retorcidos, ramagens espinhentas, o céu abrasador e um chão que foge aos passos.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São coisas que me agradam, principalmente na literatura. Agora, aquela “vida besta”, da qual nos fala Drummond... tô fora. Eu gosto mesmo é da vida movimentada dos grandes centros urbanos, de teatro, de cinema, de bares cheios de gente; de tomar um cafezinho  com ovo colorido num botequim do centro, de traçar um sanduíche de carne assada no balcão do Lamas, de virar um chope na calçada do Belmonte, dos shows no Teatro Rival e dos cabarés da Lapa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que isso é coisa de homem. No entanto, quase todos que eu conheço, quando começa a esquentar o namoro vêm com a conversa de que seu sonho é viver num lugar tranquilo,  fugir da cidade grande, ter uma pousada no sul da Bahia e coisas ainda mais esdrúxulas, como comprar uma de terrinha na Amazônia  e criar gado pro resto da vida. São veleidades, eu sei. Mas veleidades tipicamente masculinas, pois eu nunca ouvi mulher dizer que quer morar no mato. Ao contrário, as mulheres quanto mais amadurecem mais querem movimento, festas, restaurantes cheios; querem mais é consumir, de cultura a sapatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu desconfio que a intenção deles é passar a mensagem de maneira subliminar de que estão prontos para arranjar um amor e sossegar, por fim às farras, criar raízes, viver na base de um para o outro... papo de encomenda para amolecer o coração da mulherzinha romântica que há dentro de todas nós, e nos fazer ficar macias com a ilusão de que ele está pronto para um compromisso sério, e que para isso só falta encontrar a verdadeira companheira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da minha parte, não gosto de ser iludida. Mas como também não quero enganar ninguém, digo logo que gosto mesmo é da metrópole e, se dependesse de mim, o mundo girava acordado noite e dia. Eram 24 horas no ar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-9036944527341150003?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/9036944527341150003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=9036944527341150003' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/9036944527341150003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/9036944527341150003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/08/24-horas-no-ar.html' title='24 horas no ar'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-4061509878355640495</id><published>2009-08-09T16:50:00.005-03:00</published><updated>2009-08-09T22:18:54.601-03:00</updated><title type='text'>Blind Date</title><content type='html'>Não adianta o quanto eu resista à idéia, os amigos continuam empenhados em me arranjar um namorado. Desta vez foi um blind date, coisa que eu só conhecia de ouvir falar, como a música do Zeca Pagodinho com o caviar. E também das comédias românticas do cinema. Inclusive uma das minhas preferidas é Blind Date (Encontro às escuras), do Blake Eduards, um craque no gênero cujo maior sucesso foi Víctor ou Victória, a história de um gangster que se apaixona por um travesti, o qual na verdade é uma vedete disfarçada para  atrair público a um cabaré às voltas com dificuldades financeiras. Enredo narrado de maneira leve e sofisticada, na melhor tradição de Hollywood, desde Lubitch e Wilder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blind Date é mais recente, porém distante o bastante para apresentar um Bruce Willis com mais cabelo e menos do muito charme que vem colecionando desde então. Ela é a eternamente linda, sexy e talentosa Kim Bassinger. E o filme é um tesão. Imagine o cara precisar de uma acompanhante para fazer par com ele num jantar de negócios com empresários japoneses super tradicionais, acompanhados de suas esposas meio gueixas. Um colega de trabalho lhe arranja o telefone de uma garota gente boa que topa a parada. Porém, ele não sabe que a moça tem um problema neurológico, daqueles que potencializam o efeito do álcool no cérebro. Acontece que antes do jantar, por um contratempo, ela fica sozinha na sala de espera de um hospital com uma garrafa de uísque na mão, enquanto ele visita um amigo internado. Ele demora, ela se embriaga e está feita a confusão. É claro que os dois acabam se apaixonando, não sem antes derrubar tabus, desmentir verdades absolutas, trombar meia dúzia de carros e quebrar uma cama (o melhor do filme).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Impossível não se divertir com uma fita dessas. Que ainda adverte o espectador para os perigos de um encontro às escuras. Coisa que ignorei e acabei aceitando um convite para jantar com um empresário colega de academia de boxe do meu melhor amigo, que faz tempo vem mandando recadinhos insinuantes para mim. E como não iria aceitar sabendo que se tratava de um cinquentão bem educado e de porte atlético.  Assim, depois de uma boa conversa por telefone, combinamos o encontro para o fim de semana seguinte. Fomos a um bistrô perto de casa, atendendo à minha conveniência. Diferente de qualquer restaurante no Leblon, no Empório Santa Fé você não topa com três mesas de gente conhecida logo na entrada. E um casal que está saindo junto pela primeira vez é facilmente reconhecido como tal. Além do mais a comida lá é gostosa e tem uma carta de vinhos bem legal, segundo os entendidos. Eu estava decidida a beber pouco e prestar mais atenção. Ele bebeu pouco também. Mas falou muito. Muito mesmo. Contou a infância, a juventude e a vida mais recente. Fazia digressões elaboradíssimas, ocasiões em que me lançava uma pergunta. Porém, eu mal ensaiava uma consideração era interrompida sem a menor cerimônia. E o empresário ainda perguntou se eu me incomodava de ser interrompida. Isso com um certo desdém, como se não gostar de ser interrompida fosse um capricho pueril. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer o quê? Eu ali, de testa para um homem bonito, forte, inteligente, bem-sucedido que não esquecia por um momento disso tudo e só falava de si. E falava pelos cotovelos. Falava tanto que o jantar já estava quase terminando e eu não conseguira encaixar um assunto sequer.  Foi quando ele pediu licença para ir ao banheiro, ficou em pé e, enquanto aproximava sua cadeira da mesa, olhou para mim e mandou um beijinho. Eu sorri e lhe disse que fosse tranquilo, pois eu iria aproveitar aquela oportunidade para falar um pouquinho de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim terminou o meu blind date. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, o pior mesmo foi ouvir no dia seguinte do meu melhor amigo que o meu mal é não ter a mínima paciência. Sinceramente, não tem condições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-4061509878355640495?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/4061509878355640495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=4061509878355640495' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4061509878355640495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4061509878355640495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/08/blind-date.html' title='Blind Date'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-6556862363407022915</id><published>2009-07-26T13:48:00.003-03:00</published><updated>2009-07-26T14:54:58.741-03:00</updated><title type='text'>Tranquila, até o próximo luar</title><content type='html'>Foi só eu reclamar que senti falta de um namorado na noite em que a lua deu um show de cores e brilhos sobre a baía de Guanabara, defronte ao meu terraço, para os amigos se empenharem em me arranjar um pretendente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que aceitei o encontro com o advogado cinquentão, bem apessoado, boa altura, corpo esguio e conservado na corrida diária, mais três aulas de ginástica por semana. Convidou-me para jantar. Eu já o conhecia de vista,  de festas de casamento e aniversários. Tivemos primeiro uma longa conversa por telefone e marcamos um encontro para o sábado seguinte. À hora marcada ele veio me buscar na porta de casa e fomos ao meu restaurante preferido em Ipanema. A conversa não foi encantadora, mas ele fala corretamente e come com educação, dois pré-requisitos indispensáveis para um namoro vingar. Na volta, ao me deixar em casa, pediu um beijo de boa noite. Gostei, nem tanto do beijo, mas da elegância de observar as regras de um primeiro encontro. Pedir um beijo é uma maneira de homenagear a dama, de dizer-lhe que a saída foi agradável e que, com todo o respeito, gostaria de ir além. E antes que eu saltasse do carro, convidou-me para uma caminhada, no dia seguinte, no calçadão. Aceitei e me arrependi. Foi chato e cansativo, pois ele manteve um ritmo acelerado, demonstrando que não terminar o percurso em tempo determinado seria um transtorno. E ainda teve que ir de ponta à ponta da praia, até tocar a mão na pedra do Arpoador, como que para celebrar a chegada, cumprindo o que me pareceu ser um ritual. Quer dizer, o cara é um sistemático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o pior foi a volta. Para me deixar em casa, ele pegou o caminho mais longo possível, botou um samba enredo no som do carro e veio cantando a música de lá até a minha porta, nos mínimos detalhes, com todas as letras, inclusive o repique do refrão. Um porre! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desta vez não teve nem beijo, nem beijinho. Dei um tchau e saí do carro que nem um foguete. Não teve sequer um aceno, de longe, e, sinceramente, vim pra casa na esperança de que ele não me ligasse nunca mais. E se ligar, não atendo, pois tirei o som tanto do aparelho fixo quanto do celular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto correndo para a leitura dos Contos Latinoamericanos Eternos. E é na companhia deste livro que pretendo passar o resto do meu domingo. São 23 histórias escolhidas entre o que há de melhor na obra dos maiores escritores da região. E ao final do volume, há uma pequena biografia dos autores, com comentários sobre a obra de cada um e indicação de seus livros mais importantes. Desta forma, fica-se sabendo que foi o mexicano Juan Rulfo (1918-1986) que apresentou na obra-prima Pedro Páramo, de 1955, os fundamentos da narrativa que passou a ser conhecida como realismo mágico, depois enriquecida por outros brilhantes escritores hispano-americanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro, organizado por Alicia Ramal, é uma viagem pela criação e imaginação de uma penca de gênios, como Jorge Luis Borges e “O Alefh”, uma de suas mais fascinantes histórias; Julio Cortázar (1914-1984) e as atmosferas inquietantes que cria, e onde a realidade se dissolve, o insólito se instala, e o  mistério reconstrói o verossímil. É o que acontece em “Casa Tomada”: personagens comuns que vivem numa monotonia que virá a ser a sua próproa desgraça. Também tem o cubano Alejo Carpentier (1904-1980) e uma das mais surpreendentes e criativas histórias de seu repertório. “Viagem à Semente” é uma narrativa contada de trás para a frente com uma extraordinária riqueza de imagens e um labirinto de palavras que se deslocam através do tempo, num fio de acontecimentos e emoções que ligam vida e morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar essa postagem que já vai longa,  como a cantoria do pretendente dispensado mais acima, destaco o lirismo do conto “Minha vida com a onda”, de Octávio Paz (1914-1998). Ali, no homem que leva uma onda do mar para casa, há uma maneira muito particular de ver o mundo. Só mesmo um poeta, e da qualidade do ganhador do  Prêmio Nobel de literatura de 1990, para escrever essa história pontuada pelo inesperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, no aconchego do meu lar, dispondo de quase tudo o que  preciso para ser feliz, vou passar tranquilamente o restante do domingo. E seguir em frente sem pretendente, mas sem carências e sem remorsos, pelo menos até o próximo luar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-6556862363407022915?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/6556862363407022915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=6556862363407022915' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6556862363407022915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6556862363407022915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/07/tranquila-ate-o-proximo-luar.html' title='Tranquila, até o próximo luar'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-7090716599708449664</id><published>2009-07-12T14:10:00.009-03:00</published><updated>2009-07-12T19:03:52.604-03:00</updated><title type='text'>Inútil paisagem</title><content type='html'>Estou tão em falta com este blog e nem sei o que fazer para me redimir da pouquíssima assiduidade com que venho escrevendo aqui. Não vou repetir a ladainha das postagens anteriores, fiquem tranqüilos. Contudo, continuo mergulhada em livros e pesquisas, porém isso só deveria servir de estímulo para conversar ainda mais com vocês e comentar as minhas descobertas, como a da semana passada. Foi no programa que fiz sobre a “Virada Russa” na literatura, aproveitando a oportunidade da exposição em cartaz no CCBB.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo a linha dos curadores da mostra de 123 obras do Museu Estatal de São Petesburgo – que faz um panorama das artes plásticas na Rússia de 1890 a 1930 –, busquei para discussão no estúdio autores que se identificassem com os movimentos literários do mesmo período. Assim, escolhi para o período pré-revolucionário Máximo Gorki, um dos maiores mestres da prosa de ficção russa que, além de ser o primeiro a dar voz ao homem comum, fez da literatura um instrumento de luta, conscientizando milhões de leitores para as injustiças sociais da política absolutista do czar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa sobre o autor de “A Mãe” teve direito a um trecho do filme do mesmo nome, de 1926, do diretor Vsevolod Pudovkin, um dos grandes nomes do cinema de vanguarda russo, já anunciando o que viria a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para esmiuçar o movimento conhecido como vanguardas russas, que trouxe novas propostas estéticas e conceituais em pintura, poesia, teatro e cinema, constituindo um ambiente de grande efervescência ideológica e artística na Rússia do início do século XX, escolhi Maiakóviski, é claro.  Ele que foi ao mesmo tempo emissário e propagandista da Revolução de 1917, crítico radical da desigualdade social e ainda, com sua poesia revolucionária, propôs novas formas para um conteúdo novo e engajado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa decisão era pule de dez, pois eu bem sabia que o autor de “A Nuvem de calça” colocou-se com ardor a serviço da revolução, e em colaboração com artistas construtivistas pôs a arte a serviço da propaganda dando início à arte aplicada ao mundo moderno, inventando o que viria a ser o design. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais demorado foi o processo de escolher um escritor que se identificasse com o período posterior à Revolução de Outrubro, o realismo socialista. Em conversa com um colega, o pesquisador Fernando Madeu, conhecedor da língua e literatura russas, decidi-me por “Cavalaria Vermelha” de Isaac Babel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que formidável foi descobrir um escritor que transformou sua experiência nas batalhas contra a cavalaria polonesa, na Guerra Civil de 1920, em um livro de contos breves de extraordinário romantismo bélico, com as cores ardentes do sangue e do fogo, mas também com os suaves lilases de um pôr-do-sol de outono. Babel faz do dia a dia nos acampamentos e trincheiras um épico, transformando pessoas simples em heróis, e passagens corriqueiras e prosaicas em momentos sublimes. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Bem, nem é preciso dizer que o programa foi um sucesso, com inserções do cinema de vanguarda russo e uma visita guiada à exposição “Virada Russa” com o crítico de arte Fernando Cochiarale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, sexta-feira, finda a jornada semanal, exausta, mas satisfeita com o reusltado do trabalho, cheguei em casa, fiz um uísque duplo e fui para a varanda aproveitar a sensação de missão cumprida. Foi quando me deparei com a enorme lua em meia-taça despejando sobre a baía de Guanabara uma faixa de luz cor de prata, larga e volúvel ao movimento das águas. Continuei a tomar meu drinque languidamente em minha poltrona preferida, mas sentindo pela primeira vez em meses a desconcertante falta de um namorado. Lembrei-me de Tom Jobim e de sua Inútil paisagem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-7090716599708449664?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/7090716599708449664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=7090716599708449664' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7090716599708449664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7090716599708449664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/07/inutil-paisagem.html' title='Inútil paisagem'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-2555968576303581175</id><published>2009-06-20T12:38:00.003-03:00</published><updated>2009-06-20T13:00:21.395-03:00</updated><title type='text'>Continuo mergulhada em livros</title><content type='html'>Continuo mergulhada em livros, mas já dando minhas braçadas e chegando sem sufoco à outra margem, que para mim significa mais um programa no ar.  O bom de tudo isso são os livros, é claro. O prazo é que é exíguo. Porém, como tenho a prerrogativa de pautar o assunto e os autores, vou aproveitando para conhecer um pouco mais sobre tudo aquilo que sempre despertou minha curiosidade. Foi com esse objetivo que realizei essa semana  um programa sobre crônica esportiva focada em futebol, um gênero que ajudou a construir a nossa identidade como nação e por isso mesmo me interessa. Desta forma, escolhi três livros para serem discutidos ao longo de uma hora: Futebol ao sol e à sombra, de Eduardo Galeano; À sombra das chuteiras imortais, de Nelson Rodrigues e Histórias do Futebol, de João Saldanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem precisa dizer que os livros dos dois últimos são maravilhosos, por bastante conhecidos. Foi Nelson Rodrigues quem deu dimensão épica aos jogos de futebol, descrevendo as partidas como sagas, que narrava como verdadeiras aventuras de heróis salvadores da pátria. O outro, João Saldanha, foi um dos homens mais inteligentes que conheci, e aqui abro um parêntese: tive a sorte de ser contemporânea de João sem medo, como era chamado o comentarista e técnico de futebol (por enfrentar o poder da ditadura militar, mas isso já é outra história)na extinta Manchete, e chegamos a trabalhar juntos na mesma bancada de telejornal. Ele tinha uma coluna no programa no qual comentava política ou qualquer outro assunto de interesse nacional. Era uma novidade (na carreira do João) inventada por Nelson Hoineff, e que deu muito certo por pouco tempo, pois em menos de um ano o escalador do time tricampeão da copa de 70,no México, ficou doente e não pode mais trabalhar naquele horário, tarde da noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro de Eduardo Galeano foi uma dica do meu amigo Salomão Azaria, que lá de Israel, pelo Skype, sugeriu a pauta do programa. O escritor uruguaio eu já conhecia de entrevistas nos jornais e pelo Livro dos Abraços, uma espécie de leitura de cabeceira para quem curte textos curtos e geniais. Futebol ao sol e à sombra tem formato semelhante; textos de 25 a 35 linhas que passeiam pela história do futebol, de seus primórdios ao início do terceiro milênio, passando pelos grandes craques do século em todo o mundo, em prosa poética saborosíssima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro também contém informações preciosas, como quem inventou o jeito brasileiro de jogar bola, por exemplo. Foi Artur Friedenreich, um atleta de “pele cor de café”, filho de alemão com uma lavadeira negra. Ele fez o gol da vitória brasileira contra o Uruguai na disputa do campeonato sul-americano de 1919; e mais gols do que Pelé em toda a sua carreira no futebol profissional. Não acredita? Pois pode pesquisar. Melhor ainda é ler o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bacana também nesse trabalho é a oportunidade de travar contato com gente inteligente e agradável. É o caso de alguns entrevistados, como Bráulio Tavares, um poeta, compositor, ensaísta e escritor desassombrado que eu conhecia de ler seus contos, aqui outro acolá; namorava a sua escrita, mas nunca havia lido por completo um de seus livros. Pois ele deu um show no estúdio, respondeu a todas as perguntas, inclusive as dos telespectadores, com uma categoria de admirar a elite de qualquer academia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Outra surpresa agradável foi a participação do escritor Jorge Viveiros de Castro no programa. Editor, tradutor e portador de uma simpatia calma que vai se transformando, sem afetação, em carisma irresistível na medida em que o papo rola (no caso, futebol), sem nunca travar a bola, e devolvendo-a redondinha, quando ele mesmo não faz o gol. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo que eles são bacanas e rendem muito numa entrevista porque não são, apesar da competência, pessoas de ego descomunal. Daquelas que sempre se colocam como o centro do universo, que fazem marketing pessoal o tempo todo, e nunca estão a fim do papo descompromissado, mas de autopromover-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim isso é muito desagradável. Porém, como o jornalismo cultural virou mesmo meio de promoção de artistas e “artistas”, criou-se, em conseqüência, a cultura da celebridade. Resultado: a coreógrafa não quer falar de dança, mas da “sua coreografia”; não interessa ao ator falar de teatro, mas do “seu” personagem na peça que está em cartaz; e ao artista gráfico não importam os traços e cores de culturas e movimentos artísticos que não aqueles que influenciaram esse seu último trabalho, que ele quer divulgar. E por aí a coisa vai numa chatice tal que não dá espaço à reflexão alguma, nem mesmo à velha e boa conversa fiada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez eu esteja errada. Vai ver que a razão está  mesmo com o Xangô da Mangueira, que diz (como saiu hoje na coluna do Ancelmo Gois) no samba Moro na Roça:&lt;br /&gt;“Eu compro jornal da manhã / é pra saber das novidades”. &lt;br /&gt;E fim de papo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-2555968576303581175?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/2555968576303581175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=2555968576303581175' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2555968576303581175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2555968576303581175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/06/continuo-mergulhada-em-livros.html' title='Continuo mergulhada em livros'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8927166288789116265</id><published>2009-05-31T14:31:00.006-03:00</published><updated>2009-05-31T18:18:58.998-03:00</updated><title type='text'>Mergulhada em livros</title><content type='html'>Ando mergulhada em livros. É o meu trabalho atual. Devo ler uma média de quatro por semana, e mais as pesquisas sobre os respectivos autores, e ainda teses e dissertações sobre o assunto que os reuniu e que será tratado no próximo programa da série que criei e que apresento na televisão. Quando paro de ler, está na hora de escrever. Aí é o roteiro do programa ao vivo, o roteiro das entrevistas externas gravadas, os espelhos dos roteiros, e mais um arrazoado sobre o tema, relatórios e atas de reuniões, a pauta..., reportagens... Ufa, está certo que eu gosto de ler e escrever, mas o volume de textos a construir e consumir é tal que outra noite  me peguei sonhando com letras que subiam e desciam, formavam caminhos que se transformavam em labirintos. E eu, distraída, acabava me enveredando pelas alamedas de fícus frondosos e  compactos, quase maciços,  podados em linhas retas formando paredes intransponíveis, cada folha uma letra compondo com as mais próximas, para cima ou para baixo ou ainda para os lados, as palavras que junto a outras construídas da mesma maneira e nas mais variadas direções compunham o enigma a ser decifrado, a minha linha de Ariadne, a chave para a saída daquele bosque cubista  assustador, que a essa altura pareceu-me ainda mais tenebroso, pois senti alguma vibração ao meu redor, primeiro muito sutil, umas folhas-letras se movendo levemente, parecendo vibrar ao movimento da minha respiração, mas logo percebi que mais à frente outro grupo de folha-letras se movia e as palavras que eu já havia construído e selecionado para justapor a outras, de maneira a fazerem juntas algum sentido, começavam a se embaralhar. E eu perdia o fio da meada. Segui, o pé no chão frio de terra, os olhos atentos aos significados, mais um grupo de folhas-letras se moveu, separando-se da parede verde compacta, e pude ver os galhinhos se insinuando para a frente, crescendo, num movimento ainda lento, porém contínuo, um geotropismo negativo e irregular. Ora um ramo, ora outro, e mais outro, como se fossem parte de um organismo que começava a despertar. Vou em frente, tenho pressa, já não procuro letras, não há como formar palavras, tento imaginar outra maneira de tudo fazer algum sentido quando um galho mais robusto se levanta, e vem rápido em minha direção, sua extremidade em garras estaca em frente aos meus olhos, meu coração bate forte, devo me acalmar, é só o vento. Vejo as plantas que já começam a se libertar das formas rígidas, já não formam mais um muro como os de uma prisão, porém a respiração da coisa aumenta e nesse momento o céu escurece, depois torna a clarear, olho para o alto e vejo a lua  fugir das nuvens numa corrida frenética, um vai-e-vem maluco, sua luz relampejando sobre os galhos que já começam a crescer mais rapidamente e as folhas se movem chacoalhando letras que se apagam de verde escuro, muito escuro, e os galhos cada vez maiores, e o labirinto vai se transformando num bosque, um emaranhado de galhos que se fecha mais à frente e eu me volto assustada, tenho muito medo, quero retornar, mas pressinto que a coisa está me observando, talvez tenha alma de fera, quem sabe se assanha com o cheiro de pavor. Paro. Tento me controlar, quero raciocinar, buscar uma saída, penso em rezar, mas não há tempo, nem palavras de oração. Nessa hora a lua se liberta e eu vislumbro adiante uma clareira, decido ir naquela direção, me agacho e passo por entre as sebes que agora se fecham atrás de mim; vou rastejando, sempre em frente...  Não é possível retornar. Essa convicção me dá um certo alívio, não há mais dúvida, não há o que decifrar, é seguir, seguir por entre as árvores agora formando unidades independentes, delineadas, com tronco e copas frondosas, crispadas, a me aterrorizar. Crio coragem, quero enfrentar suas formas tenebrosas, claudico.  Uma baforada de ar quente sopra em minhas costas, viro-me para trás, sinto um cheiro ácido e úmido. É hálito, é coisa viva, não sei se é ainda pior, nem sei bem o que pensei, pois nesse momento o chão começa a se mover para cima e eu sou empurrada para a frente, obrigada a apressar o passo, e corro, corro muito, sentindo a coisa se avolumar e sua sombra quase me alcançar, e reúno forças, e corro ainda mais rápido, meus pés descalços sobre a superfície lisa da luz, olho para traz e a coisa já forma um rolo compressor de escuridão, vem devorando tudo, engolindo a própria sombra, eu ganho distância, ganho chão iluminado, olho novamente para trás, vejo a coisa-escuridão se consumindo no próprio breu, mais compacta, mais densa, a se concentrar em si mesma até desaparecer em trevas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora tudo é luz, meus rosto inundado de luz branca e intensa... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz da luminária acesa na mesa de cabeceira, o livro aberto sobre o peito, meus óculos caídos no chão... Respiro fundo, vejo as horas no relógio à minha frente, são quatro da manhã. Ajeito os travesseiros, puxo a coberta mais para cima, ponho os óculos e começo a ler a segunda parte de “A espinha dorsal da memória”, o livro de Braulio Tavares. É o melhor entre os escolhidos para o próximo programa sobre ficção científica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8927166288789116265?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8927166288789116265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8927166288789116265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8927166288789116265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8927166288789116265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/05/mergulhada-em-livros.html' title='Mergulhada em livros'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-1330745692274046826</id><published>2009-05-05T22:58:00.002-03:00</published><updated>2009-05-05T23:10:09.169-03:00</updated><title type='text'>Fatos e Fotos</title><content type='html'>Aí em baixo são fotos da entrevista que fiz com Moacyr Luz sobre os sambistas que fizeram a crônica da cidade. Gravamos em Santa Teresa, numa linda tarde de verão. As locações são (na ordem) o Bar do Mineiro e a Casa de Cultura Laurinda Santos Lobo. O programa vai ao ar na próxima quinta-feira, na Band Rio, e eu espero que vocês gostem.&lt;br /&gt;Outra coisa que eu quero contar é que só volto a escrever neste blog daqui a uma semana, pelo menos. Peço desculpas, mas o fato é que estou com um probleminha de LER, vocês sabem, quando isso acontece é preciso evitar usar o computador por um período de tempo, fazer acupuntura e exercícios de alongamento. Prometo que vou me esforçar para ficar logo boa. Abraços.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-1330745692274046826?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/1330745692274046826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=1330745692274046826' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1330745692274046826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1330745692274046826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/05/fatos-e-fotos.html' title='Fatos e Fotos'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-604389837822231991</id><published>2009-05-05T22:52:00.002-03:00</published><updated>2009-05-05T22:56:13.357-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/SgDtwEiv-kI/AAAAAAAAASU/iA8EV7mBqjk/s1600-h/Arlindo%2BCruz%2Be%2BLeila%2BRichers%2Bfoto%2Bde%2BAlberto%2Bjacob%2BFilho%2B(14).JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/SgDtwEiv-kI/AAAAAAAAASU/iA8EV7mBqjk/s320/Arlindo%2BCruz%2Be%2BLeila%2BRichers%2Bfoto%2Bde%2BAlberto%2Bjacob%2BFilho%2B(14).JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332523368915663426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São fotos da entrevista que fiz com Moacyr Luz sobre os sambistas do Rio. Vai ao ar no programa desta semana. Quinta-feira, às 14.00hs, na band.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-604389837822231991?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/604389837822231991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=604389837822231991' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/604389837822231991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/604389837822231991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/05/sao-fotos-da-entrevista-que-fiz-com.html' title=''/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/SgDtwEiv-kI/AAAAAAAAASU/iA8EV7mBqjk/s72-c/Arlindo%2BCruz%2Be%2BLeila%2BRichers%2Bfoto%2Bde%2BAlberto%2Bjacob%2BFilho%2B(14).JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-435449114928237748</id><published>2009-05-05T22:44:00.002-03:00</published><updated>2009-05-05T22:50:57.322-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/SgDsCACRJqI/AAAAAAAAASM/U2KLJZr0Uv0/s1600-h/Arlindo%2BCruz%2Be%2BLeila%2BRichers%2Bfoto%2Bde%2BAlberto%2Bjacob%2BFilho%2B(12).JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/SgDsCACRJqI/AAAAAAAAASM/U2KLJZr0Uv0/s320/Arlindo%2BCruz%2Be%2BLeila%2BRichers%2Bfoto%2Bde%2BAlberto%2Bjacob%2BFilho%2B(12).JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332521477920073378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-435449114928237748?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/435449114928237748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=435449114928237748' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/435449114928237748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/435449114928237748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/SgDsCACRJqI/AAAAAAAAASM/U2KLJZr0Uv0/s72-c/Arlindo%2BCruz%2Be%2BLeila%2BRichers%2Bfoto%2Bde%2BAlberto%2Bjacob%2BFilho%2B(12).JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-4781825859111879330</id><published>2009-05-03T12:37:00.004-03:00</published><updated>2009-05-03T15:30:08.332-03:00</updated><title type='text'>Copacabana engana</title><content type='html'>Copacabana engana quem acredita que vida noturna bacana no Rio só a da Lapa ou do Leblon, para ficar nos dois extremos de gosto que fazem desses pólos de lazer e gastronomia os preferidos da mídia e, por conseguinte, os mais visitados por turistas dos outros estados do Brasil.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ipanema há muito que anda desanimada. Quando acaba o verão, depois das seis da tarde, o bairro, facilmente comparável ao paraíso durante o  dia – a praia deslumbrante com as pessoas mais bonitas,  alegres e charmosas ao redor – , cai numa escuridão de dar medo.  Com exceção da Farme de Amoedo, a única a enfileirar bares e restaurantes, as ruas ficam desertas e alguém em seu juízo perfeito não se arriscaria a cruzar seus quarteirões com os pertences à vista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Botafogo conta com um bom número de bares e restaurantes. Tem cinema e teatro também. Porém distantes entre si. Não dá para ir de um lugar a outro sem ouvir soar o alerta de “perigo, perigo, perigo...”, como diria o simpático robô de Perdidos no espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Copacabana, desprezada como opção noturna nas últimas décadas, entre outras coisas por causa da onda dos “baixos”, celebrizados em outros bairros pela juventude boêmia decidida a esticar até o dia seguinte a féerie da noite anterior,  está batendo um bolão em relação aos seus congêneres da Zona Sul. Vou aqui reproduzir meu programa de ontem à noite pra você avaliar se há exagero na premissa desta crônica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos ao Espaço Sesc, um prédio moderno e confortável, na rua Domingos Ferreira, assistir à peça Espia uma mulher que se mata. Para assegurar dois lugares na récita das 21:30hs chegamos uma hora antes ao local. Estacionamos o carro bem pertinho e rapidamente compramos os ingressos ao preço módico de dezesseis reais a inteira. Fomos então fazer a horinha que faltava no Cafeína da Constante Ramos, a poucos metros dali. Lá, tudo é gostoso. Eu escolhi um capucino médio, servido com financier. Meu amigo pediu um rocambole de morango com suco de laranja (não há nada como malhar duas horas por dia para liberar o apetite). Um lanche perfeito para cada qual segurar a fome até depois da sessão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostamos da peça, uma releitura de Tio Vânia, de Tchekhov. O texto do argentino Daniel Veronese mantém o sentido original de crítica à decadência de uma família da aristocracia rural, na Rússia do final do século XIX, no momento em que questiona o esforço para garantir a inútil pompa intelectual de um dos seus membros, que vive na cidade às custas do trabalho árduo dos que administram a propriedade no campo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto Bomtempo, na pele de Tio Vânia, mostra um belo amadurecimento como homem e ator. O resto do elenco me pareceu apenas correto. Com exceção de Mirian Freeland que faz Sônia, a sobrinha. Papel sempre cobiçado por jovens atrizes estreantes, representa uma garota romântica, ingênua e resignada, mas que tem na força de caráter um grande apelo junto ao público. A atriz desperdiça as possibilidades do personagem com uma interpretação caricata. É um detalhe que incomoda mas não chega a comprometer a direção do também argentino Marcelo Subiotto. E o melhor foi conferir a quantas anda o teatro dos “hermanos”. Vai bem, obrigado.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às onze da noite saímos do teatro e fomos a pé escolher na redondeza um lugar para beber, comer e conversar sobre a peça.  Foi quando nos  surpreendemos com a quantidade de opções num mesmo quadrilátero. Logo na primeira esquina tem a pizzaria Caprichosa. Já na Avenida Atlântica, há o bar do Hotel Pestana, aberto para o mar e com uma iluminação  muito bonita. Indo mais à frente tem o tradicional Dom Camilo, com a parte fechada e mesas no calçadão. Juntinho, o Copa Café, mais escurinho e bem mais sofisticado. Ao lado, o novo Devassa com o seu público jovem habitual. Aí já estávamos na esquina com a Bolivar... Então, é só voltar em direção à Avenida Copacabana para encontrar o Belmonte que, além de um chope pra ninguém botar defeito e um caldo verde dos legítimos, tem sempre lugar pra mais dois. Como se vê, boas opções para todos os gostos, propósitos e poder aquisitivo. E ainda há os restaurantes tradicionais de Copa, como o Caravelle. Tudo em dois  quarteirões com os botequins repletos de gente bebendo e conversando nas calçadas. Quando Voltamos para o carro,  já passava de meia-noite, foi aí que lembramos que andando na direção contrária ao mar, há na Constante Ramos a mais autêntica crêperie da cidade. Deixamos para a próxima, que sempre haverá uma oportunidade para curtir, numa boa,  a princesinha do mar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*******************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-4781825859111879330?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/4781825859111879330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=4781825859111879330' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4781825859111879330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4781825859111879330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/05/copacabana-engana.html' title='Copacabana engana'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-5467101751328091457</id><published>2009-04-26T00:19:00.008-03:00</published><updated>2009-05-01T16:51:50.144-03:00</updated><title type='text'>Outono no Rio</title><content type='html'>A tempestade desabou justo na hora de sairmos para o show do João Donato no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico. Havíamos combinado ir juntas naquele mesmo dia à tarde, quinta-feira passada, feriado de São Jorge. O espetáculo começaria daí a uma hora e só mesmo invocando o santo guerreiro para nos proteger da chuva torrencial e do vento forte que soprava sobre o Rio de Janeiro. Pensei que o programa tinha micado, mas em menos de meia hora  o tempo melhorou. Por via das dúvidas calcei botas e, munida de guarda-chuva, fui buscar Fafá em Laranjeiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No carro, fomos conversando assuntos relacionados ao show que iríamos assistir, como as histórias que João Donato me contara um dia, numa entrevista. Uma delas relatava o fato de ele ter trocado o acordeon pelo piano, lá atrás, quando veio do Pará e tocava na orquestra do Goldem Room do Copacabana Palace. Na época, ele e João Gilberto eram camaradas e costumavam se encontrar depois do expediente para beber e tocar pelo Beco das Garrafas e boates da Avenida Princesa Isabel. Acontece que João Donato passava da conta e só no dia seguinte dava falta do instrumento, largado em algum inferninho visitado na noite anterior. Foi João Gilberto quem lhe sugeriu, pelas razões óbvias, e ele concordou, num rasgo de sensatez, que o melhor seria tocar piano. E foi assim que graças à contração da inteligência minimalista de João Gilberto com o talento descomunal de joão Donato, somos brindados há décadas com o teclado suingado do músico paraense. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura, a chuva arrefecera ainda mais, porém o trânsito não estava nada bom. O jeito era continuar jogando conversa fora. Lembrado que estávamos a caminho do Espaço Tom Jobim, Fafá contou que conhecera o músico há muito tempo, quando, no frescor dos seus dezessete anos, acompanhava vez por outra o tio boêmio pela noite da cidade. Uma vez, já bem tarde, no Degrau, o dono do restaurante desceu a porta de correr que dava para a rua decretando a lotação da casa. De repente, ouviu-se uma batida na ondulação reverberante do aço e em seguida a voz do lado de fora dizendo que era o Antônio. Imagina se vão abrir a porta para um Antônio qualquer?, pensou Fafá. Mas o dono foi até lá e deu passagem a Antônio Carlos Jobim que adentrou o recinto calmamente e, para alegria da jovem, sentou-se ao seu lado. Fafá conta que o maestro só falava de Shakespeare, por quem andava obcecado ultimamente.  Foi chato?, perguntei. De forma alguma, respondeu Fafá. Inclusive minha amiga guardou por muito tempo um guardanapo onde o compositor de Garota de Ipanema reproduzira os versos do bardo inglês de que mais gostava. Estava claro que aquela fora mais uma das célebres obsessões passageiras de Tom Jobim. Chato é o sujeito que fica com a mesma mania a vida inteira, concluímos rindo gostosamente enquanto estacionávamos o carro dentro do Jardim Botânico.  &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Pensei até que encontraria uma plateia vazia, pela facilidade que foi encontrar uma vaga sobre o chão de pedrinhas britadas, entre as árvores frondosas da alameda que leva ao teatro. Pois o moderno auditório, amplo e todo revestido de madeira (com selo de boa procedência, é claro) estava lotado. Sentamo-nos na última fila de cadeiras super confortáveis, também de madeira, desenhadas por João Bird, um arquiteto amigo de Fafá. A luz logo se apagou e, sob aplausos entusiasmados, os músicos tomaram seu lugar no palco. João Donato, ao piano, apresentou o grupo: nada menos do que Luiz Alves no baixo e Robertinho Silva na bateria. Tinha ainda percussão, saxofone, flauta e trompete. Eles atacaram de Amazonas, Café com Pão e Tardes de Verão. Que delícia! Donato anunciou um bolero que acabara de compor em parceria com Nelsinho Mota. A letra é fraquinha, mas o que importa a letra no som de João Donato? Como se tivesse me ouvido e quisesse dirimir minha dúvida, o músico mandou em seguida seu clássico Bananeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais algumas pérolas e Paulinho Jobim entrou no palco, pegou o violão, e disse que iriam tocar uma música inédita que ele havia encontrado no baú do pai, feita em parceria com João Donato, que nem se lembrava do fato. Quando eu me lembro... é o nome da canção, anunciou Donato às gargalhadas fazendo alusão a suas conhecidas distração e falta de memória. Ótima de letra e música. Saiu Paulinho Jobim, entrou Jacques Morelembaum que tocou lindamente. Chamaram ao palco  Paula Morelembaum. Aproveitei para ir comprar amendoim... Quando voltei, a cena era desconcertante. Ao som da hiperdançante Porque nasci para bailar, Paula e Paulinho cometiam passos, os mais desengonçados, enquanto faziam o vocal justamente do refrão ( "Porque nasci, nasci para bailar...") De quem foi a idéia? Desta vez não houve resposta. Mais duas músicas e um único bis deram por encerrado o show que abriu as comemorações de 60 anos de carreira de João Donato que, na minha opinião, faz disparado o melhor som da MPB. A clássica mistura de bossa nova e jazz, aperfeiçoada na longa temporada em que morou nos Estados Unidos, com forte influência da música caribenha, região que frequentou por anos, tocando em navios de cruzeiro, no início da carreira.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos andando devagarzinho junto com a audiência que parecia estar de alma lavada. Via-se pela calma nas atitudes e leveza das fisionomias ao nosso redor que a música de João Donato além de boa faz bem. Fomos nos dirigindo para o carro, respirando  o ar puro com cheirinho de mato e terra molhada do Jardim Botânico. Na volta pra casa, quase não falamos. O que dizer depois de curtir uma autêntica noite de outono no Rio de Janeiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-5467101751328091457?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/5467101751328091457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=5467101751328091457' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5467101751328091457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5467101751328091457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/04/outono-no-rio.html' title='Outono no Rio'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8941231374686365001</id><published>2009-04-12T19:45:00.011-03:00</published><updated>2009-04-13T21:59:13.879-03:00</updated><title type='text'>Para Augusto</title><content type='html'>O TriBoz fica na cabeceira da Lapa, e como tal se comporta. Não é mais uma casa de samba, como outras tantas e boas que proliferam nas transversais da Mem de Sá, a verdadeira coluna vertebral do bairro boêmio do Rio. Localizado na esquina da Rua Conde de Lages com a Rua Taylor, portanto mais para a Glória do que para o Centro da Cidade, o bar, que também tem nome de Centro Cultural Brasil-Austrália, é um lugar de Jazz e Bossa Nova. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que novidade! Um programa mais leve, pra quem quer sair com os amigos, tomar um drinque e conversar, sem a azaração e a superlotação costumeiras dos bares daquela região nos fins de semana. E sem trânsito atravancado para os que vêm da Zona Sul. Mas com o charme de estar no Rio Antigo, de passear pelas balaustradas centenárias de ferro batido do Largo da Glória, sob as luminárias em estilo colonial, por entre o casario da redondeza, com suas fachadas de pedra de cantaria. Porque ir para este lado da cidade à noite já é parte do programa. Penetrar em suas ruas sombrias, reduto tradicional dos travestis que desfilam sobre os paralelepípedos úmidos de sereno a sua elegância indiscra, de humor barato e picardia afiada, é curtir, já no caminho, o folclore do lendário bairro carioca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E faz bem quem vai de taxi, pois apesar de ter estacionamento rotativo bem próximo ao local, ninguém está livre de se deparar na volta com uma blitz da Lei Seca que anda rondando o Centro do Rio em qualquer dia da semana. E também ninguém merece encarar um bafômetro como anticlímax de um programa tão legal. Ainda mais sábado à noite, como a de ontem, quando fui encontrar amigos para ouvir o piano personalíssimo de Mávio Ceribelli junto com uma turma de bons músicos, e a canja de jovens cantoras que salpicavam a noite com brilhos na roupa e na voz.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dono do TriBoz é o Mike Ryan, um músico australiano PhD em Etnomusicologia, pela Universidade de Sydney.  Sua tese de doutorado foi sobre contribuições da música e cultura brasileiras para a Austrália, no período de 1971 a 1984. Pesquisa de campo realizada entre imigrantes brasileiros em Sydney. Mike mora desde 1991 na mesma Rua Taylor onde montou seu bar, foi professor da Escola de Música da UFRJ, que fica pertinho dali, e desenvolve programas sociais de oficina de músicas com a comunidade local.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, Mike é bom trompetista e cantor afinado, com suingue e tom aveludado na voz de tenor. Ele recebe pessoalmente cada freguês na entrada até a lotação da casa por volta de dez da noite. Depois, é aproveitar o som, mas sem fanatismos. Dá pra conversar à vontade durante os longos e gostosos sets de repertório variado entre standards americanos e o melhor da MPB. E a postura dos frequentadores é bem essa. Nada de psius dos aficionados de jazz. Mas também sem a irreverência estúpida do público de churrascaria. O TriBoz é um lugar elegante, com um bom ar-condicionado, serviço ágil, cardápio adequado (só frios), mesas e cadeiras confortáveis e decoração leve. Se eu tivesse que mexer em alguma coisa ali, diminuiria um pouco a luz. E só.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Por tudo isso, o programa foi um sucesso. Ao final da noitada, estávamos todos muito alegres por curtir um bom som, e satisfeitos em botar o papo em dia. Fomos embora prometendo voltar lá pra semana. Não sei se o faremos, mas nossa expressão foi sincera e o desejo mais do que justificado; pois quem trabalha de segunda a sexta, seu sábado não pode e não vai desperdiçar.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8941231374686365001?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8941231374686365001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8941231374686365001' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8941231374686365001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8941231374686365001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/04/para-augusto.html' title='Para Augusto'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-4887264242279907785</id><published>2009-04-05T11:17:00.007-03:00</published><updated>2009-04-05T22:46:54.610-03:00</updated><title type='text'>O coração pode se regenerar !</title><content type='html'>“Não vou à festa hoje. Acordei machucada, com os olhos inchados e corpo doído; minha alma ralada já purga o afeto desfeito em inúmeras tentativas de se tornar amor. Não suportaria, com a moral assim surrada, ver seus olhos  caçadores. De sentidos aguçados pela dor, rapidamente descobriria sua próxima presa para em seguida invejá-la, ainda que sabedora de seus prováveis futuros infortúnios.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na festa haveria a contradança que não poderia aceitar com os sentimentos desse jeito estropiados pela memória de outras baladas de passos acertados, rostos colados e desejos prometidos que não se entrelaçariam na coreografia estéril de corações agora desencantados. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;E se a tudo sobrevivesse, trazendo no rosto um sorriso simulador da indiferença postiça recorrente nos salões, ainda assim não teria fôlego para enfrentar a emoção de sentir nossos corpos compatíveis para em seguida experimentar a vertigem abismal da indiferença afiada do seu humor excêntrico. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sinto uma tristeza imensa... “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma declaração como a do texto transcrito acima mostra um coração partido. O tom é exagerado, como é exagerada a emoção das pessoas normais no momento em que percebem que tudo acabou e a relação não tem volta. “Have a broken hart? Brake it again”, disse-me, um dia, um calejado conhecedor das dores do amor. Pois não é que ele estava absolutamente certo, como um vencedor de “O céu é o limite", de Jota Silvestre. Se ainda me restava alguma dúvida a respeito do cínico ditado anglo-saxão, dissipei-a ao ler no jornal de ontem o seguinte título: SUECOS DESAFIAM DOGMA E MOSTRAM QUE O CORAÇÃO PODE SE RENOVAR. A matéria, na página de Ciência do Globo, diz que foi quebrada a convicção da medicina de que o músculo cardíaco é incapaz de produzir novas células. Afirma ainda que cerca de metade delas são trocadas ao longo da vida, e conclui que o coração, diferentemente do que se imaginava, é capaz de se regenerar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, e respeitando a metáfora que associa o órgão vital à sede dos sentimentos, saúdo a todos os que não pouparam emoção ao longo da vida e, por intuição ou mesmo condição existencial, apaixonaram-se a valer. Por terem aproveitado ao máximo o potencial de recuperação das suas células afetivas, convoco-os a regozijar-se agora. Propondo ainda que, de cabeça erguida, digam aos que um dia os acusaram de ser volúveis como a roleta, que nesses tempos de pós-tudo a vida é mesmo assim; morre-se hoje mil vezes. E com a certeza de que terão amanhã o coração renovado, convido-os a cantar comigo o clássico de Cole Porter: Let’s do it, let’s fall in love”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-4887264242279907785?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/4887264242279907785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=4887264242279907785' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4887264242279907785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4887264242279907785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/04/o-coracao-pode-se-regenerar.html' title='O coração pode se regenerar !'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-2530700694062428653</id><published>2009-03-28T21:00:00.007-03:00</published><updated>2009-03-29T10:10:15.708-03:00</updated><title type='text'>Blecaute ecológico</title><content type='html'>Escrevo às vinte e uma horas e dois minutos. Acabo de voltar da varanda do apartamento, de onde vejo o bairro da Urca e Niterói. Embaixo, o parque do Flamengo está inteiramente às escuras e me parece tenebroso nesta noite chuvosa. A Urca tem cerca de oitenta por cento das luzes apagadas, e vê-se que o pessoal que mora no finalzinho do bairro, o mais animado, é antenado com os movimentos de conscientização ecológica como o desta noite, pois os últimos prédios da Avenida João Luiz Alves desapareceram na escuridão. Os moradores da Avenida Portugal, a primeira da orla e onde mora o rei Roberto Carlos, também aderiram totalmente ao apagão da ecologia deixando um rastro de breu aos pés do Pão de Açúcar, que vejo às escuras pela primeira vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro essas mobilizações cívicas e além de me engajar - sempre de leve e sem pregação, é claro - gosto de ver tanta gente com o mesmo sentimento, em congraçamento, um aconchego até. É como se dissessem uns aos outros: "Hei, você não está sozinho, bicho!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por falar em bicho, volto da varanda, de onde fui me certificar de que Niterói (terra dos queridos minhocos, além de Araribóia) arrebentou na Hora do Planeta. Normalmente, vistas daqui, Icaraí e Itaipú formam duas meias-luas de brilhantes, de tão intensa que é a luz na capital fluminense. Pois para governo dos indiferentes ao aquecimento global e à crise de energia que se avizinha, as duas praias estão totalmente apagadas. Só se vê a tênue iluminação pública. UM show!(mesmo que às avessas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, vou me despedindo por aqui porque não quero perder o espetáculo das luzes  acendendo todas ao mesmo tempo. Até mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-2530700694062428653?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/2530700694062428653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=2530700694062428653' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2530700694062428653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2530700694062428653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/03/escrevo-as-vinte-e-uma-horas-e-dois.html' title='Blecaute ecológico'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-5266807405363744810</id><published>2009-03-27T09:03:00.005-03:00</published><updated>2009-03-27T20:55:41.676-03:00</updated><title type='text'>Viagem</title><content type='html'>Uma das coisas que gosto de fazer é navegar no Google Earth. Passo horas descobrindo os lugares mais distantes e interessantes. Quando leio nos jornais ou em algum livro o nome de uma cidade ou país desconhecido, ou ainda se alguma informação renova em mim o interesse por um lugar já visitado, vou ao programa que permite ao internauta um passeio instantâneo mundo afora. Faço isso à noite, com as  luzes apagadas,  tendo apenas a tela do computador como  janela de onde parto para a misteriosa viagem pelo espaço sideral. Dali, mergulho em direção ao planeta Terra. Detenho-me a certa distância, de onde posso admirar o recorte dos continentes pousados sobre a superfície imóvel dos oceanos. Aos poucos vou me aproximando enquanto giro o globo terrestre  para localizar meu destino; encontro o país desejado e vou descendo mais, devagarzinho, no intuito de conhecer a divisão política, divisar os estados ou províncias, observar os acidentes geográficos, as montanhas e os rios, alguma escarpa, o litoral, se houver. Desço mais um pouco até que apareçam os nomes das cidades, parto para a escolhida e me ponho a flanar por entre ruas, alamedas e praças. Procuro tenazmente os chafarizes – meus monumentos preferidos por alegres e generosos que são. Se encontro um espelho d'água me encanto com a imagem das nuvens duplicada, um pedaço do céu no chão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda as estações de trens; prédios largos com dois ou três andares e frontispício imponente. Fico cismando com tudo o que pode acontecer ali; as tramas de alegrias e tristezas trançadas em chegadas e partidas, a desolação de quem fica e a angústia da espera – a dor da separação; a atmosfera de humores diversos, fusão de medo e cansaço, e o cheiro perturbador de ansiedade no ar. Mas sempre haverá mais encontros do que desencontros numa estação de trens. Essa convicção me anima a seguir as grandes avenidas para ver onde vão dar. Nos bairros suburbanos há os parques e florestas, os campos de futebol, os terrenos baldios e as casas com quintal. Diviso a única  com uma árvore frondosa nos fundos. Dentro dela mora um homem solitário de hábitos frugais e modos silenciosos. Quantos amores penou, que segredos esconde, quais memórias rumina em sua poltrona puída de saudade e solidão? Prefere os licores aos destilados; tem os olhos secos, os punhos cerrados, o coração corroído de desgostos e a boca torta de tanto negar? Se algum acesso me permitisse esgueirar-me por entre as carcomidas paredes desse mundo, entraria solene em sua fortaleza de indiferenças e o tiraria pra dançar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*********************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-5266807405363744810?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/5266807405363744810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=5266807405363744810' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5266807405363744810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5266807405363744810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/03/viagem.html' title='Viagem'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-1998294629585598432</id><published>2009-03-17T20:48:00.000-03:00</published><updated>2009-03-17T20:50:28.627-03:00</updated><title type='text'>O samba e a crônica carioca</title><content type='html'>Moacyr Luz fez que nem botão; entrou em casa e foi logo pra janela. Depois abriu as portas da sacada ao lado, estendeu os dois braços, empunhou a balaustrada de ferro, olhou para o céu e deu um longo suspiro. Era a última cena da matéria que gravamos para uma série de TV sobre literatura. Estávamos dois andares abaixo, na calçada do tradicional Bar do Mineiro, em frente à pousada onde mora o compositor desde que se separou. Aproveitávamos o último aceno de sol sobre as ruas de Santa Teresa, ainda agitadas com o calor atordoante do dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso encontro foi no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, na Rua Monte Alegre. Moacyr chegou pontualmente às quatro da tarde, portando seu violão. Elegante, como de hábito, vestia calça sarouel de algodão estampado em motivos étnicos com camiseta branquinha da silva. No pescoço, dois colares de contas de madeira e pedras coloridas. No pátio do palacete construído no início do século passado, e à sombra de uma mangueira centenária, travamos conversa saborosa sobre os sambistas cariocas, cronistas por excelência que, como os de jornal, foram buscar no cotidiano da cidade, no papo na esquina, nos morros, nos subúrbios e na vida boêmia dos botequins assunto pra fazer poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moacyr contava que um amigo lhe contara que os primeiros compositores de samba foram descendentes diretos de escravos vindos da África muçulmana; que por conhecerem a escrita e terem um nível razoável de politização eram aproveitados nos serviços domésticos da corte. Eles teriam dado origem a uma linhagem de artistas cariocas como Sinhô, Donga e Pixinguinha, entre outros, que, apesar da pouca instrução formal, tinham referências ancestrais para criar letra e música de qualidade. E tanta que o samba carioca acabou por forjar a identidade cultural do país nos idos de 1930.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ilustrar esse papo meio cabeça, Moacyr cantou o primeiro samba gravado no Brasil, “Pelo telefone”, de Donga.  Aí tudo começou a fazer sentido, até o calor senegalês.&lt;br /&gt;Lembrei que, graças a Deus, estávamos à sombra de uma frondosa mangueira, e ele atacou de “Folhas secas”, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Depois, falando do amor no samba e sua conseqüência natural, o ciúme, Moacyr atacou de “Sem compromisso”, de Geraldo Pereira. E por aí foi a conversa, desfiando um rosário dos sambas que fizeram a crônica da vida e da mentalidade carioca desde os tempos do “bota abaixo” – a modernização da cidade comandada por Pereira Passos no alvorecer do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra terminar, eu pedi ao compositor que se pronunciasse com a belíssima “Saudades da Guanabara”, um hino de amor à cidade, de sua autoria em parceria com Paulo César Pinheiro e Aldir Blanc. Foi um epílogo e tanto. Teve gente da nossa equipe que chorou, vieram me contar no dia seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes disso, conversamos sobre suas histórias de boêmio registradas em dois livros de crônicas: Manual de sobrevivência nos botequins mais vagabundos (2005) e Botequim de bêbado tem dono (2008). Falamos também do gosto de ver a juventude curtindo as rodas de samba da cidade, que tem duas delas comandadas por Moacyr: o Samba Luzia, no Clube Santa Luzia, atrás do Aeroporto Santos Dumont, e o Samba do Trabalhador, No Clube Renascença, no Andaraí. Falamos ainda de suas nobres parcerias como a nata da MPB e do seu dia-a-dia em Santa Teresa, o bairro dos artistas e do meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me esqueci de perguntas ao Moacyr Luz se aqueles colares, sua marca registrada, são guias de São Jorge, santo protetor do músico, compositor, cantor, cronista e boêmio; legítimo representante de uma constelação que tem em Noel Rosa e Cartola algumas de suas estrelas mais brilhantes.  Se for, vou incluir o santo guerreiro em minhas orações, para ver se ilumina minha escritura com um pouco da luz que Moacyr tem desde o nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-1998294629585598432?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/1998294629585598432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=1998294629585598432' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1998294629585598432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1998294629585598432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/03/o-samba-e-cronica-carioca.html' title='O samba e a crônica carioca'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-6363777485354467205</id><published>2009-03-07T13:03:00.005-03:00</published><updated>2009-03-07T13:12:02.422-03:00</updated><title type='text'>O bom selvagem é daqui !</title><content type='html'>Passado o carnaval, e curada a ressaca da festa mais popular entre os cariocas, o Rio de Janeiro entra em 2009 com uma programação que promete comemorar o Ano da França no Brasil comme il faut. E não é para menos, pois a relação entre os dois países, que data dos primórdios da nossa colonização, deixou marcas indeléveis na história da cidade e no coração dos franceses.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra começar, a França acreditava ter descoberto o Brasil antes da frota comandada por Cabral alcançar a nossa costa. Os franceses julgaram-se com direito às terras do Novo Mundo, alegando que Jean Cousin fora o primeiro navegador a chegar à América, quatro anos antes de Cristóvão Colombo. Mas o privilégio, no caso do Brasil, coube mesmo a Portugal que assinou com a Espanha o Tratado de Tordesilhas, dividindo entre as duas potências o continente recém descoberto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, Lisboa estava mais interessada no comércio com o Oriente, e o nosso litoral ficou à mercê das incursões dos corsários europeus. Destes, os franceses eram os mais assíduos. Vinham negociar o pau-brasil com os indígenas em troca de ferramentas e bugigangas. O escambo era tão intenso que “durante anos ficou indeciso se o Brasil ficaria pertencendo aos peros (portugueses) ou aos mairs (franceses)”, segundo Capistrano de Abreu. Junte-se a isso o interesse da França em construir um império colonial próprio e estavam dadas as circunstâncias que motivaram a expedição França Antártica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1555, Villegagnon desembarcava na baía de Guanabara, na ilha que hoje leva o seu nome, onde ergueu o forte Coligny. O lugar era ideal para a nova colônia, com um entreposto normando no continente e intérpretes de tupi para ajudar na relação com os índios. Porém, o próprio Villegagnon deu motivos para a primeira revolta ao proibir seus homens de se amancebarem com as índias. E não era pra menos, se observarmos que Pero Vaz de Caminha, em sua famosa carta, já difundia para a Europa a superioridade da beleza nativa: “uma daquelas moças era tão bem-feita e tão redonda, e sua vergonha (que ela não tinha) tão graciosa, que muitas mulheres da nossa terra, vendo-lhes tais feições, fizera vergonha, por não terem a sua como a dela.” Depois foram as disputas religiosas entre calvinistas e católicos da ilha que acabaram por inviabilizar a tentativa de colonização do Brasil pelos franceses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de contar com o apoio dos índios, que segundo a narrativa deliciosa de Jean de Léry em História de uma viagem feita à terra do Brasil, eram “tão hábeis no manejo do tacape que dois dos nossos mais destros espadachins teriam dificuldade em vir-se com um tupinambá enraivecido”, a França Antártica durou apenas cinco anos. Quando em 1560, Mem de Sá e sua poderosa esquadra tomou o forte Coligny, Villegagnon já havia partido para a França e os habitantes da ilha tinham fugido para o continente e se embrenhado na mata.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O certo é que, mesmo efêmera,  a epopéia da França Antártica provocou uma revolução na mentalidade européia. No contato com os índios, os franceses se depararam com uma organização social e postura de vida infinitamente mais livre e feliz. Foi nos relatos de viagem de integrantes da França Antártica que Montaigne colheu informações sobre a vida dos tupinambás para criar o mito literário do bom selvagem. &lt;br /&gt;O Estado de Natureza encontrado no lugar onde nasceria a cidade do Rio de Janeiro, o  modo de vida comunitário e a ausência da propriedade privada deu vida aos mitos antigos de uma idade do ouro da humanidade que iria irrigar, dois séculos depois, o pensamento de Jean Jaques Rousseau. Sua teoria da bondade do homem foi grandemente influenciada pela figura do índio brasileiro descrita por Montaigne. E suas teses em favor da natureza e contrárias à influência corruptora da sociedade acabariam por preparar a base ideológica da Revolução Francesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado de cá do Atlântico, a recíproca é verdadeira. Outras invasões francesas, mais amenas, como a missão de artistas trazida por D. João VI que influenciou o estilo arquitetônico do nosso império, que por sua vez foi derrubado com as idéias do positivista Auguste Comte... Mas isso já é outra história. Bom mesmo é saber que se depender das celebrações da relação entre os dois países, durante um ano inteiro não vai me faltar assunto para escrever a coluna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-6363777485354467205?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/6363777485354467205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=6363777485354467205' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6363777485354467205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6363777485354467205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/03/o-bom-selvagem-e-daqui.html' title='O bom selvagem é daqui !'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-1359789217535407359</id><published>2009-02-24T09:54:00.003-03:00</published><updated>2009-02-24T10:50:47.865-03:00</updated><title type='text'>Pirata de Confiança</title><content type='html'>A odalisca cruzou o terraço em minha direção. Meneava os quadris em ondas sucessivas, redesenhando no ar as calçadas de Copacabana. Era uma visão das mil e uma noites com os cabelos negros e soltos sobre os ombros de cetim, seios fartos e ondulantes como as dunas do Saara e o umbigo tão perfeitamente redondo no centro do ventre carnudo que um paraíso com trezentas virgens não valeria mais do que um giro pelo salão atracado àquelas ancas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Chegou mais perto e pregou os olhos nos meus. Agora vinha devagarzinho, marcando com o andar a cadência da marcha-rancho amplificada. Levantei-me num pulo e me precipitaria em sua direção não fosse o sorriso meia lua e a ponta da unha vermelha indicando o seu lugar ao lado do xeique árabe, meu patrão. Afastei o corpo e abri espaço às fantasias proibidas. Não o bastante, nem o prudente, pois a odalisca riscou com o sutiã rebordado em pedrarias meu peito aberto de pirata. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Aluguei a fantasia em cima da hora, como foi o convite para a mesa da presidência. Planejara passar o feriado em brancas nuvens, nos braços da Nercília, minha doce namorada. Mas o Matias, diretor financeiro, proibiu-me a desfeita. E para completar, encheu-me os miolos de cobiça, descrevendo toda a pompa e circunstância dos salões do Copacabana Pálace em baile de carnaval. Lindas mulheres brancas, negras e eurasianas, com muito brilho e pouca roupa; orquestras se revezando no palco; bateria de escola de samba e champanhe de chafariz. Inventei uma desculpa pra Nercília. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Agora estava metido naquela sinuca de bico, ao lado do patrão e de frente pra odalisca de os olhos enviesados na minha direção, enquanto  cochichava em francês com a melindrosa ao seu lado. O idioma eu conhecia das aulas no Pedro II, não dava para ouvir tudo, mas com certeza falavam de mim. E o xeique de araque, baforando um charuto na minha cara, contava conquistas extraordinárias no setor empresarial. Eu tentava mostrar inteligência, a despeito da bateria martelando no meu cérebro em linha direta com o meu coração. Salvou-me a volta da orquestra atacando um pot-pourri de marchinhas. Foi ouvir Linda Morena pra odalisca implorar ao marido que a levasse pra dançar. Sobrou pra mim, pirata de confiança.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Deixamos a mesa afetando indiferença, cruzamos o terraço com prudência calculada, entramos no Goldem Room com as mãos entrelaçadas, mergulhamos no salão trocando beijos de refrão. A odalisca nos guiava por entre os foliões eufóricos, ninguém nos conhecia, nem reconheceria a própria sogra; todos cegos para com as convenções. Fomos para o tapume atrás da orquestra e ali fizemos amor do jeito que amor é feito em noite de carnaval. Voltamos ao salão como dois colegiais, cantando sem resguardo um clássico samba-enredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Entorpecido de prazer, fui levado pelas mãos da odalisca de volta ao terraço, onde tudo começou. Tentei ainda prolongar a fantasia, pedindo um beijo que ela, intransigente, negou. O número do telefone? Coisa fora de questão. Marcar um encontro, quem sabe? Nem pensar na ousadia. Soltou minha mão anunciando o fim da brincadeira. Negava amor ao pirata? Tanto quanto ao marinheiro, no carnaval que passou.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Voltei pro Engenho de Dentro com cara de palhaço. Na Presidente Vargas, já vinham as primeiras pastoras arrastando as anáguas fartas com sutil dignidade. Na Praça Onze, flanavam clóvis equívocos tentando surpreender transeuntes com a alegria desengrenada dos que chegam muito cedo ou então já voltam bem tarde. Na altura de Vila Isabel, cruzei integrantes da Escola cantando a vitória antecipada das cores azul e branco, as mesmas da manhã que então se anunciava.&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;          Passei pelo portão rezando pro cachorro não fazer alarde. Encontrei meu prato feito na mesa bem arrumada. Comi com gosto o repasto fazendo carinho no gato. Fui me deitar sem descobrir a gaiola dos passarinhos. Abri a porta do quarto com cuidado redobrado e me enfiei na cama quente do corpo de Nercília. A namorada se remexeu, resmungando um óbvio inaudível. Puxei-a pra mais perto, envolvi-a num abraço e encostei o meu nariz no seu dorso perfumado. O costume se sobrepôs ao avançado das horas, pois Nercília se aninhou no meu corpo com a insuspeitada cordialidade dos dois pezinhos colados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Acordei com o café fumegando tranqüilidade. Arrisquei um bom dia, mesmo já sendo de tarde. Nercília abaixou o jornal e lançou-me um olhar indecifrável. Perguntei sobre as notícias, puxando assunto genérico. Bailes, desfiles e blocos, quase tudo o mesmo de sempre, mas o horóscopo, este sim, trazia grandes novidades. Fiz-me de interessado, sabendo que a moça considerava o assunto da maior seriedade. Dizia a astróloga, de prestígio na cidade, que para os nossos signos a fantasia ideal era a de marido, de esposa ou de casal. Marquei a data do matrimônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-1359789217535407359?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/1359789217535407359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=1359789217535407359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1359789217535407359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1359789217535407359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/02/pirata-de-confianca.html' title='Pirata de Confiança'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-3234989996366177146</id><published>2009-02-07T20:11:00.001-02:00</published><updated>2009-02-07T20:12:50.116-02:00</updated><title type='text'>Viver a vida em paz</title><content type='html'>“ Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais...” , canta o urso Balu, no adorável “Mogli, o menino lobo”, longa metragem de animação produzido pela Disney, em 1967. Baseado no “Livro da Selva”, de Rudyard Kipling, o filme conta as aventuras de um menino criado por lobos  em sua jornada rumo à civilização. A canção, na qual o urso bonachão procura transmitir sua filosofia de vida para tentar ajudar Mogli a sobreviver na selva, reflete, de certa forma, o ideário dos movimentos alternativos do início da década de 60, que pregavam a revisão dos valores constituídos e denunciavam a existência vazia numa sociedade movida pelo desejo de consumir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o tempo das grandes transformações de comportamento, do feminismo e dos movimentos civis em favor dos negros e homossexuais, que lançaram sobre a Terra a ideologia do Paz e Amor. Pena que uma semente assim delicada não tenha encontrado terreno fértil para se desenvolver.  Ao contrário, mirrou nas tormentas das crises do petróleo, no estio do individualismo crescente e na  aridez humanitária da política neoliberal. Nem mesmo a prosperidade dos últimos anos pode ajudá-la a se transformar numa árvore frondosa de sombra e frutos para todos, pois acabou desperdiçada numa tremenda concentração de renda. Não fosse a luta dos movimentos ecológicos e a tenra plantinha, símbolo de um estilo de vida simples, sem desperdícios nem excesso de luxo e de lixo, sucumbiria de vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acabou-se o que era doce e a crise global veio, entre outras coisas, proclamar uma nova era de austeridade, promover a mudança dos hábitos de consumo, dar fim à mentalidade perdulária vigente e apontar para a mais nova tendência da estação: o despojamento está na moda.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta nova ordem, perde sentido tudo o que simbolize status e desperdício, como, por exemplo, esses carrões utilitários de alto consumo de combustível que, além de contribuírem  para o aquecimento global, são totalmente inadequados para o tráfego nos centros urbanos. E, acima de tudo, estão  associados à arrogância da lei do mais forte, à ansiedade de chegar na frente e ao desdém pelo outro. &lt;br /&gt;Bacana agora é andar de bicicleta, ainda mais em cidades com engarrafamentos permanentes. Legal é descartar o supérfluo e viver com mais tempo. Supimpa é promover uma revisão dos hábitos de consumo e substituir a gastança pelo comedimento. Ninguém precisa mais mostrar que é melhor que o outro porque tem mais dinheiro. Essa mentalidade já era. E não dá para duvidar da urgência de uma mudança de comportamento quando ela já se anuncia entre os mais conceituados economistas do mundo. Na semana passada, reunidos do Fórum Econômico Mundial, em Davos, eles tentavam entender como, em apenas 36 horas,  foram queimados 600 bilhões de dólares  nas bolsas de valores ao redor do planeta e, em vez do caviar e  lagosta costumeiros, contentaram-se com o trivial queijo  com presunto nas  recepções do evento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom mesmo que os economistas  sintam a crise na pele e tratem de queimar a mufa para resolver a equação que se lhes apresenta na atual conjuntura. Pois se continuarmos comprando nos mesmos padrões de antes, pomos em risco a sobrevivência do planeta. Por outro lado, um freio no consumo  representa  redução da atividade econômica, desemprego e agravamento da crise. Para mim, a saída passa pela redistribuição de renda  com  redução do carga de trabalho e, consequentemente, o aumento da oferta de emprego e maior inclusão no mercado consumidor. Seria apenas o começo, para que um dia  a gente possa  imaginar todas as pessoas compartilhando o mundo todo, como queria John Lennon.  E desfrutando tempo bastante para as coisas boas da vida, como prega o urso Balu: &lt;br /&gt;“...necessário, somente o necessário / Por isso é que esta vida eu vivo em paz.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-3234989996366177146?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/3234989996366177146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=3234989996366177146' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3234989996366177146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3234989996366177146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/02/viver-vida-em-paz.html' title='Viver a vida em paz'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-7438378548881046253</id><published>2009-01-25T13:31:00.003-02:00</published><updated>2009-01-25T14:02:28.414-02:00</updated><title type='text'>Questão de estilo</title><content type='html'>Estou trabalhando todo dia o dia inteiro na MultiRio, na nova programação da produtora que vai ao ar na faixa das duas da tarde na Band Rio. Já trabalhei na empresa de multimeios da prefeitura antes, quando tive a oportunidade de desenvolver programas voltados para a construção do universo cultural dos telespectadores, com atenção especial às necessidades dos professores da rede municipal de ensino. E muito me orgulho do caráter meritório de tudo o que foi produzido naquela época, sob a batuta da doutora educadora Cleide Ramos, que volta à presidência da empresa para uma nova gestão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, e bem entendido que o mais importante é o que vai do lado de dentro da cabeça, vou passar para o lado de fora. Ainda bem que estou com o cabelo bem resolvido, meio caminho andado quando a gente deve cumprir uma jornada de horário integral, pois muitas vezes tenho que ir do trabalho diretamente para um compromisso, uma vernissage, por exemplo. Isso quer dizer que devo sair de casa às nove horas da manhã já arrumada para a noite. Um cabelo bem resolvido é meio caminho andado, não apenas no aspecto estético, mas no prático e, sobretudo no psicológico. Eu falo de cadeira, pois trabalhei vinte anos com o meu rosto na telinha e sei a neura que é ter que estar todos os dias com o penteado impecável. É dose, podem crer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é um cabelo bem resolvido?, você há de perguntar. Pra mim, é um cabelo natural, com um bom corte que combine com nosso tipo físico, com estilo definido e com o qual a gente não tenha que brigar. No meu caso, optei por usá-lo longo e naturalmente cacheado. Desta forma, posso acordar, tomar banho, lavar a cabeça e ir trabalhar que o cabelo vai secando naturalmente e fica bom. Fácil, não? Parece mas não é, pois cabelo de mulher é uma coisa complicada e eu levei anos para aceitar que o ideal não é ter o cabelo que se quer, mas melhorar ao máximo aquele que se pode ter. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam o caso de Michelle Obama. Tudo nela é bacana, menos o cabelo. Ela é bonita, veste-se bem, tem um belo porte, sabe se colocar ao lado do presidente sem se anular, nem chamar demasiadamente a atenção para a sua personalidade. Ao contrário, consegue, de maneira afirmativa, preservar a individualidade valorizando sua figura feminina de mãe e esposa. Eu diria que a primeira dama americana é tudo de bom, mas o cabelo... Por que a “chapinha”? Por que negar a raça e esticar os fios a “ferro e fogo”, quando poderia valorizar o seu tipo físico com um estilo mais de acordo com a sua natureza. Que me desculpem os que idolatram o novo casal vinte da América. Eu admiro Barack Obama por tudo o que representa ter um negro na Presidência dos Estados Unidos, e pelos compromissos que ele assumiu na campanha e já começou a cumprir. Mas que o cabelo da Michelle é colonizado, ah isso é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo que pode ser o caso de um desejo recôndito e remoto, um sonho de menina não realizado. Quem me abriu os olhos para essa possibilidade foi a Daúde que, além de ser uma grande artista, é uma das minhas melhores amigas. Uma vez, conversando aqui em casa, eu comentei que ela tinha acertado quando optou por usar o cabelo bem curtinho, à la garçone, marcando bem o seu estilo que se tornou invonfundível. É claro que tem uma série de cuidados alí. Um creme relaxante, uma henna de tratamento e etc. Mas não tem forçação de barra, combina com o tipo físico dela, tem estilo, e ainda por cima é sexy à beça. Enfim, Daúde tem o cabelo bem resolvido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi eu fazer esse elogio para minha amiga contar uma passagem da sua infância emblemática de tudo o que foi dito anteriormente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Uma vez, quando eu era pequena, aos cinco anos mais ou menos, um amigo do papai foi jantar lá em casa. Querendo agradar a todos e fazer graça comigo, a menorzinha dos irmãos, ele disse que era mágico, e começou a tirar moedas da manga da camisa e fazer adivinhações. Eu prestei bastante atenção naqueles truques manjados e assim que ele parou de se exibir eu lhe perguntei à queima roupa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é mágico mesmo, então faz o meu cabelo balançar ? ... ” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-7438378548881046253?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/7438378548881046253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=7438378548881046253' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7438378548881046253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7438378548881046253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/01/questo-de-estilo.html' title='Questão de estilo'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-3830285943527813037</id><published>2009-01-23T09:11:00.001-02:00</published><updated>2009-01-23T09:14:56.309-02:00</updated><title type='text'>São Sebastião</title><content type='html'>Outra noite, na última lua cheia, saí com amigos para um passeio na Urca. O bairro, exclusivamente residencial, construído ao pé do Pão de Açúcar, passou por polêmica recente por conta das transformações que, segundo muitos moradores, iriam descaracterizá-lo como um dos lugares mais tranqüilos e seguros para se morar no Rio de Janeiro. A discussão foi em torno das obras de restauração e adaptação do prédio do antigo Cassino da Urca para abrigar a filial carioca do Instituto Europeu de Design (IED), escola italiana de artes visuais que já existe em São Paulo desde 2005. Quem é contra, teme pelos transtornos que o movimento de centenas de alunos trará ao cotidiano pacato do lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cola do IED, que será inaugurado em março, veio a filial de um dos botequins mais freqüentados da cidade, dando início a outra cisão ente os moradores. Dizem que metade da Urca era contra, argumentando que sua tranqüilidade estaria irremediavelmente comprometida se a associação de moradores permitisse tamanha sandice. A outra metade abriu os braços para o despertar da vida boêmia no bairro, adormecida desde 1947, com a proibição pelo presidente Dutra dos jogos de azar no país. Dizem ainda que as solteironas foram as que mais apoiaram a idéia do chope gelado transbordando, junto com os fregueses, das mesas para as calçadas do bar. Ao que a turma conservadora desdenhava, acusando “as velhas assanhadas” de quererem ambiente para arrumar namorado.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a nossa intenção era conferir in loco as novidades. A noite estava fresca. O bairro, de casas suntuosas e prédios baixos, mantinha-se mergulhado em silencio de cidade do interior. Só na orla havia movimento, em muito aumentado pela freguesia do novo botequim que veio se juntar aos dois já existentes. Cercada por uma murada de pedras debruçada sobre a Baía de Guanabara, a Urca tem uma paisagem deslumbrante. Mas naquela noite, com a lua imensa despejando luz dourada sobre o mar, estava de perder o fôlego. Depois de jantar, fomos nos sentar na murada. Estávamos embevecidos com a beleza da cidade quando nos demos conta de que fora ali que tudo começou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela entrada da barra, no encontro do oceano com as águas plácidas da Baía de Guanabara, Estácio de Sá chegou há 444 anos para expulsar os franceses. Junto com seus homens, o sobrinho de Mem de Sá acabou de vez com a malograda tentativa de Villegagnon criar a França Antártica no Brasil. E decidiu ele mesmo fundar, onde hoje é a Urca, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. No local, foi erguida uma capela de sapê para abrigar a imagem do santo padroeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, a estátua do mártir fica na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca, de onde sai todos os anos, no dia 20 de janeiro, em procissão pelas ruas do Centro. O feriado – que não é concedido nem ao 1º de março, dia da fundação da cidade – leva milhares de pessoas a seguir o andor com a imagem do belo jovem  seminu amarrado a uma árvore, com o corpo flechado. Por ter escapado com vida da tortura dos romanos, São Sebastião, que era da Guarda Pretoriana e foi acusado de traição por ser cristão, é cultuado em quase toda a América Latina como o santo protetor contra a pestilência, simbolizada pelas flechas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terça-feira passada, foram mais de trinta mil pessoas acompanhar a procissão. Este ano, mais do que nunca, o carioca teve motivos para reunir todo o seu fervor numa prece a São Sebastião. Com certeza foi pedir que o santo iluminasse a nova gestão da administração municipal, fazendo com que o prefeito que acaba de tomar posse não meça esforços para evitar mais uma epidemia de dengue na cidade. No ano passado, a doença matou 106 pessoas no Rio de Janeiro, a maioria crianças. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o ex-prefeito leve um tanto desse peso nas costas, e que o novo prefeito traga a esperança de erradicar o mosquito transmissor como um estandarte de seu governo. Para que o verão na cidade volte a ser apenas a época dos chopes gelados à beira mar, e se apague para sempre da nossa memória a cena macabra de pais fechando pequenos caixões infantis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-3830285943527813037?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/3830285943527813037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=3830285943527813037' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3830285943527813037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3830285943527813037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/01/so-sebastio.html' title='São Sebastião'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-1613578020407282500</id><published>2009-01-10T14:08:00.002-02:00</published><updated>2009-01-10T14:17:21.878-02:00</updated><title type='text'>A melhor solução</title><content type='html'>Em agosto do ano passado, fui ao Festival de Cinema Brasileiro em Israel com um grupo convidado pela direção do evento. Chegamos a Tel Aviv depois de uma longa viagem com escala em Paris. O receio de todos nós da delegação brasileira, formada por diretores, produtores e atores dos filmes concorrentes,  era o trâmite no aeroporto Ben Gurion. Ouvíramos contar as histórias mais cabeludas sobre filas quilométricas, revistas nos mínimos detalhes,  interrogatórios massacrantes, e turistas retidos na imigração por muitas horas, às vezes mais de um dia. Por sugestão de um companheiro de viagem, cheguei a tirar do meu note book e jogar no lixo do aeroporto Charles de Gaulle um DVD sobre Jerusalém. Isto porque o filme, com legendas em inglês, era falado em árabe, e poderia comprometer todos nós.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Mas nada aconteceu como esperávamos. A Embaixada do Brasil enviou um funcionário para nos recepcionar desde a saída do avião e, conversando com ele, já a caminho do hotel, soube da ação diligente da nossa representação em Israel para que não houvesse detenções e nem mesmo revistas. Naturalmente que o fator preponderante foi não haver conflito declarado na ocasião. O fato foi sendo esclarecido durante a nossa estadia, na convivência com gente que trabalha no comércio e no turismo. Desta forma, percebi que onde são comuns os interesses econômicos entre israelenses, árabes-israelenses e palestinos, as relações são mantidas no nível da camaradagem. Porém, há uma tensão latente na região, e basta um incidente que possa dar início a um conflito armado para contagiar as relações de todos os tipos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       A reação a essa situação entre os israelenses nunca é ambígua, ao contrário, eles se declaram abertamente de direita ou de esquerda e defendem seus pontos de vista com veemência, e até xingamentos racistas em determinadas circunstâncias. É o que ocorre, por exemplo, entre as torcidas rivais dos times de futebol de direita, o Beitar Jerusalém, e de esquerda, o Poel Tel Aviv. Quando os dois se enfrentam, a violência verbal nos estádios é liberada, e mesmo que a peleja aconteça em uma cidade israelense de população árabe, nem Maomé é poupado, já que há jogadores árabes-israelenses nos dois lados.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        De direita e de esquerda é como a opinião pública em Israel se divide entre os que apóiam a repressão aos territórios palestinos e os que são radicalmente contra ela. Os de esquerda, em geral artistas e intelectuais de formação humanista, formaram a grande maioria nas platéias das cinematecas de Haifa, Jerusalém e Tel Aviv, onde o Festival de Cinema Brasileiro acontece há oito anos. Em 2008, o filme “Tropa de elite”, de José Padilha, inaugurou a mostra nas três cidades. Eu compareci às noites de abertura e realizei entrevistas na saída das sessões para as reportagens publicadas na GAZETA MERCANTIL e no Jornal do Brasil. A reação quase unânime do público era de associação imediata entre os territórios palestinos e as favelas do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        A idéia era a de que, lá como cá, existe uma população oprimida pela pobreza e falta de oportunidades, com os jovens sem perspectiva de futuro e sem opções de lazer. São todos moradores de regiões que sofrem a ação de uma organização terrorista ou do crime organizado dentro da própria comunidade, e ambos subjugados pela repressão violenta por parte do aparato policial militar do Estado, que por sua vez não lhes garante as condições mínimas de cidadania. Com algumas reações indignadas quanto à indiferença do nosso governo com a corrupção policial, o público em geral que compareceu aos debates após a exibição do filme firmava posição contrária à ocupação da Cisjordânia e o bloqueio de Gaza.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Imagino como essas pessoas estão se sentindo envergonhadas com a sangrenta ofensiva militar israelense contra a Faixa de Gaza que, até o momento em que escrevo, já matou mais de 100 crianças. São homens, mulheres, jovens e idosos que condenam a violência e reconhecem as injustiças históricas causadas ao povo palestino. Judeus que se declaram a favor de um Estado palestino convivendo com Israel ou um Estado binacional. Gente que ama seu país e por isso optou por viver na terra dos seus antepassados apesar do conflito. Mas gente que acredita, acima de tudo, que o mal não é e jamais será a melhor solução.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-1613578020407282500?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/1613578020407282500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=1613578020407282500' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1613578020407282500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1613578020407282500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/01/melhor-soluo.html' title='A melhor solução'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-584333249704750901</id><published>2009-01-03T21:36:00.007-02:00</published><updated>2009-01-04T13:00:08.910-02:00</updated><title type='text'>De coração alforriado</title><content type='html'>Foi uma semana sem internet, justo quando mandei o laptop para uma revisão e os compromissos de fim de ano se amontoaram, com os irmãos e amigos queridos vindos de outros estados para passar as festas no Rio. Esse Rio que nunca decepciona, e recebe todo mundo com tempo bom e programação variada para atender a todos os gostos, principalmente os bons gostos, diga-se de passagem, pois falsa modéstia nunca foi o nosso forte por aqui. De forma que, impossibilitada tecnicamente, não publiquei a crônica de praxe, comentando o ano que passou e fazendo votos de Feliz Ano Novo. No entanto, quero agradecer aos meus poucos, porém fiéis, leitores pelos últimos doze meses de boa vontade, desejando contar com a sua generosidade pelos próximos 365 dias que, acreditem (e aproveitem!), passarão mais depressa do que os anteriores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso, mais uma vez cumpri o ritual de passagem com tudo o que ele pode proporcionar, do fator psicológico ao emocional, para o bem e para o mal. Desta forma, compareci aos “chopinhos” com os diferentes grupos de amigos, o grupo da última viagem inclusive, fui aos almoços de confraternização de trabalho, às reuniões de família, e até a comemoração de fim de ano dos funcionários do prédio, com direito à feijoada no pratinho de papel. Fui também, como faço de uns anos para cá, à festa de Iemanjá, agora oficialmente comemorada no dia 29 de dezembro, em Copacabana. Festa que já foi a grande atração das noites de réveillon no Rio de Janeiro, mas aos poucos foi sendo empurrada para os cantos da praia, enquanto crescia a afluência para assistir à queima de fogos da meia noite do dia 31. Concentrada em minhas preces, comprei flores brancas em uma das muitas barraquinhas espalhadas ao longo da Avenida Atlântica e as ofereci à Rainha do Mar. Molhei o pé na água fria do Atlântico Sul e lancei às ondas os meus pedidos mais recônditos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois, preparada para encerrar mais um ano, disposta a não olhar saudosa para trás, voltei à Avenida Atlântica para a noite de réveillon. E foi linda a noite de réveillon em Copacabana. Desta vez, com duas amigas paulistas hospedadas no Hotel Pestana, de frente para o mar, pude acompanhar a festa dede o início. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mesmo um espetáculo sem igual. Você olha lá de cima, ainda com a luz do dia, e vê a larga faixa de areia branca, quase vazia. Em seguida vai o mar se aprofundando no azul. Parece tudo tão calmo... Aos poucos, enquanto escurece, vão chegando as pessoas vestidas de branco. Vêm também os navios transatlânticos, um a um, se enfileirar diante de nós. Com o relevo desenhado em luzezinhas decorativas, eles ficam ali parados, compondo com outros barcos, de todos os tamanhos e igualmente iluminados, um cenário que, de tão deslumbrante, parece até artificial.          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às nove horas, a praia já está lotada. Um amigo passou para me buscar para irmos juntos a um jantar. Abrimos a primeira garrafa de champanhe. Brindamos os quatro e saímos eu e ele antes da chuva rala que caía apertar. Fomos a passos largos pela Avenida Atlântica por três ou quatro quarteirões, buscando as marquises para nos proteger. Mais gente chegando. A ansiedade festiva no ar. Ambulantes vendendo de tudo na bagunça organizada que costuma ser a tônica desta celebração popular. Uma festa bem família a de Copacabana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos sem muito nos molhar a um dos prédios mais tradicionais da beira mar. Um edifício imponente, em estilo neoclássico, batizado com o nome de Presidente Tancredo Neves. Subimos, entramos, cumprimentamos e ceamos. Fomos para a imensa varanda do apartamento assistir à queima de fogos de camarote, com outros oitenta convidados. Lá em baixo, a multidão de branco fervia. Meia noite! O show começou. Foi mais bonito do que nunca, com as balsas mais distantes da orla, permitindo uma visão melhor de qualquer ponto de vista. E havia novidades: contornando a linha da praia, os fogos saindo de dentro da água como chafarizes que desciam em cascatas luminosas se alternaram durante os vinte minutos da queima anual. Foi lindo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos encantados. Na saída do prédio eu li outra vez o nome do ex-presidente eleito pelo Colégio Eleitoral, mas que só tomou posse no coração dos brasileiros. Estavam ali brincando e bebendo muitos dos que choraram naquele distante ano de 1985. A morte de Tancredo foi um trauma para a nação. Mas passou, com o tempo tudo passa... No caminho de volta, despedi-me das tristezas do ano que terminou. Vou guardar para sempre a saudade, porém sem traumas e sem dor. E assim, leve e solto, meu coração alforriado foi atrás de um bloco de foliões prematuros que desfilava pela avenida. Fantasiados de anjos, com túnicas brancas e auréolas prateadas, já roucos e trôpegos, eles saudavam o Tempo com a tradicional cantiga: “Adeus ano velho / Feliz Ano Novo!”    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-584333249704750901?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/584333249704750901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=584333249704750901' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/584333249704750901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/584333249704750901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2009/01/de-corao-alforriado.html' title='De coração alforriado'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8252740152898373251</id><published>2008-12-28T22:32:00.006-02:00</published><updated>2008-12-29T00:51:02.349-02:00</updated><title type='text'>Roberto Carlos Querido</title><content type='html'>Para mim, este foi o natal mais movimentado dos últimos anos. Começou já na terça-feira, dia 23 de dezembro, com os preparativos para a ceia. Enquanto eu me encarregava das sobremesas, meu filho mais novo assava o peru, que ele mesmo escolheu, comprou, temperou e recheou com farofa de miúdos. É formidável notar como esses programas de “chefs” dos canais de TV a cabo estimulam os homens a ir para a cozinha. Pois meu filho acima de tudo surpreendeu com o resultado; o peru de natal foi o maior sucesso da nossa ceia do dia 24. Mesmo competindo lado a lado com outros pratos típicos desta época do ano que, seja pelas receitas especiais ou pelo capricho com que são preparados, costumam arrancar suspiros dos comensais. E como boa ceia de natal é sempre muito farta, no dia seguinte ainda teve o enterro dos ossos, que durou a tarde toda, entrou pela noite e só acabou quando saiu o último convidado, quase às dez e meia da noite. Aí, eu só tive tempo de tomar um banho e correr para ver o especial de fim de ano do Rei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a tempo de assistir ao melhor do programa: Roberto Carlos e Caetano Veloso esbanjando no palco seu charme irresistível de homens maduros, seguros, bonitos e muito bem tratados. Juntos interpretaram as belíssimas "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos", que Roberto Carlos fez em homenagem a Caetano e entregou ao baiano quando foi visitá-lo no exílio, em Londres; e "Força Estranha", que Caetano compôs e deu para o Rei gravar. E ainda teve um tostãozinho de "Teresa da Praia", de Tom Jobim, com o duo afetando uma deliciosa malícia, meio cafajeste e tão carioca. Quanto talento, meu Deus! Como eles cantam bem, e compõem melhor ainda, ou seria o contrário? Tanto faz. Importa mesmo que os dois iluminaram a cena com sua cumplicidade brejeira. E demonstraram um carinho recíproco tão espontâneo e contagiante que, mesmo do lado de cá da tela, me fez sentir afagada... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, quase em transe, lembrei-me de um episódio ocorrido há muitos anos, nesta mesma época, num balcão da antiga Mesbla, no Passeio. As filas dos caixas estavam quilométricas, depois de pagar, o cliente ainda deveria ir a outro balcão pegar as compras e a outro mais se as quisesse embrulhadas para presente. Pois justo na minha vez de ser atendida, chegando ao último estágio do sacrifício consumista natalino, começou a tocar no alto-falante da loja o novo LP do Roberto. A balconista então não teve dúvidas; largou minhas compras sobre as folhas de papel estampadas de Papai Noel, soltou os braços, levantou o rosto, fechou os olhos e, depois de um longo e profundo suspiro, declarou em alto e bom som: “Ah..., Roberto Carlos querido, como eu te amo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8252740152898373251?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8252740152898373251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8252740152898373251' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8252740152898373251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8252740152898373251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/12/ah-roberto-carlos.html' title='Roberto Carlos Querido'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-2279508430613017115</id><published>2008-12-24T12:36:00.006-02:00</published><updated>2008-12-26T19:06:27.867-02:00</updated><title type='text'>Noite Feliz</title><content type='html'>Eu ontem fui ao cinema assistir a um filme que me tocou imensamente, “O menino do pijama listrado”. Tanto que me fez mudar de idéia quanto ao artigo que iria escrever para marcar a data de hoje, dia do Natal. Trata-se de uma fábula, sobre um dos mais horrendos acontecimentos da história da humanidade, contada com tal delicadeza que leva o espectador a enfrentar, desamparado, a brutalidade das situações apresentadas. O cenário é a Alemanha, em plena Segunda Guerra Mundial. A narrativa começa com a promoção e transferência de um oficial para um novo posto de comando. Com isso, sua família, que vivia numa confortável casa em Berlim, vai descobrir, na nova morada, e na própria pele, toda a monstruosidade do holocausto ignominiosamente disfarçada na ideologia do progresso e da superioridade de uns sobre outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A começar pela nova residência, nos arredores de Auschwitz, de arquitetura fascista, imponente e opressora, o filme - baseado no livro homônimo do irlandês John Boyne - narra de forma quase que alegórica as transformações na vida de Bruno, de oito anos. De índole aventureira, o garoto se põe a explorar as proximidades e descobre que há uma fazenda ali perto, onde vive uma gente que usa pijama listrado. Curioso, ele escapole com freqüência da vigilância da família para ir ter com o menino do título, que mora do outro lado da cerca de arame farpado. A partir daí, o curso dos acontecimentos irá mostrar que tanta crueldade só foi possível com o apoio da indiferença de uma  maioria silenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saí do cinema e me deparei com a cena corriqueira de uma família dormindo na rua, a metáfora de “O menino do pijama listrado” se materializou no meu íntimo. E a cerca de arame farpado se fez presente, ali, em plena Avenida Visconde de Pirajá. Entre mim e aquele garoto de aproximadamente oito anos, dormindo com a cabecinha no chão, havia um obstáculo intransponível, erguido pelo hábito da minha indiferença. O que fazer? Como viver num mundo com essa monstruosa desigualdade? Ainda mais agora que sabemos o quanto de dinheiro foi disponibilizado para resolver a crise financeira. Enquanto as crises humanitárias – como a do Zimbábue que já dura sete anos - são praticamente ignoradas.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não quero ir tão longe. Aprendi que a preocupação com a fome em outro continente pode ser uma forma de escape. Em “Os irmãos Karamázov”, comentando os fundamentos da doutrina cristã, Dostoiévsky faz uma reflexão da maior relevância para nós aqui e agora. Entre outras belas e próprias digressões teológicas, o gênio da literatura russa comenta que amar o distante é fácil, difícil mesmo é amar o próximo. E o próximo não é a minha mãe, não são meus filhos, meus irmãos, meus sobrinhos e afilhados. Esses são os meus, assim como há os seus. Próximo é o garoto de rua da nossa rua; são os mendigos da porta do nosso escritório; é a população das favelas, com quem lidamos com irresponsável desdém. Assim, eu desejo a todos os que sabem o que significa uma Noite Feliz, um esforço para além da indiferença cúmplice. Vamos começar lançando ao nosso redor um olhar solidário. E tentar construir um mundo de paz e amor para os meus, os seus e o próximo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-2279508430613017115?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/2279508430613017115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=2279508430613017115' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2279508430613017115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2279508430613017115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/12/noite-feliz.html' title='Noite Feliz'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-2923489076784812855</id><published>2008-12-19T12:23:00.001-02:00</published><updated>2008-12-19T12:25:12.348-02:00</updated><title type='text'>Pra dançar...</title><content type='html'>E lá fomos nós, um grupo de cinqüentões, assistir ao show da Madonna no Maracanã. Somos todos amigos de longa data e já dançamos muito ao som da cantora americana, desde os idos dos anos oitenta, nos tempos da explosão do videoclipe. Época em que sua imagem loiríssima invadiu telas e telões do mundo todo instigando imaginários femininos e masculinos com sua sensualidade agressiva, e abismando os puristas do rock com sua postura assumidamente pop. Ainda que nenhum de nós seja fã de carteirinha de Madonna, fomos todos influenciados de alguma maneira por seu discurso iconoclasta. Isto aconteceu antes da ditadura do politicamente correto, portanto, um tempo em que era permitida alguma transgressão, o que nos faz de certa forma cúmplices tardios da “Material Girl”.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos cinco amigos entre mulheres e homens, e cada qual tinha comprado seu ingresso em dias e locais diferentes, portanto, quando nos encontramos para “esquentar os tamborins”, antes de partir para o estádio, foi que percebemos que os horários marcados nas entradas eram diferentes. Aí começou a cisão no grupo, estava na hora se o show fosse às oito da noite, porém cedo demais se o espetáculo só começasse às nove. Em nome do coleguismo todos cederam e depois de mais uma “saideira” nos enfiamos em dois taxis que nos deixaram em frente às filas, que andavam em sentidos contrários ao redor de todo o Maracanã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que parecia confusão era, na verdade, organização espontânea do público que seguia disciplinadíssimo para as arquibancadas. Essas, por sua vez, estavam divididas em 1 e 2, o que para o nosso grupo foi um transtorno inesperado. Acontece que, até então, nenhum de nós sabia que o ingresso da arquibancada 1 não daria acesso à arquibancada 2. E estaríamos irremediavelmente separados nas horas seguintes não fosse a farta venda de bilhetes em frente ao Maracanã. E não eram apenas os cambistas em ação, havia gente como um casal jovem que queria vender dois bilhetes por um quarto do preço original. Com jeitinho, conseguimos que eles trocassem os seus (de nº 1) pelos nossos (de nº 2) por uma gorjeta de vinte reais. E assim entramos todos juntos, agora com bilhetes iguais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda era cedo e deu para pegar lugar em baixo da marquise. O que foi muito bom porque, dez minutos antes do show, a chuva, que ameaçava cair desde as primeiras horas da tarde, despencou sobre o estádio e não deu trégua até Madonna deixar o palco, às dez e meia da noite. Não dá pra dizer que o mau tempo não atrapalhou. É claro que ter um assistente protegendo a cantora o tempo todo com um guarda-chuva tirou um pouco da magia cênica do espetáculo que é um pouco como o “Cirque du Soleil”. Mas com uma incansável Madonna capturando os sentidos do público, como um prestidigitador que transforma em ilusão a visão de toda uma audiência.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas duas horas de espetáculo a loura não parou em cena. Eu diria até que se há alguém no mundo capaz de assobiar e chupar cana ao mesmo tempo deve ser Madonna. Como pode uma mulher de cinqüenta anos pular corda durante um tempão e sair cantando com o mesmo fôlego de antes, sem nem uma desafinadinha? Não que o show seja apenas um espetáculo de malabarismo. Também não é uma banda de rock. Mas tem atitude de sobra, pois Madona põe uma pitada de sacanagem em tudo o que faz. Quando a malícia não está explícita, vem no subtexto. Além disso, as projeções dialogam com a cantora o tempo todo; os efeitos visuais são deslumbrantes; os figurinos são de um tremendo bom gosto; os bailarinos são um show à parte e a música... ah, a música é pra dançar, ora bolas. E Madonna deu conta do recado: fez o público sacudir por duas horas sem parar. Ao final, fomos todos embora, inclusive o grupo dos cinqüentões, com alma de adolescentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-2923489076784812855?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/2923489076784812855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=2923489076784812855' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2923489076784812855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2923489076784812855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/12/pra-danar.html' title='Pra dançar...'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-6041008211780678153</id><published>2008-12-14T11:52:00.005-02:00</published><updated>2008-12-14T13:08:00.057-02:00</updated><title type='text'>Al mare</title><content type='html'>Não sei se deu para perceber por outros textos deste blog que eu moro debruçada sobre a Baía de Guanabara. Vivo num décimo sexto andar, num ângulo tal da  Avenida Rui Barbosa que o meu terraço, embora pequeno, funciona como um posto avançado sobre o mar. Daqui, vejo todos os dias a águas agitada do oceano entrar pela barra e vir calmamente se aninhar aos pés do Pão de Açúcar. Por isso, eu mesma tenho quase que como uma obrigação ir, a cada intervalo entre uma tarefa e outra, conferir o movimento no acidente geográfico mais bonito do Brasil. E como quase tudo desde esse ângulo privilegiado se transforma num acontecimento extraordinário - porque só a beleza da paisagem aqui já é um acontecimento extraordinário - , imagine você com o movimento dos barcos, os navios saindo e entrando na barra, as mudanças de luz, os efeitos climáticos e os fenômenos astronômicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é para me esquivar da inveja do leitor que vou me abster de descrever o espetáculo que a lua cheia resolveu fazer bem defronte da minha sacada neste final de semana. É principalmente porque o meu talento de escritora fica muitíssimo aquém do mínimo necessário para dar conta do recado. E também porque tenho agora uma coisa mais urgente pra contar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao meu posto avançado, faz tempo que venho observando o aumento da freqüência de barcos de passeio turístico às voltas pela Baía de Guanabara. Antes, havia apenas um que saía aos domingos e vinha apitar bem em frente aqui de casa, às dez da manhã em ponto. Era de amargar, para mim e todos os boêmios da vizinhança, porque madrugar num dia consagrado ao descanso deixa qualquer um de bofes virados. Mas, passado o mau humor involuntário (com devem ser todos os maus humores, suponho), eu ia para o terraço com a minha xícara de café e deslumbrada pela  paisagem, começava a criar coragem para ultrapassar o dia internacional da angústia e tentar chegar, sem maiores danos, à segunda-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, começaram a aparecer outros barcos desse tipo por aqui. Primeiro passavam apenas durante o dia, e isso nunca me comoveu de todo. Mas quando começaram os passeios noturnos, com música alta, feito festa de embalo, aí minha curiosidade se aguçou e tive uma vontade enorme de estar lá, nem que fosse como uma mosquinha, ou outro inseto qualquer que, por sua característica insignificância, pode bisbilhotar nos meios mais impróprios. E aí, eu podia estar aqui escrevendo, ou conversando ao telefone, ou distraída nas páginas de um romance qualquer que, bastava ouvir o som da festa no barco, ia correndo lá pra fora devanear com o que poderia estar acontecendo naquela que eu imaginava uma orgia de prazeres sem igual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois na sexta-feira eu mesma era um dos convidados da festa num barco que sairia às dez da noite da marina da Glória e seguiria seu itinerário num passeio pela orla da Baía de Guanabara até as duas e meia da manhã. Foi a festa de final de ano de uma empresa para seus clientes e fornecedores do Rio e de São Paulo. Eu fiz parte da turma dos amigos do dono que, naturalmente, contribuiu para tornar o ambiente a bordo menos formal. Se bem que num barco, em fim de ano (e um ano desses!), não há formalidade que resista a três rodadas de uísque. E assim foi que saiu uma lua do tamanho de um bonde sobre nós e a festa rolou com dança e jantar e muito papo, e a confraternização foi geral entre paulistas e cariocas, e às quatro da manhã estávamos desembarcando na marina os cerca de cem convidados mais alegres que eu já vi. Foi uma festa careta, como vocês puderam perceber. E isso é muito legal porque eu não precisei ser mosca pra comparecer, bastou um longuinho de jérsei, uma pashimina e uma rasteirinha pra me divertir a valer. E o melhor: não teve marchinha de carnaval! &lt;br /&gt;Ainda bem, porque o fim de semana é de Madonna, e eu vou ficando por aqui, pois devo estar no Maracanã as oito horas em ponto. Até lá, torço para o tempo firmar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-6041008211780678153?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/6041008211780678153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=6041008211780678153' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6041008211780678153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6041008211780678153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/12/al-mare.html' title='Al mare'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-4669905669821770945</id><published>2008-12-09T17:42:00.007-02:00</published><updated>2008-12-16T19:15:15.606-02:00</updated><title type='text'>Governo ou desgoverno?</title><content type='html'>Não sou chegada a uma sessão nostalgia, nem acredito muito nessa história de que recordar é viver. Mas quando vi no jornal, na semana passada, a fotografia de uma dona-de-casa lavando roupa na laje, no topo do Dona Marta, tendo ao fundo o corcovado redentor, senti uma tremenda saudade da cidade que o Rio de Janeiro foi um dia. Nem tanto o Rio que eu vivi, mas o Rio do meu imaginário, o “Rio, 40 Graus”, o Rio de “Orfeu do Carnaval”, o Rio dos anos dourados... da época do lotação... quando os porteiros mais antigos eram verdadeiras instituições na redondeza, e os mendigos eram poucos e folclóricos, cada bairro tinha o seu. Uma cidade na qual menino de rua era um status desconhecido da população. Tanto na Zona Sul quanto na Zona Norte, porque a Zona Oeste nem tinha propriamente população. Enfim, um Rio que não existe mais.           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí do devaneio saudosista por um lampejo de otimismo trazido por outras notícias tão auspiciosas quanto a da ocupação que livrou o Dona Marta do tráfico de drogas. Uma foi o lançamento no Complexo do Alemão do projeto Território da Paz, com o objetivo de afastar os jovens da criminalidade e aproximar a polícia do dia-a-dia da comunidade. Outra é o esforço da Secretaria de Segurança para acabar com o crime organizado na Cidade de Deus, em Jacarepaguá, e devolver a comunidade aos moradores de bem. Segundo dados da própria Secretaria, a operação, com início em 11 de novembro, já mostra uma diminuição pela metade, em média, dos crimes cometidos no bairro da Zona Oeste em relação ao mesmo período do ano passado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria muito bom que esse estado de coisas se efetivasse, tanto para os moradores das favelas quanto para os dos bairros adjacentes. Porém há fatores a serem examinados, porque a ocupação social que deve substituir a policial só está prevista para o morro de botafogo, bem menor do que as outras comunidades supracitadas. Ora, o sucesso da operação no Dona Marta, com população de 4.500 pessoas, é resultado de um trabalho de inteligência que reuniu agentes das Polícias Federal e Militar combinado com patrulhamento ostensivo. No entanto, para ocupar as 700 favelas do Rio e Região Metropolitana seriam necessários 70.000 policiais, segundo Milton Corrêa da Costa, um especialista na área de segurança.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei qual é o efetivo a PM hoje, mas com certeza é consideravelmente menor do que o indispensável para vencer a luta contra a violência na cidade. Logo, para dar prosseguimento à política de enfrentamento, o governo do estado já teria que estar concursando e treinando policiais a toque de caixa e em número expressivo. Além de promover programas de capacitação  e  implementar um plano habitacional para garantir aos policiais o acesso à casa própria - como forma de valorizar a profissão. Porém, nada vai funcionar sem que seja costurado um pacto entre executivo e judiciário no sentido de promover uma limpeza em regra nas forças policiais civis e militares do Rio de Janeiro, afastando os elementos corruptos e punindo-os de forma exemplar. Pois o que há de mais preocupante agora – e seria desolador para o carioca - é a possibilidade do governo tirar o tráfico das comunidades para entregá-las de mão beijada às milícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;********************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-4669905669821770945?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/4669905669821770945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=4669905669821770945' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4669905669821770945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4669905669821770945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/12/governo-ou-desgoverno.html' title='Governo ou desgoverno?'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-127611993193513241</id><published>2008-12-07T11:19:00.000-02:00</published><updated>2008-12-07T11:20:28.779-02:00</updated><title type='text'>Ménage à Trois</title><content type='html'>Se estivesse almoçando com minhas amigas num restaurante em Ipanema e o assunto surgisse, começaria por dizer que a-do-ro Woody Allen. Como já devo ter feito algumas vezes, ainda mais incentivada por taças e taças de Puilly-Fumé gelado, que um Sauvignon Blanc desses leva a gente ao exagero. E não estaria mentindo, mas cometendo o pecado da heresia, pois, segundo a minha avó – que a-do-ra-va cortar a minha onda –, adorar só a Deus. E graças a Deus as admoestações de vovó serviram para ajuizar minhas avaliações e me fazer levar em conta que quando a gente escreve, faz mais do que lançar palavras ao vento nas esquinas chiques da Visconde de Pirajá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, voltando ao assunto, gosto muito dos filmes de Woody Allen, mas este último, Vicky Cristina Barcelona, é menos que uma bobagem. Vamos combinar que há bobagens e bobagens adoráveis, como “Bananas”, no qual Allen satiriza tanto a CIA quanto o ativismo político de esquerda. E “O Dorminhoco”, uma crítica hilária aos governos autoritários e à submissão do homem à tecnologia. E esta é justamente a grife do diretor: além de diálogos brilhantes, um olhar inusitado e crítico sobre os temas abordados em seus filmes. O meu preferido é “Noivo neurótico, noiva nervosa”, um tratado genial sobre os relacionamentos amorosos. Mas há outros ótimos disponíveis em DVD, para assistir no aconchego do lar, em boa companhia e, quem sabe, saboreando um Pinot Noir do Vale de Casablanca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, de volta ao xis da questão, menos que uma bobagem, “Vicky Cristina Barcelona” é uma chatice feita de encomenda para divulgar o turismo na região da Catalunha. Se bem que para apreciar as deslumbrantes locações da fita vale uma ida ao cinema numa quarta-feira, quando a entrada custa metade do preço. Já que o diretor colocou seu reconhecido dom de revelar fotogenias metropolitanas a serviço da cidade do título. E fez a arquitetura inspirada de Gaudí e a arte de Miró contracenar com atores bonitos que bebem vinho o tempo todo. Dá até vontade de abrir um ALTO, de Ribera Del Duero, aquele tinto com gosto de férias na Espanha.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, o filme mostra uma gente que consome muito, e coisas caras. São hotéis de luxo, iates, carros conversíveis e até avião particular para contar a breve história de um triângulo amoroso pouco convincente. Pode-se dizer que Javier Barden dá conta do recado ao encarnar um pintor blasé dependente de companhia feminina. Scarlett Johansson (linda de morrer) faz o que pode para dar algum brilho à superficialidade da jovem americana em busca de aventuras mediterrâneas. Já Penélope Cruz (muito linda também), no papel da ex-esposa neurótica, consegue apenas fazer a caricatura da artista espanhola de sangue quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que Woody Allen tenha desperdiçado a sua vez de abordar um tema que já foi tratado com maestria por alguns dos grandes cineastas. Para escolher apenas um, fico com Jules e Jim, de François Truffaut, com Jeanne Moreau na pele de Catherine, uma mulher para dois. Passado na Paris do início do século XX, o filme narra com poesia a evolução de um triângulo amoroso antes e depois da Primeira Guerra Mundial. E evoca, em menos de duas horas de projeção, desde as frivolidades da belle époque até as cicatrizes do pós-guerra. Não é só mais uma historinha de ménage à trois, como “Vicky Cristina...”. Ao contrário, é uma bela homenagem ao amor e à amizade. E os personagens de Truffaut, saídos do romance de Henri-Pierre Roché, não são feitos apenas de aparência e hedonismo. São alegres, sim, porém controvertidos, e capazes de sentimentos de renúncia e compaixão. Porque a vida é mais do que um pilequinho de Dom Pérignon num sarau ao luar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-127611993193513241?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/127611993193513241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=127611993193513241' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/127611993193513241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/127611993193513241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/12/mnage-trois.html' title='Ménage à Trois'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-2443041739160161513</id><published>2008-12-01T17:56:00.006-02:00</published><updated>2008-12-06T00:18:14.067-02:00</updated><title type='text'>Espetáculo carioca</title><content type='html'>O sol, enfim, apareceu para colorir as águas plácidas da Baía de Guanabara. O Pão de Açúcar despontou da neblina, enigmático e liso. Qual esfinge bruta, a pedra monumental montou guarda sobre a entrada da barra... Um cargueiro preguiçoso apitou sua chegada . A manhã já vinha alta. O horizonte limpo revelou a curva branca de Niterói para o Rio, que há dias jazia imerso em nuvens carregadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O albatroz cortou o céu de brilho transparente e convidou-me para um passeio à beira-mar. Aceitei o chamado da alegria e deixei todo o resto para depois. Vesti um biquíni estampado e fui sentir de perto o espetáculo carioca.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessei o parque por entre as árvores de restinga... No deque da praia, o grupo dos mais velhos saudosos de sol cocoricava excitado, como fazem no terreiro as aves de vôo curto. Na primeira curva enrocada, encontrei Mara Mineira, catadora de mariscos, com sua cavadeira e luvas de operário. Ela me disse que entrava na briga das pedras contra o mar, contando tirar a féria de uma semana no primeiro dia de calmaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei pela beirinha, a água salgada gelando meus pés... Fui de um lado para outro vendo as crianças brincar... Passei pelo pescador de primeira viagem lutando com um caniço que teimava em esticar uma linha de todo má. Desviei rápido, para fugir da degola, e fui me esticar sobre a canga bem junto ao mar. Deitei de bruços e deixei maresia entrar pelos sete buracos da minha cabeça. Um avião riscou o céu levando meus pensamentos para Havana. Escrevi com a ponta do dedo o nome dele na areia, a onda veio e lambeu as quatro letrinhas de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;********&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-2443041739160161513?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/2443041739160161513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=2443041739160161513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2443041739160161513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2443041739160161513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/12/um-dia-bem-carioca.html' title='Espetáculo carioca'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-7331779666984118489</id><published>2008-11-24T10:57:00.002-02:00</published><updated>2008-11-25T12:40:04.260-02:00</updated><title type='text'>Evolução dos costumes</title><content type='html'>Um amigo meu contou que um amigo dele foi fazer um programa com uma garota num desses prédios do tipo balança mais não cai, onde as paredes são tão finas que se pode ouvir o som da televisão no apartamento vizinho. Lá, durante a transa, a moça começou a falar cada vez mais alto: “Gostoso, gostoso...”  Ao que ele, receoso de um escândalo, pediu: “Fala baixinho.” Ela então não teve dúvida; e emendou aos berros: “Baixinho gostoso, baixinho gostoso...”   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sabido que as mulheres têm essa capacidade quase instintiva para agradar aos homens visando alguma recompensa pecuniária, social, ou afetiva. Não raro, testemunhamos manifestações de adulação exemplares, como a piada aí em cima, ainda que em circunstâncias diferentes. Outro dia, num jantar para poucos convidados, ouvi a jovem namorada de um sessentão declarar que chegou a chorar num show de Michel Legrand, ao qual os dois assistiram juntos para comemorar o aniversário dele. Se ainda fosse a Edit Piaff, vá lá. Mas é difícil acreditar que alguém da geração que se esbaldou ao som de Madonna agüente duas horas da música hiper-sentimental do compositor mais meloso do cinema, ao ponto de verter lágrimas de emoção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser que a prerrogativa feminina para fingir prazer sexual seja automaticamente estendida a outras facetas da relação com o sexo oposto. Oposto, sobretudo, nesse quesito, em que o homem, ao contrário da mulher, é limitado pela própria natureza.  &lt;br /&gt;Talvez o aspecto fisiológico combinado à pesada repressão da mulher no curso da História tenha impedido a prostituição masculina de se desenvolver e estabelecer. Porém, acredito que, com a crescente emancipação feminina, exista hoje uma demanda cada vez maior por serviço sexual masculino. Já que há cada vez mais mulheres sem disponibilidade, circunstancial ou não, para investir em relacionamentos onde teriam que modelar suas personalidades para se ajustar aos pretendentes.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umas porque já são obrigadas a proceder desta forma no trabalho, e trabalham justamente para não serem submissas na vida pessoal. Outras porque pagaram um preço tão alto por sua independência que não suportariam capitular nessa altura do campeonato apenas para ter um homem pra chamar de seu. E há também as solteiras convictas ou viúvas que acreditam ter uma vida plena ao se dedicar em tempo integral à profissão, à família e aos amigos. Esperando ou não o parceiro ideal, mas sem fôlego para investir em aliança de compromisso, elas poderiam, no entanto, ter uma vida sexual ativa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou aqui fazendo a apologia da prostituição, bem entendido. Penso, contudo, que assim como há homens que não se sentem à vontade com o contrato comercial que o sexo profissional exige, há mulheres que, ao contrário, gostariam simplesmente de poder usufruir de tal conforto. Mulheres independentes e desimpedidas que por motivos conjunturais ou de temperamento mesmo preferem satisfazer seus desejos e fantasias  sem envolvimento afetivo. Nada mais justo. Além disso, a igualdade de opção para ambos os sexos só pode gerar maior equilíbrio na relação entre eles. E aí, as insuspeitadas afinidades eletivas é que mais contribuiriam para a decisão de os dois juntarem os trapinhos. Até porque não é toda mulher que agüenta passar os fins de semana ouvindo free jazz se o negócio dela for samba na veia.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*********************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-7331779666984118489?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/7331779666984118489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=7331779666984118489' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7331779666984118489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7331779666984118489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/11/evoluo-dos-costumes.html' title='Evolução dos costumes'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-9186746300513538765</id><published>2008-11-20T18:55:00.003-02:00</published><updated>2008-11-20T19:18:16.089-02:00</updated><title type='text'>Aconteceu? Virou Manchete!</title><content type='html'>Acabo de receber um e-mail de um amigo querido que mora em Israel, o Salomão Azaria, comentando sobre o livro “Os Irmãos Karamabloch”, do Arnaldo Bloch, sobre a ascensão e queda da Manchete e a saga da família do seu fundador Adolfo Bloch. Mas antes de dizer que “pelo que escreveram parece um livro interessante”,  Salomão faz a ressalva cuidadosa: "sei que eles ainda devem a você". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico agradecida pela delicadeza do amigo, mas devo dizer para o bem da verdade que quem me deve (e apenas dinheiro) é a empresa que ficou com o espólio da antiga emissora. Coisa que raramente me lembro por estar o processo caminhando na lenta justiça trabalhista brasileira. Processo que entreguei a Deus e aos meus advogados; e ponto final. Agora, quanto à Manchete, tenho as melhores lembranças dos anos em que trabalhei lá. Talvez, alguns dos melhores da minha vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, aprendi a escrever com o Justino Martins, grande jornalista e editor-chefe da revista Manchete na qual eu trabalhava como editora de moda. Toda semana, fechávamos juntos as cinco páginas de matéria assinadas por mim. Justino era um gentleman, corrigia meu texto com grande generosidade, dando-me ótimas dicas e incentivando minhas aspirações profissionais.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ambiente era ótimo nos prédios gêmeos da Editora Bloch. Duas torres de mármore, assinadas por Oscar Niemeyer, de frente para a Baia de Guanabara. Os funcionários tinham livre acesso aos donos da empresa, almoçávamos todos no mesmo restaurante, num espaço deslumbrante, à beira da piscina, em mesas redondas de jacarandá e tampo de carrara, com talheres de prata e bufê do Severino. O mesmo chefe que fazia as festas da família e que supervisionava pessoalmente o serviço dos garçons, os quais, impecáveis, vinham às mesas servir água gelada em pesadas jarras de prata. E Severiano ficava por ali, o tempo todo observando se a refeição estava do nosso agrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da família Bloch em geral, tenho ótimas lembranças. De alguns tenho muitas saudades. A minha maior amiga era a divertidíssima Eveline, filha do Oscar e da Inês, de quem fui madrinha de casamento, numa cerimônia digna da mais autêntica realeza. Eveline já se foi, deixando um cantinho vazio e triste no meu coração. Assim como a irmã dela, Cláudia, de quem eu gostava muito também. De Carlinhos, o irmão, guardo um terno carinho.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da casa do Oscar e da Inês, freqüentei o apartamento do Adolfo e da Anna Bentes, no edifício Chopin. Eles me convidavam sempre para jantares em pequenos grupos onde pontificavam mulheres bonitas e homens inteligentes.  Algumas dessas noites foram memoráveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na televisão, me aproximei mais do Jaquito, pois o Adolfo não gostava nem de pisar no quarto andar, onde funcionava o jornalismo da emissora. Diziam que ele dizia que na televisão só tinha ladrão. Mas se para a maioria dos funcionários o sobrinho do dono era uma pessoa complicada, para mim era um camarada. Nossa relação era firmada na base de respeito e consideração. Lembro de ter ido um dia tomar café da manhã na casa dele, no apartamento da Avenida Atlântica. Lá, com a Dóris, sua esposa, e toda a família à mesa, inclusive o pequeno Boris, o caçula, conversamos sobre as dificuldades pelas quais já passava a Manchete, com o atraso dos nossos salários e tudo o mais. Era desta forma que os Bloch tentavam resolver as coisas.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois rolou muita água por baixo da ponte. A empresa fechou e eu me mudei para Curitiba. Fui trabalhar na CNT, onde estava feliz, ganhando bem e, exatamente por isso, não quis voltar quando a Manchete reabriu.  No mais, guardo a melhor lembrança daqueles anos dourados e dos grandes colegas que me ajudaram a conquistar um enorme sucesso junto ao público e à crítica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos, destaco a generosidade de Ronaldo Rosas, um  estupendo apresentador de telejornal e uma das companhias mais agradáveis que tive na vida. Nunca flertamos, mas também, nunca nos estranhamos. Tínhamos a mesma posição político-partidária e nos intervalos das matérias nossas críticas e opiniões eram de uma coincidência impressionante. Acho até que a nossa amizade era alvo de ciúmes dos diretores de jornalismo e alguns colegas de trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro companheiro inestimável foi o Miele. Homem de elegância singular, tem o dom de transformar o  trabalho em prazer.  Foram dois anos de programa juntos e eu só vi o Miele (que também era o diretor) se zangar com a equipe uma única vez. Em seguida ele foi ao meu camarim se desculpar de algum mau modo que por ventura tivesse feito na minha presença. Ele e sua Anita formam um casal adorável que sempre me encanta rever. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso, só posso agradecer um dia ter conhecido a família Bloch, e desejo um grande sucesso para o livro do Arnaldo, que foi meu colega de redação na TV Manchete e que é hoje, na minha opinião, um dos melhores colunistas da imprensa brasileira.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*********************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-9186746300513538765?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/9186746300513538765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=9186746300513538765' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/9186746300513538765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/9186746300513538765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/11/aconteceu-virou-manchete.html' title='Aconteceu? Virou Manchete!'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-214269625355724561</id><published>2008-11-08T14:17:00.002-02:00</published><updated>2008-11-09T14:51:07.667-02:00</updated><title type='text'>Seu João e a eleição americana</title><content type='html'>Quando na manhã da quarta-feira passada, depois de uma noite acompanhando a evolução das eleições nos Estados Unidos, abri a porta para o entregador do mercado entrar com as minhas compras, pensei: em que a vitória de Barack Obama vai mudar a vida deste homem? Seu João é brasileiro, negro e pobre. Não tem casa própria, não teve educação formal, sabe quando muito escrever o próprio nome, não tem carteira assinada e muito menos dinheiro na bolsa de valores. Que lhe importa se o presidente dos Estados Unidos saberá ou não lidar com uma economia em colapso se seu João vive do trabalho informal e se mantém na esperança de que pior do que está não pode ficar? Quando muito seu João se preocupa com a saúde da família. Aqui, ele votou no candidato que prometeu unidade de atendimento na favela onde mora. Os dois filhos do seu João não precisam mais de creche e a escola pública ele sabe que não vai faltar. Mesmo que eles não aprendam muito vão passar de ano e sempre saberão mais que seu João e a mulher, que lava roupa pra fora e faz diária em casa de família duas vezes por semana. Grandes drogas também para o seu João se o homem que vai governar os Estados Unidos é contra ou a favor do terrorismo. Logo pra ele que tem apenas uma vaga noção de que a torres existem para comandar os aviões e, se houve desastre, decerto foi com essa coisa de aquelas serem gêmeas, que isso sempre dá confusão. Ser contra ou a favor da proliferação nuclear também não diz respeito ao entregador do mercado, pois por mais que se esforce não consegue entender nem pronunciar os dois nomes em seqüência. Às vezes seu João está tão aporrinhado com o pouco dinheiro, a péssima condução, a magreza das crianças e a feiúra da mulher que quer mais é que o mundo se exploda. Seu João acha também que a mudança na política ambiental não lhe diz respeito, pois não dá a mínima se a exploração da indústria madeireira está acabando com a floresta tropical na Indonésia, não se preocupa com o aquecimento global e muito menos se a Monsanto ameaça a segurança alimentar do planeta. Seu João já vive no sufoco para garantir o arroz com feijão na hora da janta, e transgênico para ele é coisa de quem quer virar a mão. Acima de tudo seu João está se lixando para o fim das guerras americanas, pois a única guerra que tem a ver com o seu João é a do tráfico, que vez por outra o impede de chegar em casa depois de duas horas sacolejando num ônibus, ao cabo de um dia inteiro carregando peso e levando bronca do patrão. Além do medo de ver um dia os filhos metidos na bandidagem, de arma na mão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu via na minha cozinha aquele homem, negro retinto, retirando produtos orgânicos do engradado de plástico verde, pensei em lhe dizer que pela primeira vez na história um casal com a cor da pele igual a dele, com duas crianças da mesma idade das dele, iria morar na Casa Branca, e seria recebida nos mais belos e ricos palácios do mundo, e estaria protegida pelo maior aparato de segurança do planeta, e com isso transformaria para sempre o imaginário universal, seu João levantou a cabeça e me deu o sorriso humilde de sempre. E eu pensei que a melhor coisa que poderia fazer com a minha euforia era caprichar na gorjeta do seu João.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal do Brasil em 9/11/2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-214269625355724561?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/214269625355724561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=214269625355724561' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/214269625355724561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/214269625355724561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/11/seu-joo-e-eleio-americana.html' title='Seu João e a eleição americana'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-5952193228760758681</id><published>2008-11-07T10:58:00.001-02:00</published><updated>2008-11-07T11:01:25.673-02:00</updated><title type='text'>Conexões Urbanas</title><content type='html'>A expressão “visão suburbana” com conotação pejorativa pinçada de uma conversa particular do candidato foi parar nos jornais e o crivo ideológico do politicamente correto vetou qualquer possibilidade de justificativa para o que não tem mesmo conserto. No entanto, pela votação maciça que teve nas regiões mais abastadas, dá para concluir que esse eleitorado tratou com indulgência o velho cacoete de menosprezar o povo que mora “do outro lado” da cidade. Ainda bem que a qualidade do homem público foi avaliada pelo conjunto da obra e não por um momento fortuito de desabafo mal humorado e mal-educado. Pois está certo que a biografia de Fernando Gabeira, entre outras características louváveis da sua campanha, pesou no resultado da eleição mais disputada do Rio de Janeiro.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o soluço de preconceito, amplamente divulgado pela imprensa, e explorado de maneira previsível pela campanha adversária, calou fundo no coração do subúrbio e, na reta final, prejudicou o desempenho do candidato que já não era o do seu coração. E não poderia ser diferente, pois os moradores das regiões que mais sofrem com o abandono do poder público também se ressentem com a má vontade com que costumam ser recebidos na orla da Zona Sul. Via de regra, como aqueles que vão invadir sua praia. Daí para descontar nas urnas o sentimento – geralmente camuflado, mas nesse caso insuflado – de vítimas de segregação foi um pulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O flerte com o apartheid social existe mesmo e é realimentado sempre que representantes das comunidades carentes reverenciam modas e modismos das regiões mais abastadas. Um fluxo incrementado pelo poder que têm os formadores de opinião, invariavelmente instalados ali. Por isso, vale investir cada vez mais no refluxo, que ocasionalmente acontece de maneira espontânea, como no caso da música que sai dos guetos e ganha o mercado. Agilizar a troca de informação entre os dois lados do front com o objetivo de transformá-la em via de mão dupla é a tarefa a que se dedica o novo programa de TV originário da vontade de incluir as comunidades de baixa renda e o subúrbio carioca nos roteiros dos grandes eventos da cidade.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Idealizado e apresentado por José Júnior, líder do Afro Reggae, “Conexões Urbanas” foi definido por ele como um braço televisivo do movimento sócio-cultural que quer juntar e fortalecer os movimentos surgidos nas comunidades. Agora, com a divulgação na TV a cabo (todas as segundas-feiras, às 21.45h, no canal Multishow), o AfroReggae dá mais um passo em direção à integração cultural, no Brasil e no mundo, pois o programa ultrapassa as fronteiras nacionais para mostrar iniciativas de transformações sociais bem-sucedidas na América Latina, Europa e Ásia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade da periferia de regiões tão diferentes mostrada por quem fala do assunto com propriedade – José Junior lidera mais de 70 projetos sociais do Grupo Cultural AfroReggae, no Brasil e no exterior – deve funcionar como  antídoto para o preconceito que quase sempre nasce da desconfiança pela falta de conhecimento do outro, do diferente. Além disso, ajuda a entender que pode estar dentro de nós parte do problema que atormenta a todos, e romper com a indiferença é uma das maneiras de começar a resolvê-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acima de tudo, “Conexões Urbanas” é bom entretenimento. Tem projeto gráfico atraente, assim como roteiros bem construídos e coerentes com a proposta do programa. Apresenta experiências relevantes de resgate da cidadania em ações sociais alternativas, e mostra que o fenômeno da “cidade partida” não é uma exclusividade do Rio de Janeiro, mas um reflexo perverso da desigualdade econômica e social espalhada por todas as regiões do planeta. O conteúdo é valorizado pela qualidade técnica, e há criatividade na captação de imagens dispostas em edição ágil.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso, torço para que “Conexões Urbanas” seja bem-sucedido e lhe desejo vida longa. Só faço uma sugestão para reforçar seu espírito de congraçamento: em vez de escolher um local ícone de uma turminha descolada da Zona Sul, como aconteceu na festa de lançamento do programa, que a próxima data comemorativa seja festejada em uma das inúmeras casas noturnas da Lapa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o tradicional bairro boêmio está localizado na região central da cidade, onde há transporte coletivo para todos os bairros e outros municípios que formam o Grande Rio. Característica que proporcionou ao lugar se transformar em berço do hip hop carioca; que ali se misturou ao samba, ao reggae e ao rock, conferindo-lhe a legitimidade necessária para representar a conexão simbólica entre as pontas mais afastadas deste nosso sonho feliz de cidade.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado na Gazeta Mercantil em 7 de novembro de 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-5952193228760758681?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/5952193228760758681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=5952193228760758681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5952193228760758681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5952193228760758681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/11/conexes-urbanas.html' title='Conexões Urbanas'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8978176220313531304</id><published>2008-10-29T21:50:00.010-02:00</published><updated>2008-10-31T13:00:34.090-02:00</updated><title type='text'>Eleições e o Santo das Causas Impossíveis</title><content type='html'>A semana foi de rescaldo. Contaram-se mortos e feridos da campanha derrotada, avaliaram-se erros e acertos dos postulantes, e coube ao vencedor a batata quente de cumprir 86 promessas sob a vigilância acirrada de metade do eleitorado carioca (a vitória foi por menos de 1% dos votos válidos). Encontro-me entre eles e, apesar de desejar que o próximo prefeito faça uma boa gestão, ainda estou lambendo as feridas, de olho nas reportagens e analises do resultado das urnas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem mesmo soube que, de todos os bairros da Zona Sul, Gabeira foi mais bem votado em Laranjeiras e Cosme Velho (75,82%). Não me surpreendi. Já havia percebido o perfil interessante da gente que mora ali. Desde um ensolarado feriado de primeiro de maio, há alguns anos, pouco depois que me mudei de Santa Teresa para o Flamengo e passei a caminhar diariamente pelo Aterro. Naquele dia, uma quarta-feira, o parque estava mais vazio. Notei também que o público era diferente do que costuma freqüentar o lugar nos finais de semana; em geral pessoas do centro e da Zona Norte da cidade, que vêm em turmas grandes ou famílias numerosas, fazem churrasco, jogam bola e  lotam a areia da praia. Estes eram jovens casais de classe média aproveitando, com os filhos pequenos, o amplo espaço gramado e a beleza incomparável do paisagismo de Burle Max. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei intrigada. Mas logo tive um encontro esclarecedor. Cruzei com um conhecido, a mulher dele e dois filhos pequenos. Ele é dono de um sebo no Centro e me contava, naquela manhã, que costuma ir de bicicleta de Laranjeiras, onde mora, para o trabalho pela mesma ciclovia onde caminhávamos agora. Vários casais passaram por nós. Alguns pararam para conversar. Aproveitei para observar aquela rapaziada com estilo próprio, sem a ostentação e a padronização típicas da Zona Sul. Na atitude segura, no jeito despojado de se vestir, na conversa variada, e na atenção para com o outro, via-se que eram pessoas mais preocupadas em ser do que em ter. Mais interessadas em sentir do que em se exibir. A maioria morava em Laranjeiras. Fiquei encantada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali em diante, aproveitei toda oportunidade que tive para passear pelos bairros dos mais tradicionais do Rio. Fui pesquisar filmes brasileiros na cinemateca das Casas Casadas; vi a exposição de Nássara, no Espaço Cultural Trem do Corcovado; ouvi MPB no Mercado São José; assisti à peça de formatura da turma de teatro da Cal (Casa das Artes de Laranjeiras); tomei cerveja ao luar, na Praça São Salvador; comi feijoada e dancei na roda de samba da Casa Rosa Cultural (antigo prostíbulo da Rua Alice); levei meu amigo francês para conhecer o deslumbrante conjunto arquitetônico colonial do Largo do Boticário... E foram tão bons os programas - todos com algum apelo artístico ou cultural - que me tornei habitué das Laranjeiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto que não perdi a bênção de ontem, na igreja de São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis. Foi uma festa popular de toda a cidade. A fila para acender vela na gruta mais visitada do Cosme Velho ia até quase a entrada do túnel Rebouças, mas andava rápido. As pessoas levavam pequenos arranjos de rosas vermelhas com ramos de trigo dourado nas mãos. Ao longo da rua das Laranjeiras havia muitos ambulantes vendendo flores, velas, santinhos, flâmulas, fitas vermelhas e camisetas estampadas com a imagem do santo. Logo na entrada, um funcionário da igreja mergulhava uma brocha em um balde e mandava uma esguichada de água-benta na cara dos fiéis, lá dentro havia missa com preces e cânticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu assisti à missa em homenagem a São Judas Tadeu. Cantei e rezei pelo Rio de Janeiro. Também levei um banho de água-benta. E pedi ao Santo das Causas Impossíveis que não deixasse Eduardo Paes lotear os cargos da administração pública entre os treze partidos da aliança que o elegeu, não cedesse à pressão do deputado ligado à milícia que o apoiou e, principalmente, não colocasse em 2010 a máquina da prefeitura a serviço da reeleição do governador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8978176220313531304?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8978176220313531304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8978176220313531304' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8978176220313531304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8978176220313531304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/10/eleies-e-causas-impossveis.html' title='Eleições e o Santo das Causas Impossíveis'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-2224427231221781295</id><published>2008-10-27T14:16:00.012-02:00</published><updated>2008-10-31T13:40:08.611-02:00</updated><title type='text'>Amanhã será outro dia</title><content type='html'>O Rio não amanheceu cantando, nem os namorados foram pra rua em bando, contrariando a idílica imagem de Braguinha para a primavera na cidade. Ao contrário, desde o fim da tarde de ontem, o lado mais festivo da cidade emudeceu, recolhendo-se em seguida, como se quisesse fazer um ato de contrição. Não por arrependimento de não ter sido mais agressivo na campanha do seu candidato à prefeitura da cidade, que esse foi um dos muitos pontos pacíficos entre os eleitores de Fernando Gabeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais fácil acreditar que os cariocas dos bairros que formam a região do Centro, Zona Norte e Zona Sul estavam concentrados na reflexão sobre o grade passo que foi dado em direção a uma política maior, mais comprometida com valores como fraternidade e respeito às diferenças do que com preconceito e promessas difíceis de cumprir. Talvez porque menos carente do básico, esse eleitorado pode almejar padrões mais elevados de honestidade e probidade administrativa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fim de dirimir minhas dúvidas, fui logo cedo dar uma volta no bairro para os afazeres que costumo deixar para as tardes, mais frescas. Queria colher uma mostra do sentimento das ruas e para tanto conversei com a dona da tinturaria, a mãe do sapateiro, a caixa do supermercado e o farmacêutico da esquina. Outros fregueses ao redor também entraram no assunto, o que me fez estender a saída da costumeira meia hora para mais de uma hora e meia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu, pois de tudo o que foi dito, percebi que maior do que o desapontamento de ter perdido por tão pouco há, pelo menos entre os moradores do Flamengo, a certeza de terem plantado uma semente de mudança no jeito de fazer política na cidade. E como o Rio é caixa de ressonância, ficou a confiança de que o novo paradigma poderá ser replicado nos pleitos futuros em todo o Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais, que triste mesmo ficaria o eleitor se apreendessem no comitê de Gabeira 90 mil panfletos de propaganda negativa contra seu adversário, como foi divulgado nos jornais de hoje. Ou se assistisse no YouTube  a um vídeo do seu candidato defendendo a atuação das milícias, como no caso de “Dudu Duas Caras e as Milícias”, no endereço: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=qEhHo8wkoq0&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por tudo isso, pude concluir que, se o carioca dormiu desenxabido, acordou mais confiante de que amanhã será outro dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*******************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-2224427231221781295?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/2224427231221781295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=2224427231221781295' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2224427231221781295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2224427231221781295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/10/amanh-ser-outro-dia.html' title='Amanhã será outro dia'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-6984406675463757513</id><published>2008-10-24T16:56:00.007-02:00</published><updated>2008-10-27T14:30:44.167-02:00</updated><title type='text'>Samba da vitória</title><content type='html'>Minha primeira lição na faculdade de comunicação foi em tom de anedota. O professor de jornalismo, Nilson Lage, contou-nos, já na aula inaugural, a história do editor de um jornal que encomenda ao repórter uma matéria sobre Jesus Cristo. Ao que o subordinado, após ajuizada aquiescência, pergunta: contra ou a favor? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, aprendia-se, ao entrar na faculdade, que um jornalista deve desenvolver a versatilidade verbal e  treinar malabarismos retóricos para se firmar na profissão até, quem sabe?, conquistar seu espaço próprio de opinião.  No livro “O Anjo Pornográfico”, biografia de Nelson Rodrigues por Rui Castro, o autor conta que, por algum tempo, Otto Lara Resende foi o editorialista de dois jornais com posições antagônicas, sendo um matutino e outro vespertino. Profissional competentíssimo, Lara conseguia a proeza de, pela manhã, escrever um editorial apoiando determinada idéia ou posição que, à tarde, derrubava sem piedade.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta época de eleições é pródiga em artigos que investem na habilidade do proselitismo político. E até quem não se especializou em nessa área aproveita a onda para dar suas cacetadas. Afinal, o assunto é o  mais veiculado em todos os espaços de comunicação; do jornal impresso às conversas na praia e nas mesas de bar, passando pela internet e até pelo telefone celular. Então, é quase que obrigatório falar no assunto e, dependendo do acirramento da disputa, sente-se também obrigado o colunista a tomar partido, qualquer que seja a posição do (seu) jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma coluna recente no Jornal do Brasil e na Gazeta Mercantil, senti-me de certa forma compungida a expressar opinião a respeito da disputa pela prefeitura do Rio. Porém, optei por abordar o assunto de forma indireta, tratando de coisas como a identidade carioca, a segurança e a qualidade de vida na cidade, a relação da violência com a educação e exemplos de iniciativas bem sucedidas em âmbito municipal em outras partes do mundo. Porque credito acima de tudo na prática da reflexão, que resulta em  mobilização para as transformações sociais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, ainda ontem, num jantar na casa de amigos, fui cobrada por não ter declarado meu voto nem ter escrito sobre o porquê da minha decisão. Então, antes tarde do que nunca. Aproveito o imediatismo da internet para dizer em alto e bom som que Vou De GABEIRA PARA PREFEITO DO RIO DE JANEIRO, esta cidade maravilhosa que, apesar de tanto desmando, continua abençoada por Deus e bonita por natureza. E para não ficar devendo explicações, passo à lista das vantagens do meu candidato. O que significa, nessa altura do campeonato, uma compilação de tudo o que o seu adversário não tem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gabeira não cogita armar a Guarda Municipal. Gabeira não vai lotear as secretarias municipais entre uma miríade de partidos políticos com programas e posições ideológicas antagônicas. Gabeira já declarou que seu secretariado será escolhido por critério meritório entre técnicos e especialistas com nível de excelência em suas áreas de atuação. Gabeira não aceitou o apoio de representantes do caciquismo populista mais atrasado do nosso estado. Gabeira faz uma campanha limpa em todos os sentidos. Gabeira não apela para falsos valores éticos como a exaltação da família nuclear que redunda em preconceito contra outras opções de vida. Gabeira é a favor da reforma da polícia, como primeiro passo para resolver o problema da violência na cidade. Gabeira não se opõe a discussão sobre a legalização da maconha. Gabeira mostrou coerência ao longo de toda a sua vida política e representa a restauração da credibilidade nos políticos. E se isso não bastasse, Gabeira ainda revela a essência de sua formação progressista quando diz que se preparou a vida inteira para a vida inteira.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, no próximo domingo, vou vestir uma camiseta verde e votar no número 43. E assim que sair a pesquisa de boca-de-urna, zarpo para o território livre da Lapa, que não é Zona Norte, nem Subúrbio, muito menos Zona Sul, mas o lugar onde a cidade diuturnamente se encontra para comemorar com samba a vitória do Rio de Janeiro.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-6984406675463757513?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/6984406675463757513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=6984406675463757513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6984406675463757513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6984406675463757513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/10/samba-e-vitria.html' title='Samba da vitória'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-6285027072671411217</id><published>2008-10-16T16:40:00.009-03:00</published><updated>2008-10-17T11:59:46.526-03:00</updated><title type='text'>Festival do Rio</title><content type='html'>Mesmo atrasada, vou falar dos filmes que assisti no Festival do Rio, que começou na última semana de setembro e terminou na semana passada. O atraso se deve a um evento muito triste que menciono apenas para dividir com vocês – queridos leitores deste blog e grandes incentivadores da minha escritura – um pouco da dor imensa que sinto. Meu pai, que caíra doente no meio do ano, morreu no início de outubro, deixando no meu coração um enorme vazio da sua figura heróica*, seu espírito alegre, sua índole companheira e seu coração amoroso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém me disse, durante as cerimônias fúnebres, que “a vida continua...” É um tremendo lugar comum; mas é a pura verdade. Então, entre um gole de vinho e um soluço de saudade, levo-os de volta ao Festival do Rio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o filme de Bruno Barreto, “Última parada 174”, que abriu a mostra, já falei na postagem anterior. O encerramento foi com “Um homem bom”, de Vicente Amorim, diretor do ótimo 2000 Nordestes (2001) e “O caminho das nuvens” (2003). Vicente é filho do ministro das relações exteriores Celso Amorim, o que garantiu a presença na platéia do Odeon de autoridades e personalidades ligadas à cultura nacional. Presente também o ator Viggo Mortensen, protagonista do filme, que conta mais uma história de holocausto. Mas conta bem, pela narrativa atraente, qualidade técnica e sensibilidade, a história de um professor universitário que inadvertidamente passa a colaborar com o nazismo, aceita as benesses do regime e só percebe seu grande equívoco quando seu maior amigo, um psicanalista judeu, começa a ser perseguido. No fundo, é uma discussão sobre livre-arbítrio; tal como o filme de Barreto, que abriu o festival.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mostra Panorama do Cinema Mundial, teve o divertidíssimo thriller português “Call Girl”, de António-Pedro Vasconcelos. A trama gira em torno da contratação de uma garota de programa  para seduzir o político que pode facilitar a vida de uma empreiteira que, por sua vez, quer construir um empreendimento turístico no imenso bosque de uma cidade do interior. A trama é bem engendrada e muito bem contada, os atores são extraordinários e a protagonista é uma das mulheres mais bonitas que eu já vi. E trabalha direitinho a danada da Soraia Chaves, apesar de seu talento competir o tempo todo com seu corpo deslumbrante, em cenas bastante eróticas, mas nunca deselegantes. Porém, o melhor de Call Girl é mesmo o roteiro, o qual surpreende o tempo todo pelas tiradas mais óbvias possíveis. E aí eu passei a entender melhor a sutileza do humor português. Imperdível! &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Outro filme imperdível da mostra Panorama é “Valsa para Bashir”, de Ari Folman. A animação de longa-metragem feita em co-produção de Israel, França e Alemanha, parte de um encontro num bar de Tel Aviv entre o diretor do filme e um velho amigo que lhe conta um sonho recorrente, no qual é perseguido por 26 cães raivosos.  Veteranos da Guerra do Líbano, nos anos 80, eles concluem que o sonho está ligado à experiência deles no exército israelense. Como não consegue se lembrar desse período, Ari procura outros companheiros de armas para tentar resgatar sua memória, e acaba por descobrir a verdade do terrível massacre de Sabra e Shatilla (campo de refugiados palestinos no Líbano).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso é contado numa técnica de animação que nos remete ao melhor do cinema noir. Ótimos diálogos e texto e subtexto que não subestimam a inteligência do espectador. Como eu disse acima, é um filme imperdível. Para quem se interessa por política internacional, ou não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os documentários da mostra competitiva vale destacar “Palavra (En)cantada”, de Helena Solberg, que propõe uma reflexão sobre a relação entre poesia, literatura e música popular no Brasil. Para tanto, a diretora alterna depoimentos com números musicais e faz dessa costura o fio condutor da narrativa do seu longa-metragem. Como não podia deixar de ser, Chico Buarque é a melhor figura em campo. Mas tem também a participação, entre outros, Adriana Calcanhoto, Maria Bethania, Martinho da Vila, Arnaldo Antunes e Lirinha. No entanto, são os depoimentos de Lenine e Tom Zé que traçam as melhores considerações sobre o tema. Enfim, “Palavra (Em)cantada é um belo trabalho de investigação da alma brasileira que tem na cultura oral e musical sua âncora de identidade.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter assistido aos dois filmes de Ficção mais festejados pela mídia (com certeza, por serem dirigidos por atores globais), não vou comentar “Feliz Natal” , de Selton Mello; nem “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele. Digo apenas que como diretores, os dois são ótimos atores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por último, chamo atenção para o filme de David França Mendes, o melhor da Mostra Hors-Concours. Para este seu primeiro longa-metragem de ficção, David – que fez dobradinha de sucesso com Vicente Amorim em “2000 Nordestes” e “O Caminho das Nuvens” – escolheu se basear no livro de Sérgio Sant’Anna, “Um Romance de Geração”. E fez uma obra que lembra muito “Ricardo III”, de All Pacino. Ou seja, construiu sua narrativa a partir da leitura e ensaios da peça. A diferença está na escalação de três atrizes para o papel feminino. E aí reside o único defeito do filme: o espectador tem que agüentar ver algumas das cenas repetidas com cada uma delas. É dose. Acontece que o texto é muito bom e a presença do sempre brilhante Sérgio Sant’Anna no elenco valoriza a discussão sobre a relação entre Carlos Santeiro (Isaak  Bernat), o escritor que não escreve, e a jornalista que chega no início da peça para entrevistá-lo (Nina Morena, Suzana Ribeiro e Lorena Da Silva). Todos estão ótimos em seus papéis, mas Isaak tem uma atuação notável. Mas quem levou o troféu Redentor de melhor ator do Festival do Rio foi Daniel de Oliveira, por seu trabalho em " A Festa da Menina Morta". Um grande equívoco, pois Oliveira faz uma caricatura demasiado estriônica do seu personagem. E compõe um homosexual que não fala, mas berra; não tem subjetividade, apenas trejeitos. Quem se lembra da interpretação de William Hurt no papel de Molina, no "Beijo da Mulher Aranha", sabe do que estou falando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           **************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Meu pai, Luiz Gonzaga Moura, foi herói da Segunda Guerra Mundial. Ferido duas vezes em combate, era o comandante do Batalhão de Reconhecimento do Regimento Sampaio. Major da Força Expedicionária Brasileira, na campanha da Itália, foi condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul. &lt;br /&gt;*****************&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-6285027072671411217?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/6285027072671411217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=6285027072671411217' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6285027072671411217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6285027072671411217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/10/festival-do-rio.html' title='Festival do Rio'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-4113257095040446292</id><published>2008-10-12T09:56:00.006-03:00</published><updated>2008-10-21T21:26:16.433-02:00</updated><title type='text'>Método &amp; Disciplina</title><content type='html'>Bruno Barreto mostrou confiar no seu taco de diretor ao decidir fazer o filme “Última parada 174”, depois do grande sucesso do documentário de José Padilha sobre o mesmo tema. Digo isso, porque, por mais que difiram na forma, os dois longas-metragens seriam fatalmente comparados. No entanto, Barreto partiu justamente de um dos depoimentos de “Ônibus 174” para desenvolver a história de Sandro do Nascimento, o sobrevivente da Chacina da Candelária que, sete anos depois, em junho de 2000, tomou como reféns onze passageiros do coletivo da linha Gávea- Central do Brasil, o 174. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O testemunho da doméstica que decidiu adotar Sandro, já quase adulto – e que foi a única pessoa presente ao seu enterro, inspirou o fio da trama que percorre a biografia romanceada do rapaz. O filme começa no dia em que Sandro, aos nove anos, vê sua mãe assassinada a facadas no chão do seu próprio bar, em São Gonçalo. A partir daí, ele foge da casa da tia, ganha as ruas, entra nas drogas, cai no crime, passa por instituições de menores, apaixona-se, vira assaltante e morre no desfecho trágico do seqüestro que paralisou, por cinco horas, a Zona Sul do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jean-Luc Godard disse, certa vez, que, para ser bom, um documentário deve parecer um filme de ficção, e vice-versa. Aí reside a desvantagem da obra de Bruno Barreto na comparação entre as duas produções. Padilha montou imagens do seqüestro (gravadas por emissoras de televisão), depoimentos de especialistas e entrevistas com pessoas que conviveram com Sandro de forma que seu documentário seguisse a curva dramática da narrativa do gênero policial. Desta forma, ao apostar na tensão da evolução dos fatos, ele mantém o suspense do seqüestro enquanto traça o perfil do seqüestrador. Já Bruno Barreto adota o desenho da narrativa linear para contar a vida de Sandro do Nascimento. Desta forma, dilui a carga dramática de uma história que, apesar de real, não surpreende. Até mesmo porque tem um final amplamente conhecido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também no filme de Barreto algumas associações desnecessárias, como um copo quebrado toda vez que Sandro vai se “dar mal” (como aconteceu no dia em que ele viu a mãe morta). É um recurso precário para alcançar a dimensão psicológica do personagem, e acaba por esvaziar o impacto da brutalidade que cerca o cotidiano de um menino de rua.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esses são pecadilhos não chegam a comprometer “Última parada 174”. Pesa mais a favor do filme o olhar humano que o diretor lança sobre a questão da violência que, no Rio de Janeiro, e nesse caso específico, transborda da favela para o asfalto. Quase sempre provocando reações irracionais, quando não raivosas, do lado de cá da cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao desprezar o preto no branco das explicações simplistas para problemas complicados, e observar nuances no enfoque de personagens marginais, Bruno Barreto mostra sensibilidade social e atenção ao mundo que o cerca, dando um belo exemplo de não-indiferença. Ao adotar um ritmo que favorece a reflexão, ele esmiúça a condição existencial de um garoto que, como tantos outros, não perdeu uma única oportunidade de fazer a coisa errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contada desta forma, sem se arrogar o direito de apontar para o que é certo e o que é errado, a história de Sandro do Nascimento por Bruno Barreto focaliza a gênese de um tipo de delinqüência que, pelas circunstâncias invariavelmente adversas, grassa nas áreas mais carentes da cidade: a combinação de baixa escolaridade com alto consumo de drogas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A título de ilustrar essa teoria, lembro a resposta de Mick Jagger para o repórter que quis saber como ele conseguiu ultrapassar, sem grandes derrapadas, a fase de excessos de sexo e drogas que costuma vir junto com o sucesso no mundo do rock’n roll.  O bardo inglês respondeu que teve uma infância muito simples, beirando mesmo a pobreza, mas que recebera como herança um legado de valor inestimável. Seus pais, professores primários, deram-lhe, desde cedo, método e disciplina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-4113257095040446292?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/4113257095040446292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=4113257095040446292' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4113257095040446292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4113257095040446292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/10/mtodo-disciplina.html' title='Método &amp; Disciplina'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8027734258035876976</id><published>2008-09-29T15:32:00.002-03:00</published><updated>2008-09-29T15:37:51.870-03:00</updated><title type='text'>Um homem superlativo</title><content type='html'>Conheci Fausto Wolff em Búzios, num verão do final dos anos 70. Estávamos hospedados na casa de um amigo em comum, na Praia do Canto; ele sozinho, eu com marido e dois filhos pequenos. A primeira impressão que tive de Wolff foi de um homem muito grande, com um rosto muito bonito, e a voz muito rouca. Um homem superlativo, como eu iria constatar depois. Era também o mais velho da turma. De resto, bem parecido com os outros amigos do dono da casa, todos muito falantes, cada qual querendo saber mais do que o outro. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;          Pela manhã, todos dormiam até tarde, menos eu e as crianças, que cedo queriam tomar banho de mar. Um dia, eu as vigiava enquanto tentava ler um livro, debaixo de um flamboaiã, bem junto à areia da praia. Fausto Wolff veio sentar-se ao meu lado e me perguntou o que eu estava lendo. Mostrei-lhe o livro “Pensamentos”, de Sully Prudhomme, que pegara ao acaso na biblioteca da casa, e que me interessou principalmente por trazer na contracapa a informação de que o autor fora o primeiro laureado com um Prêmio Nobel de literatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         “Ah... Prudhomme. Um intelectual de direita!”, foi o que ele disse. Confesso que fiquei bastante intimidada com aquela afirmação categórica, pois se tratava de um assunto que eu não dominava e, por temperamento, não gosto de falar sobre o que não sei. Com sensibilidade bastante para perceber um misto de desconforto e curiosidade na jovem que largara os estudos muito cedo para casar e ter filhos, Fausto Wolff passou a vir ao meu encontro, pelas manhãs, durante toda a temporada, para conversar sobre literatura e política. Conversar, não, na verdade ele falava e eu era toda ouvidos, interessadíssima no breve curso de verão.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Nunca mencionamos nossos encontros matutinos para os outros hóspedes. Não que fosse segredo. Era apenas alguma coisa singela demais para ser comentada entre gente tão esperta, sabichona, e com fôlego (e sede) bastante para discutir qualquer assunto até altas horas da madrugada. Seguiram-se, assim, tranqüilamente, várias manhãs de prosa literária até que a temporada teve fim, votamos todos ao Rio de Janeiro, e eu nunca mais encontrei Fausto Wolff. Mas com certeza sob sua influência decidi ser jornalista, pouco tempo depois fiz vestibular e entrei para a Escola de Comunicação da UFRJ, onde me formei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Essa história estava guardada naquele cantinho escondido que tem dentro de cada pessoa, como diz a música de Marisa Monte. Veio à tona em fevereiro deste ano, quando li o texto “Meus super-heróis”, na coluna de Fausto Wolff, no JORNAL DO BRASIL. É que em tempos frívolos como o nosso – em que até participante de BBB vira herói, e editoria de cultura dá agenda de modelo –, ser apresentada a um questionário sobre personalidades da cultura universal é alentador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Pois naquele dia, Wolff propunha ao leitor que tentasse acertar qual figura ilustre das letras ou artes plásticas viveu os momentos de privação e infelicidade descritos por ele no texto. Com a intenção clara de lembrar-nos que nem sempre os mais brilhantes tiveram seu valor reconhecido a tempo de desfrutar as benesses do sucesso. Desta forma, contou breves histórias das desventuras de Edgard Allan Poe, Vincent Van Gogh, Lima Barreto e Auguste Rodin.  Ora, estava ali uma lição com a impressão digital do meu fortuito professor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Não fui ao velório de Fausto Wolff, nunca mandei uma carta para o jornal elogiando sua coluna, nem mesmo lhe enviei um simples e-mail de congratulações. E só conto essa história agora movida pela emoção de quem chegou tarde demais para o reencontro, tentando imaginar uma situação mais ideal do que aquela, à sombra de um flamboaiã.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo publicado na Gazeta Mercantil e no Jornal do Brasil em 26/27/10/2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8027734258035876976?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8027734258035876976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8027734258035876976' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8027734258035876976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8027734258035876976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/09/um-homem-superlativo.html' title='Um homem superlativo'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-2023740833023495992</id><published>2008-09-22T13:38:00.010-03:00</published><updated>2008-10-07T10:42:29.980-03:00</updated><title type='text'>Questão de Fé</title><content type='html'>Confesso que andava desconfiada dessa história de pré-sal, achava as estimativas do volume das reservas pra lá de exageradas e os valores correspondentes estratosféricos demais para jazidas tão profundas. Foi quando li nos jornais que o presidente da república teme uma investida dos Estados Unidos sobre o nosso recém-descoberto tesouro submerso. Lula se preocupa com a Quarta Frota da Marinha americana que, segundo ele, “está aí, quase em cima do pré-sal”, e promete reforçar as Forças Armadas para fiscalizar o nosso patrimônio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Então comecei a acreditar que o negócio é sério e o dinheiro é muito, e resolvi repassar os números divulgados para saber exatamente o que nos renderia em volume de recursos o suposto butim dos ianques. São reservas que nos levariam a um total de 27 bilhões de barris de petróleo, e o país já poderia exportar, em 2015, o equivalente a 400 mil barris, gerando uma receita de 16 bilhões de dólares anuais. As previsões nos transformam num país cada vez mais rico, até a exportação de petróleo render ao Brasil, em 2030, 182 bilhões de dólares por ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Você vai dizer que viabilizar a produção desta reserva gigante, localizada a 6 mil metros da superfície marinha, com uma camada de sal de até 2 mil metros de espessura no meio do caminho, iria nos custar um caminhão de dinheiro, coisa difícil de conseguir em tempos de colapso de sistemas financeiros, de crise de crédito e patati-patatá...  Eu ponderei da mesma forma, até saber que o Lula vai, pessoalmente, buscar crédito para que a “gente possa antecipar ao máximo a retirada do petróleo do Pré-sal”. E aí, meu amigo, se isso não é garantia de poder contar com o ovo dentro da galinha, eu naõ sei o que mais pode ser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Desta forma, decidi embarcar na canoa do Pré-sal, e fui pro aniversário da Carminha vislumbrando um futuro abonado para todos nós. Chegando na festa, botei logo o assunto na roda, que foi ficando animada na medida em que cada convidado expunha a sua teoria sobre qual a melhor maneira de se  gastar a dinheirama que vem por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         A dona da casa falou primeiro e, politicamente correta, alegou que a renda do Pré-sal é das gerações futuras e em nome delas deveria ser feita uma super poupança para recuperar nossas florestas, nossos mares, nossos rios, a qualidade da terra, a fixação do homem no campo e etc e tal..., e afirmou, inclusive, que naquele instante tomava a decisão de se tornar vegetariana para sempre e assim nunca mais seria responsável pelo sofrimento de um ser vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          O Máximo, marido da Carminha, declarou apoio incondicional à esposa depois de virar o copo de cerveja de um gole só e pedir-lhe que trouxesse mais um pratinho de presunto cru, que estava uma delícia. Nisso, o Zé Edgar tomou a palavra para discordar da parcimônia da aniversariante e declarar que, ao contrário, quer começar a gastar por conta, pois a sua geração foi a mais sacrificada com sucessivos planos econômicos.  Ele mesmo um exemplo, pois teve a grana da venda do apartamento de dois quartos em Laranjeiras (presente do sogro) confiscada pela “louca” da Zélia, enquanto procuravam um imóvel maior para a chegada da Heleninha, a segunda filha do casal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Esse papo comoveu a todos, menos ao Maurício, o cunhado. Já calibrado no uísque, ele replicou que sua irmã foi morar num quarto e sala no Catete porque o pai da Heleninha votou no Collor, igual a uma porção de otários que se encantou com o Caçador de Marajás e depois ficou chorando pelo leite derramado, além de continuar dirigindo uma "carroça". Nessa hora, quase que a vaca foi pro brejo, ali, no meio da sala. Salvou-nos o Lauro - que já foi padre, preso político, e defensor da teologia da libertação – com a sua serenidade de claustro, alegando que o dinheiro do pré-sal deveria ser usado para erradicar a pobreza do país, multiplicando-se o Bolsa Família na mesma proporção dos recursos advindos da exploração do petróleo recém-descoberto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Nisso, o Cunha discordou. Brizolista doente, ele fez primeiro sua tradicional defesa dos CIEPS para depois anunciar que se o caudilho tivesse vivo iria lutar para transformar essa verba extra numa onda de escolas de turno integral que inundaria as periferias de todo o Brasil com atividades recreativas nos fins de semana e alimentação reforçada para atrair a garotada, além de ... Mas aí, nem deixaram o Cunha terminar, pois um sentimento de potência contaminou os ânimos e foi um turbilhão de soluções para as mazelas do país que trouxe de roldão a transposição das águas do São Francisco, a usina nuclear de Angra III, o rombo da previdência, a demarcação das terras indígenas, a saúde, a segurança..., e todos falando ao mesmo tempo até que a Luciana, dona de uma franquia de lingerie, chamando o povo à razão, declarou em alto e bom som que a sua parte, ela queria em Botox... &lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;          A gargalhada foi geral, a mãe da aniversariante aproveitou a deixa para apagar a luz e trazer o bolo espetado de velinhas faiscantes, todos relaxaram e cantaram o parabéns, felizes, como se cada um tivesse ganhado um prêmio na loteria federal. E eu, vendo aqueles olhinhos brilhantes ao redor, percebi o quanto pode render politicamente a um presidente adotar a doutrina bíblica da fé, que nada mais é do que se ter já o que ainda se espera.  &lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-2023740833023495992?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/2023740833023495992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=2023740833023495992' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2023740833023495992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2023740833023495992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/09/questo-de-f.html' title='Questão de Fé'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-4463326330467997282</id><published>2008-09-07T20:32:00.012-03:00</published><updated>2008-10-22T21:02:07.539-02:00</updated><title type='text'>Anacoluto</title><content type='html'>Há males que vêm pra bem é um ditado popular no qual eu sempre levei fé. Outro dia mesmo eu pude confirmar o quanto há de verdade nessa proverbial contradição ao cruzar, no saguão do cine Odeon, com uma moça que não via há alguns meses. Nosso último encontro fora numa ilha de edição para finalizar um curta-metragem do qual nós duas participávamos. Estávamos ali agora para assistir a um ciclo de debates sobre filosofia e cinema que abriria com a exibição do filme “Di-Glauber", do cineasta baiano. Minha surpresa foi enorme ao revê-la transmudada, assim, em tão pouco tempo. Pra começar, a moça estava mais magra uns quinze quilos. Não fosse o tom alegre da voz e o largo sorriso com que me saudou, teria pensado o pior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pior só doença, em sua própria opinião, que ainda me corrigiu garantindo ter perdido, mais precisamente, doze quilos. Quis saber o que acontecera. Sem hesitar por um segundo, num desabafo relâmpago, ela declarou protagonizar  um caso de separação muito pouco amigável. Fiquei consternada, pois ela e o marido formavam um casal aparentemente adorável e separação, convenhamos, é quase sempre má notícia. Para mim que sou romântica, que acredito no casamento como a melhor maneira de viver uma relação de amor, botar aliança no dedo é sinônimo de final feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o evento demorava a começar, e percebendo que a moça precisava com urgência falar mais sobre as agruras do rompimento amoroso, convidei-a para um café. Nesta altura do atraso, mais gente teve a mesma idéia e acabamos por dividir a mesa do bar contíguo ao cinema com dois renomados cineastas. A conversa girou em torno do filme no qual Glauber Rocha registra o funeral de Di Cavalcanti - que foi ganhador do Prêmio Especial do Júri em Cannes, em 1977, apesar de ter a exibição no Brasil proibida por muitos anos a pedido da família do pintor. No meio do papo, entre um palpite e outro, vi que a minha amiga, antes uma pessoa tímida, evoluía suas opiniões com desenvoltura. Era visivelmente movida por um impulso de se “colocar”, que de forma alguma me pareceu inconveniente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo contrário. Na verdade ela adquirira um charme antes insuspeitado. E parecia mais leve de corpo e alma, ainda que radicalizando na transformação. Pra começar, tirou a jaqueta e apresentou uma deslumbrante tatuagem de flores que lhe cobria o ombro esquerdo. “Novíssima”, contou-me, afirmativa, sem buscar aprovação. Os óculos também novos, ou melhor, velhos porque comprados em brechó, eram do tipo gatinho, com estampa de onça pintada pra ficar mais descolado. E o assessório redundante ia muitíssimo bem com o seu rosto mais afilado. A lente, transparente, mostrava as olheiras colhidas, como diria o poeta, num jardim de sofrimentos recentes; e até a voz, talvez pelo uso excessivo, soava com requintada rouquidão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que mudança! Pensei. Ou seria uma questão de reconstrução de auto-estima? Pois sendo o marido professor universitário e ainda por cima um gato,    é provável que ela tenha se espremido para caber-lhe na sombra, e acabou por transbordar em peso o que teve de conter na afirmação da sua personalidade. Estava, assim, com os meus botões, quando ouvimos o vozerio comentando que a sessão iria enfim começar. Fomos, então, todos alegres e contentes para a sala de projeção assistir a cenas de velório e sepultamento.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma contradição que se explica pela oportunidade de ver a homenagem de adeus a um dos maiores artistas plásticos do modernismo na lente de um cineasta genial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no caso da minha amiga, os fatos confirmam o anacoluto lá em cima, pela  desconcertante constatação de que, em determinadas circunstâncias, até que um desgosto cai bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-4463326330467997282?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/4463326330467997282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=4463326330467997282' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4463326330467997282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4463326330467997282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/09/h-males-que-vm-pra-bem-diz-o-ditado-no.html' title='Anacoluto'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-6304508088220616643</id><published>2008-08-31T20:07:00.009-03:00</published><updated>2008-09-03T17:12:12.366-03:00</updated><title type='text'>Uh, lá lá !</title><content type='html'>Paris é sempre bom. Melhor com céu azul e temperatura amena, como em meados de agosto, quando passei uma semana lá. Já fui a Paris com algum dinheiro, com muito pouco dinheiro, apaixonada e também curtindo a maior dor de cotovelo, mas nunca me diverti tanto quanto dessa última vez, graças a ele..., que é alegre, popular, tem consciência ecológica e ainda faz bem à saúde. Quer mais? Apesar de muito jovem é confiável, nunca deixa você na mão, funciona noite e dia e ainda leva a gente pra dançar. Sacou? É ele mesmo, o “Vélib”, sistema público de bicicletas de aluguel, de iniciativa privada, lançado há um ano pelo prefeito parisiense. &lt;br /&gt;         Quase tudo o que está aí em cima, você provavelmente já sabe; se não conferiu in loco, leu alguma das inúmeras reportagens veiculadas nos meios de comunicação de todo o mundo. E dizer que o “Vélib” leva a gente pra dançar, foi apenas um estratagema para atrair a sua atenção. A verdade, porém, é que, como o sistema público de aluguel de bicicleta leva o usuário vinte e quatro horas por dia a qualquer lugar dentro da cidade, leva também para as margens do Sena, onde, nas noites de verão, funcionam espaços de dança a céu aberto.&lt;br /&gt;           Nas três arenas construídas rentes ao rio, com arquibancada em forma de anfiteatro, a prefeitura promove bailes gratuitos de salsa, dança de salão e tango. O anfiteatro do tango é bem em frente ao ponto onde o Bateau Mouche faz a volta de 180 graus para retornar ao cais. Então, de repente, você está dançando e, entre um compasso e outro, leva um banho da água levantada pela manobra radical do barco de turistas. Aí, todos gritam “Uh, lá lá”.  E Paris fica ainda mais Paris.&lt;br /&gt;           Mas o melhor da festa é ao final, pouco depois da meia-noite, quando a maioria dos freqüentadores monta em suas bicicletas e, numa alegria contagiante, vai embora pedalando pelas ruas da cidade. Pensei na hora como pegaria bem no Rio de Janeiro, onde é verão quase o ano inteiro, investir na possibilidade de substituir cada vez mais o carro pela bicicleta. E promover recreação gratuita em locais estratégicos a fim de incentivar o movimento noturno ao longo de toda a ciclovia.&lt;br /&gt;          É claro que existe a questão da segurança, que passa por um acordo entre governo estadual, poder judiciário e administração municipal, no sentido de depurar a polícia do Rio de Janeiro, pra começar. Por enquanto, é possível fortalecer o efetivo da Guarda Municipal e investir num código de conduta cidadã de respeito às leis que os próprios usuários de bicicleta divulgariam promovendo campanhas, maratonas e passeios coletivos. Além disso, a prefeitura poderia desenvolver um projeto para levar a ciclovia até a Central do Brasil e de lá adaptar uma linha de trem para uso exclusivo e permanente de ciclistas, atendendo a todo subúrbio carioca. Em Bogotá foi feito um esforço nesse sentido e hoje a cidade conta com 300 quilômetros de ciclovias, usadas principalmente por estudantes e trabalhadores. &lt;br /&gt;         Declarar guerra aos automóveis é tendência globalizada contra a poluição e o trânsito caótico das grandes cidades. Economizar fontes de energia hoje é questão, no mínimo, de boa educação. Governar para a maioria é uma imposição da atualidade. E como proporcionar diversão ao ar livre sempre foi vocação da Cidade Maravilhosa, não vejo porque perder a oportunidade nestas eleições de exigir que os candidatos a prefeito apresentem idéias e soluções para elevar a qualidade de vida da população e apurar o ar que o carioca respira. Assim, como os parisienses fazem agora, acabaríamos por recuperar nosso bom humor e, quem sabe, voltaríamos a saudar até os percalços da vida. Ou não é essa a nossa verdadeira índole?     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                              ***************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma correção: o Mar Morto está a 412m abaixo do nivel do mar.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-6304508088220616643?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/6304508088220616643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=6304508088220616643' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6304508088220616643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6304508088220616643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/08/uh-l-l.html' title='Uh, lá lá !'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-3935680727373515705</id><published>2008-08-27T11:36:00.005-03:00</published><updated>2008-08-27T12:07:58.106-03:00</updated><title type='text'>Mar Morto</title><content type='html'>O Mar Morto povoou meu imaginário de criança desde os filmes bíblicos que via na televisão, nas tardes mornas de Semana Santa. Eram histórias impressionantes, cheias de malícia – talvez até impróprias para menores, se inseridas em contexto mais mundano – como as de Sodoma e Gomorra, cidades que teriam existido naquela região e desapareceram,  punidas com a ira divina pela corrupção moral e perversão sexual de seus habitantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, quando me convidaram para o Festival de Cinema Brasileiro em Israel, vibrei, acima de tudo, com a possibilidade de conhecer o mar da antiga Galiléia. Depois, fui correndo acessar o Google Earth para ver a exata localização do acidente geográfico na crosta do globo terrestre. E lá estava ele, um grande e misterioso retângulo negro encravado na divisa entre Israel e Jordânia. Cliquei na descrição técnica e li que o Mar Morto é na verdade um lago de 80 quilômetros de comprimento por 18 de largura, e fica a 280 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. É extremamente salgado ao ponto de matar instantaneamente peixes e outras formas de vida que chegam a ele pelo rio Jordão; daí o nome sinistro e o motivo de ninguém afundar nas águas que cobrem o ponto mais baixo do planeta Terra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ao contrário do que possa parecer, a crueza das informações prévias não diminuiu o impacto de estar lá, em carne e osso, alguns dias depois. Ao vivo, a visão do Mar Morto correspondeu inteiramente às minhas expectativas infantis, ao revelar-se uma das paisagens mais bonitas que já vi; cercada de penhascos escarpados, mesclados em tons derivados do branquíssimo calcário ao vermelho do arenito, surge a imensa superfície lisa, rivalizando em azul com um céu pleno de luz e vazio de nuvens.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para melhorar o que já estava bom, ali perto fica o Parque Nacional Qumran, uma antiga colônia essênia, onde foram encontrados, entre 1947 e 1956, os manuscritos do Mar Morto. Passeando pelas escavações arqueológicas, penetrando grutas e cavernas, onde pastores beduínos acharam os primeiros pergaminhos escondidos em jarras de barro por quase dois mil anos, minha fantasia de criança foi superada e, como não há interferência de civilização ao redor das escavações, acabei por fazer, em pleno deserto da Judéia, uma fantástica viagem no tempo, imaginando no cenário épico ações em Cinemascope. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Delírios turísticos à parte, o passeio acabou por despertar minha curiosidade sobre a descoberta fantástica, no Mar Morto, de cerca de 850 documentos, inclusive textos do Antigo Testamento. Pesquisando, aprendi que eles têm valor inestimável para os israelenses. Escritos em hebraico, entre o século II a.C. e o primeiro século da era cristã, os pergaminhos são praticamente os únicos documentos bíblicos judaicos existentes daquela época. E, além de explicar o contexto político e religioso do início do cristianismo, revelam a validade do esforço de um grupo de judeus para resgatar a língua de seus antepassados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “Great Isaiah Scroll”, o mais bem preservado e completo manuscrito bíblico do Mar Morto, está em exibição especial, neste verão, no Museu de Israel, pela primeira vez em 40 anos. “Nação não deve levantar a espada contra nação, e ninguém mais deve aprender a guerrear”, diz uma passagem do texto de 2.100 anos, que pode ser lido por gente comum que visita o “Santuário do Livro”, salão do museu onde os documentos estão expostos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois séculos depois dessa mensagem de paz ser escrita, a história judaica se dispersou, os judeus foram para o exílio, e o hebraico deixou de ser falado nos mil e setecentos anos seguintes. Seu renascimento representa um dos maiores feitos do sionismo e foi capitaneado por Eliezer Bem-Yehuda, um lituano que emigrou para a Palestina em 1881. As escrituras clássicas continham palavras para conceitos como justiça, perdão, amor e ódio, mas foi Bem-Yehuda que começou a atualizar o hebraico, inventando palavras novas - como meias e escritório, por exemplo – colhidas de raízes bíblicas e padrão arcaico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto de reviver a língua da Torah despontou, então, rapidamente na Palestina e, em 1914, pioneiros sionistas tomaram a decisão de adotar somente o hebraico nas escolas judaicas. Quando o estado de Israel foi fundado, em 1948, uma geração inteira de israelenses já falava o hebraico como língua nativa.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Hoje, o moderno hebraico é a primeira língua de milhões de israelenses que entendem o valor inestimável da conexão lingüística com o passado para o sentimento de identidade nacional. Não é pouco, num país que vive em estado constante de insegurança quanto a sua sobrevivência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-3935680727373515705?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/3935680727373515705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=3935680727373515705' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3935680727373515705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3935680727373515705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/08/mar-morto.html' title='Mar Morto'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-7612584104216775790</id><published>2008-08-21T23:04:00.005-03:00</published><updated>2008-08-22T09:35:34.010-03:00</updated><title type='text'>México Urgente</title><content type='html'>A tarde estava quente como tarde de verão. Apesar do vento seco que levantava a poeira nas ruas do centro da cidade, o clima era ameno entre as pessoas que formavam grupinhos para conversar, na esquina da Alfândega com a Primeiro de Março, enquanto aguardavam a última notícia do palestrante que estava quase quarenta minutos atrasado e, àquela altura, já teria chegado ao aeroporto Santos Dumont. &lt;br /&gt;Do lado de dentro do prédio, no auditório da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, filmes de alunos eram projetados para uma platéia formada pelos poucos que resolveram esperar sentados pela chegada do escritor e roteirista Guillermo Arriaga. Entre eles, alunos e ex-alunos, cineastas, produtores,  atores e atrizes.&lt;br /&gt;Zanzando de um lado para o outro – empunhando o celular, e atenta para o movimento na entrada do lobby – só Irene Ferraz, a diretora da escola e responsável pelo evento; indispensável, em sua opinião, para a formação dos alunos de cinema. Porque Irene é assim, mais beneditina do que jesuíta, investe mais na formação do que na excelência. E por conta disso, está sempre empenhada em trazer para a escola tudo o que contribua para dilatar a sensibilidade dos alunos e estimular seu potencial artístico. &lt;br /&gt;O roteirista de “21 gramas” chegou com uma hora de atraso, acompanhado pelo colega Marçal Aquino, mediador do debate. Depois das desculpas devidas e aceitas, o brasileiro fez a apresentação do colega mexicano e contou que Arriaga estava no Brasil para divulgar seu novo livro, O Esquadrão Guilhotina, editado pela Gryphus, a mesma de seus outros dois romances, O Búfalo da Noite e Um Doce Aroma de Morte. &lt;br /&gt;Na conversa que se seguiu, o tema principal foi o novo trabalho de Arriaga como diretor de cinema (“The Burning Plain”, com Charlize Theron e Kim Basinger). Isso ensejou o papo sobre a relação, em Hollywood, entre diretores e produtores. Esses últimos, segundo Arriaga, sempre presentes em duas ocasiões: “a de ajudar o diretor a fazer um filme melhor e a de não deixar o diretor fazer uma besteira.”&lt;br /&gt;Quanto à diferença entre o trabalho solitário do roteirista e a atividade no set de filmagem, ele disse que não há nada mais divertido do que dirigir um filme “com uma grande equipe, mais de 150 pessoas, e muitas mulheres bonitas”.&lt;br /&gt;Quando perguntado até que ponto um diretor autoral é respeitado pela indústria cinematográfica norte-americana, o roteirista de “ Os Três Enterros de Melquiades” foi taxativo:&lt;br /&gt;_ Tudo em Hollywood depende de como você se vende. Se você se vender como diretor autor, vão te comprar como tal e respeitar seu trabalho autoral.&lt;br /&gt;Nessa altura, eu perguntei a Arriaga se era verdade que seu roteiro de “Amores Brutos” havia sido reescrito 27 vezes antes de ser filmado. Ele não só confirmou a informação como disse que costuma reescrever até 50 vezes uma página de roteiro, e confidenciou ao público ali presente que a primeira página do seu primeiro romance foi reescrita OITOCENTAS vezes.&lt;br /&gt;Exagero ou não, o fato é que essa declaração valorizou ainda mais, em minha opinião, a pessoa e a literatura de Gullermo Arriaga; por ele declarar, dessa forma, que não se considera um “gênio da raça”, mas um dedicado operário da arte de escrever. &lt;br /&gt;Ao fim do debate, bem impressionada, levei ao escritor meu exemplar de seu novo romance para ser autografado. Quando me vi frente a frente com o roteirista de “Babel”, contei-lhe da viagem maravilhosa que fiz à Cidade do México no ano passado e conversamos um pouco sobre as diferenças e semelhanças entre nossos dois países. Poucos minutos depois, despedi-me de Guillermo Arriaga ainda mais bem impressionada. Nem tanto pelo dedo de prosa agradável que ele me dedicara, quanto pela beleza singular de seus grandes olhos azuis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**********************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-7612584104216775790?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/7612584104216775790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=7612584104216775790' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7612584104216775790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7612584104216775790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/08/mxico-urgente.html' title='México Urgente'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8429677533569560477</id><published>2008-08-17T22:55:00.009-03:00</published><updated>2008-09-04T17:43:54.128-03:00</updated><title type='text'>Sobre Jerusalém</title><content type='html'>Jerusalém é a Disneylândia dos místicos. Foi a idéia que me ocorreu quando estive pela primeira vez na capital israelense, no mês passado. Em apenas um quilômetro quadrado, cercado pelas muralhas milenares da Cidade Velha, as três religiões monoteístas disputam corações e mentes de fiéis de todo o mundo que chegam à Terra Santa para reverenciar a memória dos principais personagens ou visitar os lugares mais sagrados da Bíblia e do Alcorão. &lt;br /&gt;          Localizada nas montanhas da Judéia, entre o mar Mediterrâneo e o mar Morto, Jerusalém – atualmente sob a jurisdição de Israel – tem uma história que remonta a 1004 a.C., quando foi fundada pelo rei Davi – o  rapaz franzino que enfrentou e venceu o gigante Golias e depois unificou e transformou em nação as 12 tribos dos hebreus. Desde então, a cidade sofreu invasões, destruições, êxodo e retorno do povo judeu. O Muro das Lamentações é uma relíquia dessa história. Foi o que restou do Templo de Salomão – incendiado pelos romanos nos primórdios da era cristã. Para os judeus ainda há que visitar o Monte Sião, onde está o túmulo de Davi; o Monte das Oliveiras, com um antigo cemitério judaico; e o Monte do Templo, lugar em que os ortodoxos se recusam a pisar para não profanar a sua santidade. &lt;br /&gt;         A romaria dos cristãos à antiga Jerusalém busca percorrer o caminho do Calvário que leva à igreja do Santo Sepulcro, erguida sobre o local onde Cristo ressuscitou depois de crucificado, morto e sepultado. No Monte das Oliveiras, Jesus se reunia com os apóstolos. O salão no qual foi realizada a última ceia está intato até hoje. E os devotos ainda podem rezar sobre o túmulo da Virgem. &lt;br /&gt;           Terceira cidade mais sagrada para os islâmicos, depois de Meca e Medina, Jerusalém é o lugar da mítica viagem noturna de Maomé e da sua ascensão ao céu. Ali está o Pátio das Mesquitas, com a mesquita de Al-Aqsa e o Templo de Omar, além da impressionante Cúpula do Rochedo – onde reina a pedra que teria dado origem ao planeta. &lt;br /&gt;          Com tal concentração de monumentos e sobreposição de espaços sagrados para o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, fica difícil, mesmo para o melhor guia, evitar que o turista sem muito conhecimento das três religiões acabe por fazer na cabeça um samba do crioulo doido. Melhor seria que a cidade fosse explicada por camadas históricas em ordem cronológica, sem privilegiar uma ou outra crença. Como isso não acontece, o sucesso da visita a Jerusalém vai depender da afinidade entre a religião do grupo e do guia escolhido. Se não, o passeio vira uma batalha ideológica, com cada qual puxando a brasa para a sua sardinha. Mais ou menos o que tem acontecido na Cidade Velha, no decorrer do tempo, principalmente nos campos santos para os cristãos, onde diferentes ordens da Igreja Católica, como a dos franciscanos e beneditinos, construíram templos e capelas em lugares contíguos ou quase sobrepostos e que ainda têm que disputar o espaço exíguo com católicos ortodoxos.&lt;br /&gt;        Para mim, talvez fosse melhor ver os lugares santos preservados, sem a intervenção da Igreja, exatamente como aparecem nos filmes bíblicos de Cecil B. DeMille. Mas para a maioria das pessoas é diferente; elas se emocionam a cada metro quadrado, dispostas a verterem lágrimas sobressalentes quando uma simples coincidência torna a experiência de estar na Terra Santa algo quase sobrenatural. &lt;br /&gt;         Foi o que aconteceu com o nosso grupo que, atrasado, acabou por ficar preso na Igreja do Santo Sepulcro, exatamente às seis da tarde, quando os franciscanos vêm em procissão, de vela na mão, para a missa da Ave Maria. Neste momento as portas do templo se fecham, cai uma forte penumbra, e ninguém entra nem sai. Foi quando começou a tocar um órgão magnífico... Exaustos, decidimos nos sentar no chão e ali ficamos por um longo tempo, mergulhados em misticismo, afogados de emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8429677533569560477?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8429677533569560477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8429677533569560477' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8429677533569560477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8429677533569560477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/08/sobre-jerusalm.html' title='Sobre Jerusalém'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8061386466937093692</id><published>2008-08-12T13:49:00.004-03:00</published><updated>2008-08-12T13:53:53.316-03:00</updated><title type='text'>Matéria da Gazeta Mercantil</title><content type='html'>A pedido dos que não conseguiram acessar as páginas do Caderno de Cultura da Gazeta Mercantil da última sexta-feira, vai aí a matéria publicada: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haifa - A abertura da oitava edição do Festival de Cinema Brasileiro em Israel foi animada por um conjunto de bossa nova. O público que compareceu à Cinemateca de Tel Aviv comprou ingressos com antecedência e teve direito ao coquetel de abertura do evento, regado a caipirinha e guaraná de exportação gelado. Cinéfilos mais desinibidos chegaram a tentar alguns passos desengonçados de samba, minutos antes de ocupar os 700 lugares da sala de projeção para assistir ao filme “Tropa de Elite”. Muitos já tinham visto o trailer que apresenta o Rio de Janeiro como “a cidade mais violenta do mundo”, mas isso não diminuiu o impacto da estréia do longa-metragem de José Padilha que aqui, como em outros países onde foi exibido, dividiu opiniões. Ao final da sessão, metade da platéia aplaudia com entusiasmo a produção sobre a violenta atuação do BOPE no combate ao tráfico de drogas nas favelas cariocas, enquanto a outra parte demonstrava certa contrariedade. Yael Goren, de 22 anos, que acaba de dar baixa do serviço militar, foi à sessão com a mãe, Nimra Goren, advogada de 55 anos. Elas sabiam que o filme era violento, mas não esperavam que fosse tanto e disseram ter tido dificuldade de ficar até o final da projeção. Na saída da cinemateca, Yael declarava uma antiga vontade de conhecer o Brasil, porém, ao contrário de Israel, não acredita que se sentiria segura num lugar onde a polícia atua com tamanha truculência:&lt;br /&gt;_ Aqui é diferente. Muitas vezes eu ando de ônibus ao lado de um soldado com a metralhadora encostada na minha perna, mas sei que ele é muito bem treinado e só usaria a arma para me defender. &lt;br /&gt;Já Heror Cohen, estudante de cinema na Universidade de Tel Aviv, gostou do filme e fez um paralelo entre a situação do Rio de Janeiro atual e o holocausto dos judeus na Segunda Guerra Mundial:           &lt;br /&gt;_ Ainda é muito forte entre nós a memória de uma época, como a dos meus avós que morreram na Alemanha entre 1944 e 1945, em que a vida humana não valia nada, assim como acontece hoje com vocês. &lt;br /&gt;“Tropa de Elite” também foi selecionado para abrir o festival na Cinemateca de Jerusalém, um belo prédio com quatro salas de projeção e um acervo de mais de 35 mil títulos, que vão desde as raridades dos primeiros registros de imagens em movimento do final do século XIX até os dias de hoje, cobrindo inclusive toda a história do jornalismo no século XX. O coquetel de abertura aconteceu nos jardins da cinemateca, de frente para a muralha da cidade velha, para um público mais formal que o de Tel Aviv, com menos jovens na platéia. Mesmo assim, muitos permaneceram em seus lugares depois da projeção, decididos a participar do debate com o ator André Ramiro, o tenente Matias do filme.&lt;br /&gt;De tudo o que viram na tela, o que mais impressionou aos israelenses parece ter sido o fato de policiais envolvidos em corrupção e abuso de poder não ser devidamente punidos. Outros quiseram saber se no Rio de Janeiro existe um monumento para as vítimas da violência. Os brasileiros, em maioria na platéia do debate, mostravam-se indignados com a divulgação negativa que filmes com mesma temática de “Tropa de Elite” fazem do Brasil no exterior.  Muitos chegaram a criticaram o apoio da embaixada brasileira ao festival.&lt;br /&gt;Ao final do debate, na saída da cinemateca, ainda havia gente disposta a continuar discutindo o filme. Numa roda de amigos, Netanel, empresário de 28 anos, que não quis revelar o sobrenome, dizia ver os traficantes como terroristas que precisam ser eliminados da sociedade. Para ele, é inevitável que haja vítimas inocentes nesse tipo de guerra:&lt;br /&gt;__Quando eu atuava no Exército de Israel, no combate ao terrorismo, ficava muito impressionado. Algumas vezes via o rosto de um jovem inocente morto no conflito por dois meses. Mas, você acha que podemos deixar os terroristas agirem livremente?&lt;br /&gt;A pergunta pairou por alguns segundos no ar, até que o próprio Netanel continuou, desta vez contando que a coisa que mais lhe impressiona é saber que, apesar de tudo, o Brasil é um lugar de pessoas felizes. Ele disse se lembrar da dança de Ronaldinho Gaúcho para comemorar os gols no Barcelona e terminou levantando outra questão difícil de responder:&lt;br /&gt;_ Como essas pessoas podem viver tão contentes rodeadas de tanta pobreza e violência? Como essas duas coisas podem vir juntas? &lt;br /&gt;Em Haifa, a reação ao longa-metragem de José Padilha não foi muito diferente das outras cidades israelenses que abrigam o festival. Aqui, a platéia também ficou dividida e as questões discutidas ao final da projeção refletiam a oposição ideológica entre conservadores e progressistas na associação direta que fazem  entre a luta contra os terroristas em Israel e os traficantes de drogas no Brasil. Enquanto os primeiros reiteravam o apoio à ferocidade das forças de segurança israelenses como fato inevitável do conflito com os palestinos, os outros criticavam a violência e os excessos cometidos em nome do combate ao terrorismo. Mas houve quem propusesse uma reflexão diferente. O filósofo Alon Ronit, de 60 anos, criticou o filme por supervalorizar as cenas de ação e negligenciar a condição existencial dos protagonistas:&lt;br /&gt;_ O filme fica muito voltado para as coisas que acontecem do lado de fora e deixa de contar as transformações internas dos personagens, muito mais importantes para o bem-estar do homem a evolução do sentimento de humanidad&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8061386466937093692?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8061386466937093692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8061386466937093692' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8061386466937093692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8061386466937093692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/08/matria-da-gazeta-mercantil.html' title='Matéria da Gazeta Mercantil'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-1463653711424172961</id><published>2008-08-10T08:23:00.002-03:00</published><updated>2008-08-10T08:37:25.043-03:00</updated><title type='text'>Ainda Tel Aviv 2</title><content type='html'>*&lt;br /&gt;Faltou contar que o hotel onde nos hospedamos foi o primeiro cinema de Tel Aviv, construído nos anos 30, na melhor tradição do estilo Bauhaus. O prédio foi recentemente restaurado para se transformar num charmoso hotel-butique, mas como é histórico e tombado guardou as características originais, principalmente a fachada. Também foi mantida a bonita escadaria original, com desenhos geométricos em preto e branco, os lustres e arandelas de bronze e cristal, os cartazes de filmes antigos, e até mesmo (parece coisa de Woody Allen) algumas poltronas de madeira da sala de projeção com o “histórico” chiclete grudado.  Além disso, vira e mexe, ao transitar pelas dependências do hotel, o hóspede se depara com uma velha câmera de cinema apontada em sua direção.  A atmosfera única criada com toda a ambientação do lugar,  mais o posicionamento estratégico dessas verdadeiras relíquias cinematográficas, acaba por tornar desnecessário o alerta:&lt;br /&gt;Sorria, você está sendo filmado!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-1463653711424172961?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/1463653711424172961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=1463653711424172961' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1463653711424172961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1463653711424172961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/08/ainda-tel-aviv-2.html' title='Ainda Tel Aviv 2'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-5508570224926478217</id><published>2008-08-09T04:57:00.002-03:00</published><updated>2008-08-09T05:00:43.103-03:00</updated><title type='text'>Ainda Tel Aviv</title><content type='html'>Tel Aviv tem aproximadamente trezentos e setenta mil moradores, em grande parte jovens da segunda geração de israelenses, além da moçada que vem de todo o mundo para aperfeiçoar aqui o hebraico, ajudar na construção do país, ou mesmo – os de origem mais ideológica – alistar-se no serviço militar. &lt;br /&gt;A cidade nasceu no início do século passado a partir da criação do sionismo; o movimento de caráter nacionalista que instou o povo judeu a construir uma pátria na região onde viveram seus ancestrais. Portanto, a Tel Aviv já existia quando foi fundado o Estado de Israel, em 1948, e guarda características da arquitetura modernista da primeira metade do século vinte. O bairro Branco é reminiscente dessa época. Ele é cortado pelo belíssimo bulevar Rothchild, com um largo canteiro central ornamentado de tamareiras e flamboaiãns, ladeado em toda a sua extensão por prédios de até quatro andares – todos brancos – construídos no mais puro estilo Bauhaus. Muitos dos prédios estão em obras de restauração, pois a região vem passando por um processo de revitalização dede que há mais ou menos uma década foi descoberta e invadida pelos artistas seguidos de gente rica e sofisticada, agora disposta a pagar uma nota preta para morar ali. Com a valorização imobiliária vieram os investimentos em lazer e serviços que transformaram a região no mais transada da cidade.  Com quiosques chiquérrimos espelhados pelos canteiros centrais do bulevar, bares e restaurantes cheios de bossa e até champanheria. E tudo na maior descontração, com muita gente relax, conversando e bebendo pelas calçadas à noite e de dia, sentada com seus laptops nos inúmeros cafés que além de ar-condicionado, oferecem wi-fi de livre acesso para os fregueses. Pra mim, é um lugar próximo do paraíso (lembrando que a praia é logo ali).&lt;br /&gt;Nosso hotel fica mais ao centro, numa área que deveria ser ainda mais valorizada, dada a proximidade com a orla de areia alva e o azul místico do Mediterrâneo.  No entanto o que se vê no caminho até a praia são prédios de poucos andares em péssimo estado de conservação. À noite, durante jantar com o embaixador do Brasil em Israel, Pedro Coelho, comentei com sua esposa e secretária cultural da embaixada, Moira Coelho, o quanto aquele fato me  intrigara.  Ainda mais sendo esta a região dos melhores hotéis na cidade, como o Renaiscence  e o Shaeraton. Moira, uma adorável carioca disposta a fazer com que a delegação brasileira tivesse a melhor acolhida em sua estada em Israel, prontamente me contou que, no início do sionismo, famílias judias da Europa compravam em quantidade pequenos terrenos nesta região para ter “pedacinhos da Terra Prometida.”  Aconteceu que o Holocausto da Segunda Guerra Mundial acabou por dispersar esses proprietários e seus descendentes, os quais nunca apareceram para reclamar seu legado e dificilmente são encontrados agora pelos advogados especializados e empenhados em promover transações imobiliárias em Tel Aviv. Portanto, a maioria desses prédios é habitada por quem não tem interesse econômico no imóvel. Por um lado é uma pena, pois a região poderia ser muito mais bem conservada aproveitando o seu charme natural. Por outro, freou a especulação imobiliária que tiraria, principalmente, da avenida beira-mar a aparência adorável de uma Copacabana dos anos 50.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*********************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-5508570224926478217?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/5508570224926478217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=5508570224926478217' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5508570224926478217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5508570224926478217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/08/ainda-tel-aviv.html' title='Ainda Tel Aviv'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-7348657534579045616</id><published>2008-08-02T01:22:00.003-03:00</published><updated>2008-08-02T13:56:37.965-03:00</updated><title type='text'>Tamareiras</title><content type='html'>Tel Aviv - A viagem do Brasil para Israel é uma estirada e tanto. São mais de 24 horas, se contarmos do momento em que se chega ao Galeão até a hora do desembarque no Aeroporto Internacional de Tel Aviv, que por sinal é amplo e tem uma bela arquitetura moderna de máximo aproveitamento da luz solar. Cansadíssimos e resignados com a rigorosa revista que nos aguardava na imigração, fomos surpreendidos pelo trâmite sem demora e sem  ostentação de forças de segurança nas áreas onde os passageiros transitam. O funcionário do Itamaraty que foi nos receber no início do desembarque me disse que, além dos cuidados da organização do festival para que não tivéssemos o menor transtorno em nossa chegada, o serviço de segurança israelense tem investido mais na estratégia de inteligência do que na de ação ostensiva. Assim, ainda segundo ele, agentes disfarçados se juntariam aos passageiros já na saída do avião, e seguiriam com eles, investigando qualquer atitude suspeita que imediatamente seria repassada para a segurança do aeroporto tomar as atitudes de praxe nesses casos, como a revista rigorosa e até a detenção para averiguação. Imagino que nossa bagagem também tenha passado por raio X, mas nenhum de nós quis saber mais desse assunto no caminho do aeroporto para o centro da cidade, banhado da luz dourada do entardecer e cercado em todo o trajeto pelas típicas tamareiras do oriente.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-7348657534579045616?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/7348657534579045616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=7348657534579045616' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7348657534579045616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7348657534579045616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/08/palmeiras-de-tmaras.html' title='Tamareiras'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-519112565967190030</id><published>2008-07-31T11:17:00.004-03:00</published><updated>2008-07-31T11:37:41.377-03:00</updated><title type='text'>8º Festival de Cinema Brasileiro em Israel</title><content type='html'>Começa no próximo sábado, dia 2 de agosto, em Tel Aviv, o 8º Festival de Cinema Brasileiro em Israel. Jerusalém e Haifa também estão no circuito do evento que exibe o filme “Tropa de Elite” nas noites de abertura. O diretor e curador do festival, Shlomo Azaria, acredita que o longa-metragem de José Padilha terá a preferência dos cinéfilos, porém garante que procura agradar a gostos variados:   &lt;br /&gt;_ Antes de tudo, aposto na qualidade dos filmes, em produções bem feitas que passem nas premières selecionadas do FestRio, Mostra de Cinema de São Paulo e Festival de Gramado. Mas para não ficar só com os cinéfilos, amplio as sessões para o público que gosta das telenovelas brasileiras, de futebol e de Bossa Nova.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Um júri de cineastas e críticos de cinema israelenses vai escolher o melhor filme de ficção e o melhor documentário do festival. Há também a premiação pelo júri popular que elegerá o melhor longa-metragem entre produções tão distintas quanto “A Grande Família”, de Maurício Farias e “Condor”, de Roberto Mader. Para o diretor do documentário sobre as atrocidades cometidas pelas ditaduras militares dos anos 70 no Cone Sul, há outra dimensão além da expectativa pessoal de conhecer “um lugar de onde vem tanta coisa de nossa civilização”.&lt;br /&gt;_ Um festival em um país como Israel, inevitavelmente vai discutir a questão de cinema e conflitos amados, fundamental para “Condor” – diz Mader. – Além disso, há o paralelo entre todas as sociedades que passam por genocídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Julia Lemmertz também participa do Festival de Cinema Brasileiro em Israel e se diz contente em aproveitar a oportunidade para visitar uma região pela qual é fascinada desde pequena:&lt;br /&gt; – É mágico poder ir Jerusalém, ter um contato direto com o início de tudo. Sempre tive interesse em entender esse conflito religioso, curiosidade e respeito. Sempre fiquei perplexa com essa guerra que é o início de todas as guerras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Para a atriz, que aparecerá nas telas israelenses em dois filmes – “Meu nome não é Jonny”, de Mauro Lima e “Mulheres Sexo Verdade Mentiras”, de Euclydes Marinho –, mesmo sem a tradicional premiação de atores, o festival pode promover “um intercâmbio espetacular”:  &lt;br /&gt;- O melhor de participar de um festival é a troca cultural muito rica. É encontrar gente que você nunca viu e está ali para trocar idéias. É também descobrir que, assim como a gente gosta de ver filmes sobre outros países, o público de outros países gosta do cinema nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             A idéia de mostrar o cinema brasileiro no oriente médio vem do tempo em que Shlomo Azaria foi para Israel como exilado político. De cabeça feita nos cineclubes de sua adolescência, na Bahia, ele aproveitou a oportunidade para estudar cinema na Universidade de Tel Aviv, onde lecionava o documentarista David Perlov, um entusiasta do Cinema Novo. &lt;br /&gt;_ Havia na Universidade uma cópia em 16 mm de “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, de Glauber Rocha, e Perlov me pedia que falasse para os outros alunos sobre aquela cultura tão distante _ conta Shlomo, que só pode realizar seu sonho muitos anos depois por meio das leis de incentivo fiscal que também proporcionaram a Retomada.&lt;br /&gt;            Apesar da inquestionável contribuição dos judeus para o desenvolvimento do cinema mundial desde seus primórdios – tanto como linguagem independente do teatro e da literatura, na sua forma artística, quanto como veículo de comunicação de massa, nas produções comerciais de Hollywood –, a primeira cinemateca do país só seria criada, em Jerusalém, mais de duas décadas depois da fundação do Estado de Israel, em 1948. No rastro da primeira vieram as cinematecas de Tel Aviv e Haifa que formam o circuito onde serão exibidos os filmes nacionais para uma audiência de maioria israelense, embora com a presença marcante da comunidade brasileira e sul-americana no país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         O público estimado para as três salas, em seis dias de exibição, é de 15 mil pessoas. Nada mal para os 3.500.000 de habitantes das três maiores cidades de Israel, que terão a oportunidade de saber mais sobre a cultura e costumes brasileiros; mas também sobre a violência em nossas cidades, principalmente no Rio de Janeiro onde se deu o trágico seqüestro narrado no filme “Ônibus 174”, incluído na seleção do festival. E como filmes carregados de violência seriam recebidos em cidades guardadas por soldados armados até os dentes; onde a população enfrenta diariamente a ameaça terrorista em veículos coletivos, ruas e shopping centers? André Ramiro, ator que faz Matias, o policial bonzinho de “Tropa de Elite”, acredita que a violência existe no mundo todo e que cada país se identifica com o filme de forma diferente, como pôde perceber em festivais no México e em Portugal. Para André, nesse sentido, haverá certa identificação com o público de Israel.&lt;br /&gt;_ O problema lá é com terras, é o egoísmo do ser humano. Mas violência é sempre o reflexo do egoísmo do ser humano – diz o ator, acrescentando que seu personagem é recebido muito bem por todos os tipos de público embora ele mesmo sinta muita pena do policial que interpreta no filme, e que acaba sendo contaminado pelo clima de violência ao seu redor: &lt;br /&gt;_O Matias é um personagem que não fez boas escolhas e me dá muita pena por isso. Mas tenho um carinho muito grande por tudo o que ele me deu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        André vai receber no próximo domingo mais um presente do Matias: &lt;br /&gt;_ Vou conhecer a Terra Santa, a terra onde Jesus pisou.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A matéria completa do FCBI, assinada por mim, será publicada amanhã no Jornal do Brasil e no caderno de cultura da Gazeta Mercantil. A partir daí, todas as semanas, marcarei ponto nos dois jornais para narrar fatos e experiências que de alguma forma possam interessar a vocês. Um grande abraço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-519112565967190030?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/519112565967190030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=519112565967190030' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/519112565967190030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/519112565967190030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/07/8-festival-de-cinema-brasileiro-em.html' title='8º Festival de Cinema Brasileiro em Israel'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8225293598740539878</id><published>2008-07-21T20:12:00.008-03:00</published><updated>2008-10-22T17:06:14.190-02:00</updated><title type='text'>Domingo no Jobi</title><content type='html'>Um dia desses eu estava pensando por que é que gosto tanto de sair para tomar um chopinho num bar. Às vezes sou convidada para o primeiro programa por um pretendente e, em vez de escolher um lugar mais sofisticado, ou um restaurante novo – pra mostrar inclusive que tenho gosto mais arrojado, ou que estou antenada com a vida chique da cidade –, acabo sugerindo um bar dos mais conhecidos e freqüentados por mim. E nem sempre é pelo chope, que ultimamente venho substituindo pela caipirinha com adoçante. É mais pelo ambiente em si; e também para saber logo se o cara é bom de papo e seria boa companhia pro meu programa favorito. Programa este que repeti no último domingo em companhia muito especial. Fui almoçar no Jobi com a Roberta, a filha da minha melhor amiga de dois anos e meio de idade. Roberta é linda! Tem os cabelos castanhos cacheados, um sorriso que irradia felicidade, uns olhinhos brilhantes com pestanas reviradas e fala de um jeito cantado que eu nunca vi igual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre amigos e familiares, éramos oito pessoas. Logo atrás, num grupo também de oito, estava outra família com duas crianças e a babá. E o movimento de gente passando de um lado pro outro era intenso, e os garçons com bandejas carregadas de tulipas de chope bem gelado, e a profusão de batata frita fresquinha, e a babá com o carrinho imprensado entre a nossa mesa e a seguinte, e os amigos que passam e falam com gente das mesas que por sua vez se levanta para um abraço e acaba esbarrando em quem está atrás,e a conversa entre mães de mesas diferentes e o tumulto é geral, mas ninguém reclama porque, afinal, estamos num bar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que me lembrei de uma passagem deliciosa da minha infância justamente na mesa de um dos mais tradicionais bares do Rio de Janeiro, o Bar Alpino, que existiu na avenida Atlântica até o final da década de 60. Diferente do Jobi, o lugar era bastante espaçoso, e tudo que me recordo é que tinha aquelas mesas e cadeiras de armar da Brahma, com tampo de madeira e pernas em forma de xis; e também que os adultos ficavam tão contentes ali que não negavam nada pras crianças, não importa quantas garrafas de grapete meu irmão pedisse e quantas porções de batata frita nós devorássemos antes do almoço.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, no meio daquela algazarra típica, alguém falou que o Ary Barroso acabara de entrar e se sentara numa mesa perto da nossa. Lembro ouvir minha mãe dizer que se tratava do maior compositor brasileiro de todos os tempos. Um dos meus tios, que tinha opinião pra tudo e de tudo discordava com o propósito louvável de manter a conversa animada, logo se manifestou: “Compositor que nada. O que ele faz é comprar samba de morador do morro”. Daí em diante, seguiu-se uma discussão que foi pela tarde adentro, e vez por outra era requentada nas reuniões de família. Mas, naquela dia, ouvi ainda coisas formidáveis sobre o homem corpulento, de cabeça grande e presença marcante com seu terno branco e óculos de aro escuro. Ouvi que Aquarela do Brasil era “o verdadeiro hino nacional”, apesar de Ary Barroso não entender de música (imagina se entendesse!) e que o único instrumento que ele tocava era a caixinha de fósforo. "Ao contrário, Ary Barroso é um exímio pianista", exagerava um amigo de papai. Fiquei fascinada com a conversa. Ainda mais quando soube que o vizinho de bar era o autor de Na Baixa do Sapateiro, já naquele tempo, uma das músicas de que eu mais gostava. E que muitos anos mais tarde ouvi numa noite especial, num momento de total sintonia entre o que diz a letra e o que o meu coração sentia. Letra que, como as de Cole Porter, tem um toque de otimismo irreverente ao final. Teria sido eu “aplicada” assim tão prematuramente? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, mas isso já é outra história e o que importa aqui é a memória de um almoço de domingo num bar do Rio de Janeiro. Assim como naquele dia, milênios atrás, domingo passado também chegou alguém muito importante para a mesa seguinte à nossa. Era o avô. Magrinho, velhinho, de boné e grandes óculos de grau, ele veio de mansinho, beijou as crianças, o filho, a nora, o casal de sobrinhos e fez um afago na babá. Depois, sentou-se ao lado do carrinho de bebê e ficou brincando com a netinha. A conversa na nossa mesa continuou como antes. Ninguém comentou a presença ilustre ali no bar. E eu me lembrei com saudades daquele tio polemista que não deixaria passar em brancas nuvens um acontecimento desta ordem. Posso até imaginar, num exercício de especulação, o tio comentando que o senhorzinho recém-chegado poderia ser considerado até mesmo um ótimo escritor, mas nunca se igualar a Machado de Assis, como faz o editor na contracapa de seus livros. E a nossa mesa passaria a tarde toda discutindo se o Rubem Fonseca pode mesmo ser comparado ao Bruxo do Cosme Velho. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;*************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8225293598740539878?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8225293598740539878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8225293598740539878' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8225293598740539878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8225293598740539878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/07/domingo-no-bar.html' title='Domingo no Jobi'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-7471014140022191710</id><published>2008-07-14T12:18:00.005-03:00</published><updated>2008-07-14T12:28:58.343-03:00</updated><title type='text'>Cidade da Paz</title><content type='html'>Na ocasião do último FestRio, eu estava na Cidade do México caminhando por entre ruínas pré-hispânica, conhecendo a cultura indígena e admirando a arte pós-revolucionária dos fabulosos muralistas e suas cores embebidas em sol e ideologia. Voltei levitando de corpo e alma para ouvir logo no primeiro dia que havia, enfim, surgido no Brasil um verdadeiro herói nacional. Para espanto meu, tratava-se do Capitão Nascimento, coadjuvante que tomou o lugar de protagonista no filme Tropa de Elite, de José Padilha, exibido no festival. Tomei um susto. Sabia do que se tratava pelas matérias nos jornais. Assim que o filme entrou em cartaz, fui assistir à primeira sessão. Fiquei abismada com a possibilidade de alguns de meus amigos considerarem herói um torturador assassino. Voltei para casa e escrevi neste blog que o filme tem uma mensagem fascista, pois prega o mal (a execução sumária, por exemplo) com a justificativa de defender os interesses da coletividade. Daí por diante sofri uma enxurrada de críticas toda vez que expunha minha tese. Até que o filme concorreu ao Festival de Berlim e foi considerado fascista por metade da crítica internacional. A outra metade aplaudiu, e Tropa de Elite ganhou o Urso de Prata. Fim de papo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polêmica volta agora, quando a violência policial atinge um nível absurdo no Rio de Janeiro. Em excelente artigo no Globo de sábado, Arnaldo Bloch, pergunta: “Já nos esquecemos que, menos de um ano atrás, o matador e torturador Capitão Nascimento, de “Tropa de Elite”, virou ídolo nacional? Esquecemos que em nossa cidade, os batalhões, para se motivar, saem às ruas “animados” pela trilha sonora do filme?”  Elio Gaspari também enfocou a onda de crimes chocantes na cidade em menos de um mês, todos envolvendo agentes da ordem. Da ação tenebrosa do tenente e dez militares do Exército que entregou três rapazes do Morro da Providência a uma quadrilha de traficantes e assassinos, ele disse: “Muita gente boa parecia viver seu momento de Tropa-de-elite: afinal o Exército subira o morro.” Ainda bem que essas poucas vozes, dissonante da maioria silenciosa vêm de posto elevado do jornalismo nacional e apontam para a urgente reflexão sobre a atuação criminosa da polícia, que só causa indignação na sociedade civil quanto atinge integrantes da classe média pra cima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casos como o do menino João Roberto Soares – assassinado por PMs dentro do carro dos pais em uma rua da Tijuca -  acontecem com freqüência nas favelas da cidade, onde a polícia entra atirando pelos becos, alvejando janelas, metendo o pé nas portas das casas e a mão na cara de jovens que estão no lugar errado na hora errada simplesmente porque é o único lugar que eles têm para viver. Mas basta a polícia alegar que perpetrou esses crimes em ações de confronto com bandidos, e fica tudo por isso mesmo. É uma pena, sinceramente, ser preciso que a tragédia freqüente nos morros e periferias da cidade aconteça num bairro tradicional de classe média e com filho de advogados para transformar ocorrência corriqueira em “crime chocante”.  É uma dádiva para toda a sociedade que Paulo Roberto Soares tenha feito da dor de perder um filho, um libelo contra a política de enfrentamento do governador Sérgio Cabral: “O Estado não tem carta branca para matar ninguém. Aqui não tem pena de morte. E se fossem bandidos? Que prendessem os caras!”  Mas esperar o quê do governador que diz que a Rocinha é “fábrica de marginais”?  Só nos resta insistir no debate sobre qual é a nossa responsabilidade nessa cultura da violência, da injustiça e da exclusão. No mínimo, porque o sinistro está prestes a bater em nossa porta.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou para o Festival do Cinema Brasileiro em Israel que acontece no mês de agosto em várias cidades daquele país. Vou observar para escrever neste blog e em outros órgãos de imprensa como o cinema brasileiro é recebido lá. Espero colher um bom material para continuar inclusive a discutir assuntos como o de hoje, já que o festival começa em Jerusalém com a exibição do filme Tropa de Elite. Tenho muita curiosidade em saber como a figura polêmica do Capitão Nascimento será recebida na Cidade da Paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-7471014140022191710?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/7471014140022191710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=7471014140022191710' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7471014140022191710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7471014140022191710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/07/cidade-da-paz.html' title='Cidade da Paz'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-5318967650205268442</id><published>2008-07-06T20:27:00.003-03:00</published><updated>2008-07-06T21:55:58.461-03:00</updated><title type='text'>Brasileira do Rio de Janeiro</title><content type='html'>Na noite da última sexta-feira fui com um amigo ao Teatro Municipal assistir ao concerto da OSB com apresentação da cantora Monica Salmaso e o Quinteto Pau Brasil. O programa começou com a “Suíte Vila Rica”, de Camargo Guarnieri, um convite para um agradável passeio pela cultura brasileira feito sem muita convicção pela orquestra que falhou em valorizar a espontaneidade da obra. Vieram as Bachianas Brasileiras nº 7. Com um material mais exuberante nas mãos, maestro e orquestra pareciam mais empenhados em envolver o público na brasilidade inspirada de Villa-Lobos. Deram conta do recado e a platéia saiu para o intervalo com o espírito ligeiramente mais elevado. Pena que a demora para a segunda parte da apresentação tenha sido longa o bastante para deixar o peso da semana voltar aos ombros da audiência que assistiu desanimada à cantora entrar em cena e se desculpar pela voz reduzida em conseqüência de forte crise de garganta. Anticlímax que o carisma sutil de Mônica, aliado à afinação de uma voz clara e personalíssima na interpretação das canções de Chico Buarque, conseguiu reverter levando a platéia a se deleitar com as deliciosas “Bom Tempo” e “Ciranda da Bailarina”. É justo dizer que a participação do Pau Brasil, com a qualidade de músicos como um Nelson Aires ao piano, foi fundamental para garantir o sucesso da noite. Ressalva apenas para os arranjos sinfônicos desiguais. No caso de “Construção”, por exemplo, a opção pelo virtuosismo foi exagerada. Não precisava. O efeito foi apenas barulhento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas saímos, eu e meu amigo, satisfeitos com o espetáculo e já nas escadarias do teatro cismávamos com o motivo pelo qual a OSB passou a se chamar Orquestra Sinfônica Brasileira da Cidade do Rio de Janeiro. Para implicar, eu disse que era coisa de lobby paulista que, empolgado com a elevação da OSESP ao pódio de melhor orquestra sinfônica do país, resolveu arrancar também do nome a supremacia da mais antiga das sinfônicas brasileiras. Ao que meu amigo imediatamente protestou, sem nunca perder a elegância, argumentando que em todo o mundo as sinfônicas são prerrogativas das cidades, e que o fato da OSB ser agora OSB da Cidade do Rio de Janeiro só insuflaria o bairrismo dos cariocas, contribuindo para incentivá-los a apoiar ainda mais a orquestra. É claro que seu paulistismo (como diria Mário de Andrade) não deixa meu amigo ver que no imaginário da população da ex-capital da Colônia, do Reino Unido a Portugal e Algarves, do Império e da República, os conceitos de nacional e brasileiro se confundem com o Rio de Janeiro e, portanto, não seria essa uma justificativa aceitável para a trapalhada da dupla identificação. Assim, mesmo sabendo que OSESP quer dizer Orquestra Sinfônica do Estado (e não da cidade) de São Paulo, mudei de assunto e perguntei onde iríamos jantar. Meu amigo passou a se preocupar com a qualidade das cartas de vinhos dos restaurantes cariocas e deixou a polêmica sinfônica pra lá. Daí em diante tudo correu muito bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte acordei com a questão da véspera pingando dúvidas, como se tivesse uma torneira mal fechada na cabeça. E antes de ir aproveitar o Sábado de Portas Abertas em Santa Teresa, resolvi ligar para um ex-diretor do Teatro Municipal, grande fonte para assuntos de cultura. Generoso com os menos esclarecidos, ele logo se dispôs a aplacar minha curiosidade. Contou-me que a impropriedade do novo nome da OSB, rejeitado inclusive no meio artístico e cultural, decorre de condição imposta pela prefeitura do Rio de Janeiro para pagar os salários dos músicos na ocasião da última crise da orquestra, na virada do milênio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascida há 66 anos como uma empresa particular, que vivia de concertos, a OSB conheceu sua primeira grande crise em 1968. Foi quando o ministro da Fazenda, Octávio Gouvêa de Bulhões pediu e o presidente Castelo Branco autorizou a doação de 10 milhões de cruzeiros à OSB que deveria se transformar em Fundação. O dinheiro, convertido em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional, renderia juros que financiariam as atividades da orquestra daí por diante. Assim foi que se reuniu um Conselho, entre as personalidades mais importantes da vida financeira, política e cultural do país, presidido pelo próprio Gouveia de Bulhões, incansável em conseguir doações para a Fundação OSB, até o seu falecimento. Mário Henrique Simonsen o substituiu e manteve a independência financeira da OSB em relação ao governo com o objetivo de evitar interferência artística. O Milagre Econômico foi também uma época de progresso para a OSB:&lt;br /&gt; – A primeira orquestra brasileira a excursionar no exterior obtendo um êxito extraordinário em Londres, Paris, Madri e Hamburgo, entre outras cidades do Antigo Continente - disse-me o ex-diretor já empolgado. &lt;br /&gt;As apresentações da OSB nos Estados Unidos e Canadá, três anos depois, também foram um grande sucesso, sempre sob a batuta do maestro Isaac Karabtchevsky - por vinte anos diretor musical da orquestra. Mas a danada da inflação foi voraz também com o caixa da OSB que sofreu ainda o golpe da morte de Simonsen. O novo presidente do conselho, Roberto Paulo Cesar da Andrade, apesar de presidente da Braskan, não tinha nem de longe o prestigio de seus antecessores e a OSB iniciou novo período de dificuldade que acabou por obrigá-la à parceria com a Prefeitura do Rio em 2002. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há três anos, o maestro Roberto Minczuk assumiu a direção artística de uma orquestra com salários em dia e nova sede anunciada para este ano, na Cidade da Música. Estão dadas, portanto, as condições para que a OSB dê a volta por cima e um dia possa se livrar desse penduricalho atrelado ao seu nome que, de fato e de direito, ainda é Orquestra Sinfônica Brasileira. Nada mais justo para uma instituição com sua tradição e história de sucesso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-5318967650205268442?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/5318967650205268442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=5318967650205268442' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5318967650205268442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/5318967650205268442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/07/brasileira-do-rio-de-janeiro.html' title='Brasileira do Rio de Janeiro'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-7955448156447244078</id><published>2008-07-03T01:04:00.006-03:00</published><updated>2008-07-04T14:40:34.412-03:00</updated><title type='text'>O Outro Lado</title><content type='html'>Esta semana coloquei o ponto final no meu primeiro roteiro de longa-metragem. É ainda o primeiro tratamento – o que quer dizer que há muito trabalho pela frente. Para se ter uma idéia, o roteiro de Amores Brutos só foi filmado depois do vigésimo sétimo tratamento. No caso de Central do Brasil, dizem que foram dezessete tratamentos.  Então, depois de meses (o último principalmente) dedicada quase que integralmente a este projeto, ainda há muito que burilar na história de amor entre um travesti e um jovem feirante filho de portugueses católicos fervorosos que se cruzam nas madrugadas de domingo, quando a feira da Glória é montada de um lado da rua, enquanto do outro os travestis fazem ponto.  A trama é costurada pelas aventuras de um menino de rua às voltas com drogas e furtos e é localizada nos arredores do Centro, na Glória, na Lapa e no Bairro de Fátima, região onde vive, em sua maioria, uma gente oprimida ou desvalida. Pois se de um lado é a classe média remediada e baixa que sofre o rigor das convenções sociais enquanto é constantemente atormentada pelo desejo de ascensão econômica e social. Do outro, é a população de rua, com grande concentração naqueles bairros, como sempre abandonada à própria sorte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escolha do tema e da região onde a história se passa foi a oportunidade que encontrei para chamar a atenção para uma realidade tão próxima fisicamente e ao mesmo tempo tão distante da mentalidade exclusivista da Zona Sul carioca, totalmente voltada para o seu próprio umbigo e por isso mesmo esvaziada de qualquer expressão cultural e artística relevante. Podem alegar que uma trama ambientada em uma favela do Rio atingiria o mesmo objetivo: bombardear a egemonia dessa mentalidade nos meios de comunicação e o descomunal poder político de sua classe correspondente em detrimento do discurso, da mobilidade e do bem-estar das populações menos favorecidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença é que esta região central, de aspectos singulares e bastante interessantes, é acessível a qualquer hora do dia para qualquer pessoa. É só lembrar que na Lapa há transporte coletivo para todos os municípios do Rio de Janeiro, o que proporcionou inclusive que o lugar se transformasse em berço do hip hop carioca; que ali se misturou ao samba, ao reggae e ao rock, conferindo identidade ainda mais cosmopolita e contemporânea ao lugar. Assim, foi possível que eu me aventurasse pelas ruas desses bairros em diferentes horas do dia e da noite para conhecer melhor os personagens que há muito namoro, desde os tempos em que morava em Santa Teresa e fazia da Lapa minha passagem obrigatória. Personagens aos quais me dedicarei ainda por um bom tempo, com a pretensão de representá-los em toda a sua complexidade e poesia. Para isso, vou tentar seguir o lema que escolhi para guiar minhas ambições de crescimento pessoal, e que consiste em acreditar que a verdadeira misericórdia é ser solidário com o fracasso do próximo, é olhar com piedade para aquilo que no outro lhe parece mau, ruim, errado. Que Deus me ajude!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-7955448156447244078?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/7955448156447244078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=7955448156447244078' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7955448156447244078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/7955448156447244078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/07/o-outro-lado.html' title='O Outro Lado'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-2733958564073305388</id><published>2008-06-11T13:44:00.006-03:00</published><updated>2008-06-11T18:18:21.497-03:00</updated><title type='text'>Uma História da Cidade</title><content type='html'>Passei a semana em São Paulo e não fui à reunião de eleitores com o candidato à prefeitura do Rio, Fernando Gabeira, no Hotel Novo Mundo. Uma pena, pois era a oportunidade de saber mais a respeito de como um de nossos mais respeitados parlamentares pretende enfrentar os desafios da administração pública num município com população acima de dez milhões de habitantes. Como a maioria das grandes cidades, o Rio tem graves problemas. Porém, muitos poderiam ser solucionados ou, pelo menos, minorados com uma administração honesta, não apenas no sentido de não ser diretamente corrupta, mas principalmente por respeitar os princípios fundamentais de cidadania. A começar pelo direito ao transporte rápido, seguro e barato, que permitiria ao trabalhador morar com mais dignidade em bairros mais afastados do centro ao invés de se submeter à tirania do tráfico ou milícias nas favelas da cidade. O problema é justamente saber até que ponto o sistema viciado de concessão de linhas de ônibus e vans pode ser enfrentado pelo prefeito bem intencionado e descomprometido com os interesses das empresas de transporte, tradicionais financiadoras de campanhas eleitorais em estados e municípios brasileiros e, por conseguinte, seqüestradora de corações e mentes nas câmaras municipais e assembléias legislativas do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, passemos à administração da ordem pública nas calçadas dos bairros, o mais comezinho e fundamental direito de quem paga IPTU. Não sei como anda a relação da população com os camelôs. Parece-me que vai indo, com se diz, até porque o carioca costuma aproveitar uma ou outra trégua do jogo de gato e rato entre ambulantes e Guarda Municipal para fazer a sua comprinha pirata, que nesta cidade ninguém é de ferro, vamos combinar. Mas, de volta às calçadas, acabaríamos por tropeçar na miséria personificada da população de rua. E aí, eu perguntaria ao candidato a alcaide qual a proposta dele para resolver essa questão que, a meu ver, requer muito menos dinheiro do que foi gasto com os Jogos Panamericamos, porém mais trabalho e uma dose bem maior de espírito público. A começar por montar uma equipe de profissionais qualificados que, sem VEDETISMO, fizesse um consistente levantamento quantitativo e qualitativo dessa população para poder atendê-la de maneira eficiente e humana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, sabemos que neste caso a administração pública tem que competir com as facilidades que a rua oferece como acesso a dinheiro e drogas. E aí é que está o busílis: como abordar e trazer para o amparo oficial uma criança que faz parte da segunda geração de moradores de rua, que nunca teve casa nem documentos, nem nunca foi à escola, assim como seus pais, conhecidos ou desconhecidos, porém jamais reconhecidos pelo Estado e pela Sociedade? É difícil, requer verba, trabalho e dedicação, mas tem solução. Um exemplo é dado pela Associação Beneficente São Martinho que atende anualmente cerca de 2000 crianças e adolescentes no Rio de Janeiro com abordagem de menores em situação de rua, apresentando alternativas a essa realidade; casas-residência, com atendimento para os que não tenham condições de conviver com a sua família; núcleos comunitários, com atividades sociais e educação complementar; cursos preparatórios para o Primeiro Emprego e centros de atendimento dos direitos da criança e adolescente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um lado da moeda, o outro é o cidadão exigir que questões como a da população de rua sejam tratadas com responsabilidade social pelos governantes. Não adianta reclamar que a cidade está “infestada” de gente vivendo nas ruas e fazendo suas necessidades nas calçadas se não acompanharmos o que é feito delas quando retiradas do espaço público. Conversei recentemente com o Helano Monteiro do Centro de Formação de Pessoal da São Martinho e ele me contou que a maior dificuldade na abordagem de crianças na rua é o medo que elas têm do carro da prefeitura e que superada essa etapa o pessoal da associação consegue dar seqüência satisfatória a sua atuação. Quer dizer: tirar da rua é fácil, basta usar de violência. Agora, dar atendimento adequado a essa população,evitando que ela volte a mendigar, é outra história... Taí uma história que eu gostaria de contar pros meus netos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-2733958564073305388?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/2733958564073305388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=2733958564073305388' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2733958564073305388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/2733958564073305388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/06/uma-histria-da-cidade.html' title='Uma História da Cidade'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-3715835598824233302</id><published>2008-06-01T13:27:00.001-03:00</published><updated>2008-06-01T13:33:10.564-03:00</updated><title type='text'>Terno Novo</title><content type='html'>Foi só ouvir o nome dela para o coração bater descompassado. Não era um nome comum. Ninguém a chamava assim. Para todos era Clozinha a boneca de pernas roliças e axilas despudoradamente côncavas por onde enfiava a cabeça, primeiro o cocuruto, depois a testa e ia virando as narinas bem abertas até intoxicar a alma com o cheiro misto de suor e alfazema. E chegava em casa sempre antes do banho dela, antes que fossem pelo ralo, diluídos na água do chuveiro, indícios de traição, fragmentos de desvios lúbricos, rastros inconfundíveis de luxúria, provas do adultério adivinhado a cada dia de trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maldito trabalho. Rival covarde e inimigo traiçoeiro que se esgueira pelas vias da virtude e vai, enfatiotado de dignidade, levar para os braços de alguém a mulher do próximo. Perverso trabalho, a infringir-lhe todos os dias o flagelo da desconfiança. “Quantas visitas foram hoje?, com quantos homens subiu e desceu elevadores?, em quantas salas se sentou, a valise das amostras sobre o colo, sobre a fronteira vertiginosa entre a saia miseravelmente curta e o início das cochas rosadas?”  Era quase física a dor de imaginar Clozinha metida em consultórios “com algum médico tarado a deitar-lhe olhos fúlgidos de fera enjaulada, sequiosos de carne farta e fresca.”  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o tormento começava logo cedo. À mesa do café, esperava Clozinha sair do quarto vestida para o trabalho. “Teria esquecido a calcinha?” Apertava os lábios temendo, num rompante, revelar os legítimos cuidados. Esperava silencioso o fim da refeição para passar-lhe a mão na bunda na hora da despedida. Seguro da compostura íntima, deixava-a sair e se embrenhar pelas ruas da cidade. Logo inventava itinerários escabrosos, imaginando-a em visitas suspeitas por edifícios mal-afamados. Salteava saídas de incêndio, galgava escadas propícias a práticas escandalosas. Penetrava labirintos de corredores insidiosos, com portas vazando nas frestas o fedor das sevícias consentidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lampejo de lucidez mostrou-lhe a loucura à espreita. Era pegar no batente ou botar fora o próprio negócio. Chegou tarde ao escritório. Mergulhou na contabilidade e embaralhou aos números a idéia de por fim à vida dela. Ter Clozinha só para si era o céu. Se não podia atingir as alturas, condenava os dois ao inferno. Certeza de ser traído não tinha, tampouco estava certo do contrário. Argumentos de valor absoluto nas contas de um facínora imaginário. O diabo era ter que pagar pelo crime, ou dar fim à própria vida. Sofria ao admitir-se covarde. Arrancou-o do martírio o alvoroço do contínuo dando conta do sinistro num motel da redondeza.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala ao lado, o rádio berrava as últimas notícias: “...vazamento de gás matou o casal que se hospedara pela hora do almoço. Fulano de Tal, comerciário, branco, casado, tinha trinta e oito anos. A mulher era Clotilde...” E mais não pode ouvir, ensurdecido que ficou com as batidas do coração que vinham desabaladas, subindo por dentro do peito. Pegou o paletó e foi pra rua. Misturou-se aos transeuntes com desenvoltura. Ligeiro atravessou a avenida, cruzou duas travessas, cortou em diagonal a praça e foi tomar um chope no balcão apinhado de gente. Bebeu tudo de uma só vez, as duas mãos apertando a caneca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo chope, lembrou-se que não bebia na hora do expediente. No terceiro, sentiu o mundo afrouxar. A voz do garçom chegou amiga oferecendo mais um, veio o burburinho do fundo do bar, o barulho do trânsito, o apito do guarda, as sirenes, os sinos da Ave Maria...  Era corno, sim. Sempre soubera. Vingado pela justiça divina, estava livre de sentir-se covarde e ainda redimido de qualquer intenção dolosa. Sem cometer desgraça maior, chegara ao desfecho triunfal. E no enterro da infame, haveria mais que fingidos pesares. Receberia dos amigos contidos cumprimentos de louvor. Da família, o abraço em regozijo pelo ente vingado. Foi comprar um terno novo.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-3715835598824233302?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/3715835598824233302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=3715835598824233302' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3715835598824233302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3715835598824233302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/06/terno-novo.html' title='Terno Novo'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-6493688708906325788</id><published>2008-05-27T18:36:00.003-03:00</published><updated>2008-05-27T18:56:11.961-03:00</updated><title type='text'>Um caso triste de desperdício</title><content type='html'>Assisti ontem ao filme Ó pai, ó em sua estréia do Canal Brasil, que vem ganhando audiência qualificada e se transformando em mais uma possibilidade de exibição para o cinema nacional. As estréias são sempre às segundas-feiras, às vinte e duas horas e, na primeira semana, a sessão do filme é seguida por seu making off. Mais uma oportunidade para assistir e ainda conhecer os bastidores de filmes brasileiros que ficaram muito pouco tempo em cartaz apesar de incontestavelmente bons. Não é o caso da película programada para esta semana. Ó pai, ó é um filme menor que não consegue dizer a que veio, principalmente por partir de um roteiro esquizofrênico no gênero: não sabe se é comédia ou dramalhão. E acaba se transformando em pastiche do que pretendia ser, se é que alguém consegue saber as intenções do filme e a premissa da história. &lt;br /&gt;É sabido que os personagens de comédia são planos; não têm profundidade psicológica ou nuances de personalidade. Isto porque na comédia o que interessa é o momento da ação, que cresce em apelo na medida em que o tempo (timing) é usado em benefício do efeito cômico. Porém, a direção de Monique Gardemberg não consegue impor ao elenco as pausas necessárias ao bom ritmo do gênero, apesar de contar com um grupo homogêneo, ensaiadíssimo e com vocação para compor tipos, que ao final só consegue arremedar estereótipos e recitar suas falas.  &lt;br /&gt;O pior acontece ao protagonista Lázaro Ramos, por estar mais exposto à ruindade do texto. Na verdade, ele não tem como compor o personagem, não por falta de recursos técnicos e de talento que isso já provou possuir. Mas porque seu personagem sofre a ausência total de contorno, desperdiçando as possibilidades do ator que acaba apresentado no filme como uma figura inexplicavelmente “exótica”. &lt;br /&gt;Os outros personagens de destaque na trama, como os interpretados por Dira Paes e  Wagner Moura, são da mesma forma mal delineados num roteiro sem pé nem cabeça que ainda por cima tem um clímax inverossímil e esdrúxulo de drama social.&lt;br /&gt;De resto, escapa ao filme - que tem como pano de fundo o carnaval da Bahia e como cenário, o Pelourinho - a possibilidade de envolver e transportar o espectador para a atmosfera mágica da cidade de Salvador, o que seria um atenuante para o desperdício maior dessa produção que é jogar dinheiro fora.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-6493688708906325788?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/6493688708906325788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=6493688708906325788' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6493688708906325788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6493688708906325788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/05/um-caso-triste-de-desperdcio.html' title='Um caso triste de desperdício'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8799292858054704728</id><published>2008-05-21T22:03:00.003-03:00</published><updated>2008-05-21T22:07:01.079-03:00</updated><title type='text'>Cinema Verdade e Paixão</title><content type='html'>A TV Brasil está de parabéns pela exibição da série Sertão Glauber. São documentários de uma hora, assinados pela filha de Glauber, Paloma Rocha e seu marido, Joel Pizzini; e vão ao ar à meia noite de terça à quinta feira. Só ontem (infelizmente) comecei a assistir ao programa que entrou na segunda semana em cartaz e que traz depoimentos de gente que trabalhou com o diretor e comenta seu processo de criação e realização, revelando inclusive as intenções de Glauber ao construir planos e seqüências considerados como momentos mágicos da história do cinema. O episódio dessa terça-feira foi sobre encenação, cenários e figurinos de O Dragão da Maldade, comentados por Hélio Eichbauer, Paulo Lima, Jânio de Freitas e José Celso Martinez Correa, entre outros. Eles contam como e porque cores, materiais, objetos de cena foram escolhidos e falam da conjuntura política que engendrou essas escolhas e que fazem do filme uma obra tropicalista por excelência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda parte do programa traz trechos de uma entrevista exclusiva com Martin Scorsese, que em 1991 comprou os diretos para recuperação e produção de cópias em 35 mm de Deus e o Diabo, Terra em Transe e O Dragão da Maldade. Nela, o diretor ítalo-americano conta que assistir a “Antônio das Mortes”, título internacional de O Dragão,  foi uma experiência importantíssima para ele que nunca tinha visto uma combinação tão poderosa de estilos numa obra que consegue sobrepujar a política com verdade e paixão. Scorcese conta também que projetou o filme para o elenco e diretores de fotografia de Gangues de Nova York e Os Infiltrados como exemplo de integração de todos os elementos do filme em favor do desejo do realizador. Para ele, um cinema como o de Glauber deve ser mostrado aos atores que têm o desejo de fazer algo mais do que tomar parte do “star system” – um  famigerado devorador de talentos –, como forma de forçá-los a desenvolver sua intuição. Reiteradas vezes na entrevista Marin Scorcese declara que a obra de Glauber Rocha é uma referência para ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, por tudo isso, Sertão Glauber nos possibilita um mergulho ainda mais profundo e saboroso no universo glauberiano, além de constituir informação e entretenimento de qualidade para quem gosta, não só de cinema, mas de arte e cultura em geral. Mas a grande relevância do programa é oferecer parâmetros para que o espectador rejeite as tentativas de fazer do cinema brasileiro um arremedo de cinematografias forasteiras, que podem ser muito boas no original, porém não devem se impor num país que tem uma tradição de cinema como esse nível de poesia, invenção e vigor estético.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8799292858054704728?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8799292858054704728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8799292858054704728' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8799292858054704728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8799292858054704728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/05/cinema-verdade-e-paixo.html' title='Cinema Verdade e Paixão'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8185155619691090529</id><published>2008-05-08T17:30:00.000-03:00</published><updated>2008-05-08T17:31:19.769-03:00</updated><title type='text'>Sapatilha nova nos pés</title><content type='html'>O tio piscou pra mim, depois veio ao meu encontro, pegou a minha mão e, juntos, atravessamos o salão até a porta do apartamento, deixando para trás a família reunida. Os adultos, entretidos em conversas animadas por fartas dozes de uísque com gelo ou guaraná, discutiam, exaltados, um mundo de soluções para tirar o país da crise. Os meninos se esgueiravam por entre os mais velhos para alcançar nas mesinhas, repletas de copos suados e cinzeiros entulhados, as tigelinhas de amendoim, munição por excelência para os ataques, primeiro entre eles e em seguida contra as meninas. Elas disputavam com certo recato o melhore lugar na janela que dava para a praia de Copacabana. Do décimo segundo andar, viam lá embaixo a Praça do Lido coalhada de gente. Todos pareciam esperar um grande acontecimento.  &lt;br /&gt;          E a nossa escapulida ninguém nunca percebeu. De mãos dadas, cruzamos o hall do elevador na direção da escada. Subimos lado a lado, minha cabeça na altura da perna do tio. Presa ao cinto, a bolsinha de couro marrom que ele abriu num clique, tirou dali os óculos escuros e colocou-os no rosto sem largar a minha mão. Coisa estranha, pensei. &lt;br /&gt;          No fim da escada, o céu. A luz sobressalente inundou meus olhos. Aos poucos me dei conta do espaço ao meu redor. Antenas de televisão por toda a parte, as máquina dos elevadores, o pára-raios e muitos, muitos pombos no chão, nos telhadinhos, na fiação, nas menores reentrâncias do terraço do edifício. De tudo eu queria saber, e a tudo o tio respondia com paciência de tio. Os pombos eu já conhecia, só quis saber por que tantos e nunca mais quis saber de pombos. O tio levantou a voz e, parecendo zangado, disse que eram bichos imundos, verdadeiros ratos voadores que, infestados de piolhos, levavam doença para onde quer que fossem. “Uma praga”, repetia brandindo uma das mãos, com a outra me puxou pra mais perto dele.   &lt;br /&gt;          De mãos dadas cruzamos o terraço em direção ao grupo de pessoas que observava preparativos de evidente importância. De novo, um brilho intenso ofuscou minha visão. Apertei os olhos para ver melhor a enorme motocicleta refletindo na superfície cromada as múltiplas cores do dia. Entendi que um grande espetáculo iria mesmo acontecer, mas tudo me parecia meio fora do lugar. O tio percebendo meu embaraço de pronto me levou ao colo e, do parapeito, apontou para o cabo de aço esticado dali até o terraço de outro edifício, do outro lado da praça. Vi, então, o enorme vão entre os dois prédios, riscado no ar, o caminho da morte. Abracei forte o pescoço do tio. No chão, ele pegou a minha mão e não largou mais. Todos falavam muito, falavam alto e ao mesmo tempo quando chegou o moço de botas de couro e calça justa. Vestia camisa branca de mangas largas bufantes. Era magro e menor que o tio. Na testa, o topete lustroso. &lt;br /&gt;         Atrás dele veio a moça de maiô vermelho brilhante, sapatilha nova nos pés. O cabelo negro puxado para o alto era preso num rabo de cavalo que descia desenhando-lhe nas costas brancas um longo ponto de interrogação. Na mão direita, a sombrinha. No rosto, estampado o pavor. Parecia muito frágil, com um tremor percorrendo todo o seu corpo, como se vibrasse apenas com a brisa vinda do mar. Os dois falavam baixinho, como marido e mulher. Calaram. E tudo se calou.  Da praça, o alto-falante anunciava o espetáculo. Ele montou primeiro e fez roncar o motor. Ela, em pé na garupa, levou entre as pestanas grossas uma lágrima equilibrista. Minha garganta doeu. Quis saber tantas coisas, mas não soube perguntar. Apertei a mão do tio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8185155619691090529?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8185155619691090529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8185155619691090529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8185155619691090529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8185155619691090529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/05/sapatilha-nova-nos-ps.html' title='Sapatilha nova nos pés'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-8208187104023271351</id><published>2008-05-08T16:57:00.002-03:00</published><updated>2008-05-08T17:05:35.723-03:00</updated><title type='text'>Extrema delicadeza</title><content type='html'>Foi bonita a pré-estréia de Atabaque Nzinga, ontem, no território livre da Lapa, para uma platéia que em sua maioria mostrava na cor da pele a ancestralidade africana, despertada também no espírito da minoria branca na medida em que teve os sentidos seqüestrados pelo ritmo, pela música e a dança que ambientam a narrativa.  Digo ambientam porque, apesar de Octávio Bezerra ter filmado em Pernambuco, na Bahia e no Rio de Janeiro (além das imagens de arquivo da África), a ação se passa nesse espaço mítico, onde estão cravadas as raízes da cultura negra no Brasil, o verdadeiro umwelt do filme. &lt;br /&gt;E quem nos guia nessa aventura sensorial é a batuta do mestre Naná Vasconcelos, um gênio da percussão e diretor musical da produção na qual se apresentam ainda o talento de Paulo Moura, Carmem Costa, Nelson Sargento, Lia de Itamaracá, Noca da Portela, Carlinhos 7 Cordas, e as performances contagiantes do Afoxé Ilê Aiê, Maracatu Estrela Brilhante, Balé da Cultura Negra do Recife, Neguinho do Côco e Jongo da Serrinha entre muitos outros nomes não menos importantes. São eles que tecem a trama por onde se embrenha a protagonista Ana (Tais Araújo). Com a bênção da Rainha Nzinga, que reinou na Angola do século XVI, a jovem, recolhida ainda menina num centro de Candomblé, empreende uma viagem em busca da sua identidade. Tal qual a Dorothy na ventura pelo mundo de Oz, acompanhamos Ana através do imaginário afro-brasileiro, compartilhando suas dúvidas, sonhos e desejos com os sete buracos da nossa cabeça. E com ela chegamos ao clímax de extrema delicadeza da história que começa em Angola e tem seu desfecho no Rio de Janeiro.   &lt;br /&gt;Ao final da projeção, num telão em baixo dos Arcos, havia menos gente do que no início da festa, quando o grupo de dança afro “Corpo e Ritmo” se apresentou, e agradou em cheio a audiência, levando as crianças a dançar no centro da praça, até altas horas, imitando os passos e a ginga dos bailarinos. Mas agora era possível sentir ainda melhor o quanto espetáculos de afirmação da cultura brasileira são bem-vindos para o verdadeiro grande público, ali presente em amostragem social. Além dos muitos meninos de rua que assistiram atentos todo o tempo do espetáculo – com  um comportamento exemplar, diga-se de passagem –, havia os jovens boêmios freqüentadores da Lapa, os casais de mais idade vindos dos bairros adjacentes, os muitos casais com filhos pequenos, e até os mendigos fizeram a sua torcida organizada.   &lt;br /&gt;Para mim, o evento de ontem foi um bom exemplo de que, ao contrário do que pensa a grande mídia, a maioria do público brasileiro quer assistir aquilo que lhe diz respeito, de forma afirmativa e original. E foi justamente isso que Atabaque Nzinga mostrou com um filme que não apenas fala a nossa língua, mas, sobretudo, pesa na nossa língua, o português do Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-8208187104023271351?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/8208187104023271351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=8208187104023271351' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8208187104023271351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/8208187104023271351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/05/extrema-delicadeza.html' title='Extrema delicadeza'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-534464939698630442</id><published>2008-04-27T18:38:00.004-03:00</published><updated>2008-04-27T23:47:09.526-03:00</updated><title type='text'>As aparências enganam</title><content type='html'>Parece que quase todos os articulistas se renderam a escrever sobre a tragédia que envolveu a família de Isabella Nardoni – a menina, de 5 anos, jogada do sexto andar do prédio, onde passava o fim de semana com o pai e a madrasta –, dada a repercussão nacional do episódio. Há até mesmo os que tocam no assunto para dizer que se negam a abordá-lo, como Veríssimo hoje em O Globo. Ele tem uma neta e prefere pensar em tudo de bom que pode acontecer à menina. Mas há, no mesmo jornal, outros artigos e opiniões de especialistas nas diversas disciplinas que envolvem a família na sociedade. Inclusive uma reportagem de página inteira no primeiro caderno com o mesmo título que dei à penúltima postagem deste blog: os meus, os seus e os nossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom que a imprensa se aprofunde no sentido de desvendar a relação entre madrastas, padrastos e enteados, que desde a época do paz e amor disfarça, com o colorido festivo das comunidades hippies, uma realidade complicada por natureza. A esse fenômeno incorporou-se, nos anos 90, a mentalidade do politicamente correto e o meio de campo das famílias com filhos de vários casamentos ficou tão embolado que deu origem a iniciativas espantosas como a que criou a Associação de Madrastas e Enteadas de São Paulo, acredite se quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, a mídia em geral está criando um clima de comoção perigoso, levando as pessoas a se manifestarem de maneira explosiva contra o casal indiciado. Nessas horas deve-se lembrar o caso da Escola Base – em que seis pessoas (inclusive os donos da escola) estariam envolvidas no abuso sexual de crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No episódio, o delegado responsável divulgou à imprensa laudos preliminares explorados em uma série de reportagens que acabaram por promover o linchamento moral dos acusados, os quais chegaram a ser presos e torturados, além de ter a sua escola depredada. No entanto, por falta de provas, o processo foi arquivado e eles foram considerados inocentes. Agora, os ex-acusados são vítimas na batalha jurídica por indenizações. O governo de São Paulo e a Folha da Manhã já foram condenados. Faltam as TVs Globo e SBT e os jornais Folha de São Paulo, Folha da Tarde e Notícias Populares. Os advogados pedem que esses órgãos de comunicação paguem uma média de 3 milhões de reais para cada um dos seis acusados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso da Escola de Base é tido como um dos maiores erros na história da imprensa brasileira e emblemático de como pode ser equivocada a relação entre a polícia e os meios de comunicação. Portanto, apesar de revolta que dá na gente só de pensar que uma criança possa ser vítima da própria família, seria bom que os formadores de opinião incentivassem o sentimento de cautela na população que, em última análise, terá sua representação na forma do juri popular. E antes de editar uma matéria lembrassem, eles mesmos, de que todas as informações devem ser muito bem checadas antes de publicadas porque, quase sempre, as aparências enganam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-534464939698630442?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/534464939698630442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=534464939698630442' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/534464939698630442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/534464939698630442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/04/as-aparncias-enganam.html' title='As aparências enganam'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-1920244140787059343</id><published>2008-04-21T14:51:00.006-03:00</published><updated>2008-04-21T19:47:11.601-03:00</updated><title type='text'>Faz sentido...</title><content type='html'>Sábado, à noite, eu fui fazer uma pesquisa de campo para um roteiro de longa-metragem que estou desenvolvendo. A história, em sua quase totalidade, se passa na Glória, com ações progressivas em bairros vizinhos como Santa Teresa, Lapa, Bairro de Fátima, e vai até São Cristóvão. Desta vez, eu tinha que ir à Lapa de madrugada. Pedi a ajuda de duas amigas e prometi pagar uma rodada de caipirinha em alguma casa noturna de sua preferência para convencê-las a chegar bem mais tarde que o convencional e ficar o máximo de tempo no lugar. Depois, teríamos que ir andando até a Glória, onde pegaríamos um táxi para voltar pra casa. Era justamente para esse "depois" que eu precisava de apoio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira parte do programa foi no Carioca da Gema, e aí não tem erro, é diversão garantida. Nem sei o que mais gosto daquela casa, talvez o fato de que uma mulher possa entrar lá desacompanhada e se sentir inteiramente à vontade. E essa é uma sensação de independência de valor inestimável. Eu sempre defendi a tese de que o movimento feminista levou as mulheres da cozinha para a sala de visitas, mas não promoveu uma emancipação tal que lhes permitisse o livre acesso à rua. Ou melhor, à noite, que é quase a mesma coisa no imaginário popular. E até o advento da Lapa contemporânea não havia casa noturna no Rio de Janeiro (imagine o resto do país) onde uma mulher pudesse chegar sozinha, tomar seu drinque, se divertir e ir embora sozinha sem se sentir constrangida, ou mesmo estigmatizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Lapa, há vários lugares com esse perfil libertário. Não que não haja assédio. Há sim, graças a deus, que ninguém quer patrulha contra a azaração. Quer é poder sair apenas a fim de se divertir, sem preconceito. E se aparecer alguém que lhe interesse, tudo bem. Se não, você mesma vai ao bar ou pede ao garçom sua bebida, não precisa mesa para ser bem servida, pode entrar sozinha, assistir ao show sozinha e dançar sozinha que naõ vai se sentir excluida e sim parte de uma multidão de gente diferente entre si que canta a mesma música, dança o mesmo ritmo e, provavelmente, está num nível etílico igual ao seu. Por que isso não acontece em boates da Zona Sul e da Barra da Tijuca, eu não sei. Eu não sei muitas coisas e com essa última visita à Lapa, acrescentei outro mistério ao meu cabedal de curiosidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi durante o passeio, anteriormente combinado, que incluiria rua principal, transversais e paralelas. Ainda na Mem de Sá, quase na esquina do Asa Branca (onde há seguidos inferninhos), vi o menino, de seus 12 anos, mulambento, descalço, perambulando em ziguezague no meio das pessoas que lotavam a calçada. Ele parecia bastante alterado, soltava uns grunhidos lamentosos, se esfregava pelas paredes, espiava pelas frestas das portas de vidro quase babando, e trazia com sigo uma garrafinha de refrigerante vazia, que vez por outra levava à boca para aspirar. A cena indicava um pivete cheirando cola no meio dos transeuntes que seguiam indiferentes àquele drama pessoal e social. Como tudo se parecia bastante com uma seqüência que eu havia escrito no argumento do filme (já apresentado e devidamente registrado na BN), segui-o de perto _ a despeito dos protestos das amigas que se mantiveram afastadas _ puxando conversa com ele até a esquina da Sala Cecília Meireles. E não é que o garoto não estava drogado. Ao contrário, conversou comigo numa voz limpa, respondendo com evasivas como qualquer um que fale com estranhos, mas com certa lógica. Seus olhos não estavam injetados e ele andava com passo firme. Além disso, não me pediu um tostão e, decidido a não responder mais ao meu inquérito, deu meia volta e se dirigiu calmamente ao palco central da Lapa enquanto reconstruia o personagem de pivete cheirando cola na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intrigadíssima, tive que seguir agora o plano traçado com minhas acompanhantes. Fomos a pé pela Joaquim Silva até a rua da Glória, onde descobri o Motel Ouro Preto, que só existe durante a noite, e cobra 30 reais a diária com café da manhã. Conversei ainda informalmente com um dos travestis que faziam ponto por ali. Ela foi muito simpática e me ajudou a checar horários e informações sobre o ritmo do movimento durante toda a noite. Confirmei ainda hábitos e costumes com um motorista de táxi parado mais adiante, fiz anotações, tirei fotografias e viemos embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que vou ter que voltar lá – algumas vezes, espero – para continuar a pesquisa. Além disso, surgiu esta nova questão, com uma série de perguntas que preciso responder. Por que raios um pivete fica tirando onda de pivete drogado. Será que faz parte de algum golpe. E quem estaria por trás da trama e por quê. Ou será que se trata apenas de um artista de talento inato, índole autônoma e espírito independente, que vê a noite no bairro boêmio como a montagem de um grande espetáculo do qual quer ser um dos personagens principais, num esforço de imaginação para sentir-se de alguma forma incluído nesse teatro do absurdo que é a nossa cidade. Cidade esta que gasta muitos milhões num Pan pra favorecer a muito poucos, que guarda muito dinheiro em caixa, mas não tem hospitais nem postos de saúde suficientes para atender a população, e que, entre outras mazelas, já matou este ano mais de 50 pessoas de dengue, a maioria criaças. Pra mim, a segunda suposição faz um bocado de sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-1920244140787059343?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/1920244140787059343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=1920244140787059343' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1920244140787059343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/1920244140787059343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/04/faz-sentido.html' title='Faz sentido...'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-3868202397613682937</id><published>2008-04-13T19:34:00.005-03:00</published><updated>2008-04-14T09:34:51.667-03:00</updated><title type='text'>Os meus, os seus e os nossos</title><content type='html'>É com certa angustia que acompanho o noticiário sobre as investigações do assassinato da menina Isabella. Principalmente por conta das muitas reviravoltas, de provas e depoimentos, impedindo que se mantenha uma opinião formada a respeito por mais de vinte e quatro horas. Também tento, há dias, escrever sobre esse fato e acabo desistindo. Mas hoje, ao acordar, mais cedo, ansiosa por saber se surgira alguma nova prova ou depoimento definitivo para a elucidação do crime, percebi que era inevitável tocar no assunto. Ainda mais que as notícias davam conta do enorme aparato policial armado para proteger de um provável linchamento o pai e a madrasta da menina, principais suspeitos do assassinato. Então, pensei, a comoção é geral. E é mesmo revoltante e parece incompreensível que um pai possa matar ou ser cúmplice da madrasta no assassinato da própria filha, uma criança de cinco anos, tendo ainda dois outros filhos menores com esta mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, esse pode ser mais um episódio da  história das paixões humanas que se reproduz ao longo da própria história da humanidade. Nós todos sabemos, de maneira intuitiva ou intelectualmente elaborada, da capacidade que tem uma mulher de arrancar das camadas mais profundas e obscuras o que há de mais bárbaro na alma de um homem. Sabemos também que o homem primitivo é mais macho do que pai, sendo a mulher jurássica mais mãe do que fêmea. Juntem-se, então, na mesma casa, filhos de ambos os lados e está feita a desgraça, no mínimo, a confusão. E não venham me dizer que sórdidos abusos não ocorrem a toda hora. Não ao extremo, talvez. Mas de forma ligh, são freqüentes até nas melhores famílias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da vida assisti a muitos relacionamentos de casais com filhos de casamento anteriores e tenho um punhado de exemplos de como uma madrasta pode ser mesquinha e o próprio pai cruel. Uma vez, durante todo um final de semana, no campo, vi a dona da casa negar à enteada -sem  motivo aparente - , um pouco do sorvete guardado na geladeira. A menina gozava de plena saúde, mas o pai era um grande paspalho e não esboçou reação. O próprio presidente Lula tem uma história similar envolvendo sorvete, a guloseima preferida de nove entre dez crianças. Ele conta que, ainda menino, veio do nordeste para São Paulo e saiu, pela primeira vez, para passear com o pai e os dois filhos do segundo casamento deste. A certa altura, eles pararam numa sorveteria e o pai deu sorvete apenas para os dois irmãos menores. Um deles estranhou o fato de o pai não comprar um sorvete também para o meio-irmão. O pai respondeu que não  precisava porque o Lula era um matuto e não sabia o que era um sorvete. O presidente nunca mais esqueceu da crueldade paterna, tanto que conta essa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos todos nossas fraquezas, nossas emoções negativas, próprias da natureza humana. Por isso mesmo devemos fazer um esforço constante para tentar superá-las e contribuir tanto individual quanto coletivamente para um mundo mais justo ao nosso redor, no âmbito familiar e, sobretudo, no âmbito social. Principalmente quanto à criança que, sendo o lado mais fraco, é sempre a maior vítima na sociedade enquanto deveria ser protegida, não só como indivíduo, mas como entidade; para que se construa uma mentalidade universal de proteção ao nosso futuro. E assim, os seus, os meus e os nossos filhos e netos seriam favorecidos como um todo. Infelizmente ainda estamos longe deste ideal de fraternidade. Até mesmo o Estatuto da Criança e do Adolescente é, em muitos casos, omisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo foi a fotografia estampada, esta semana, na primeira página dos jornais mais importantes do Rio. Nela, víamos um menor de rua, vestido só de bermuda, agachado entre as botinas altas de dois policiais militares. A legenda dizia “está dominado” e a matéria tratava de uma operação de combate à desordem urbana na Zona Sul. Nada contra ações para melhorar a qualidade de vida dos que pagam mais impostos. É justo. O que não pode é mostrar a foto de uma criança feito um bicho caçado nas ruas da cidade e exibido como troféu. Vale lembrar que, mesmo com o rosto desfocado, a imagem de uma criança simboliza a infância como um todo; tanto a abandonada pela família, pelo estado e pela sociedade, quanto a protegida pelo dinheiro e posição social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou de citar a Bíblia, mas nesse caso vale uma exceção. Lá está escrito que quem escandaliza uma criança deve ser lançado ao mar com uma pedra amarrada ao pescoço. É justo, também. E que esse crime hediondo contra uma menina de cinco anos, que tanto nos angustia e revolta, sirva, ao menos, para sensibilizar nosso olhar sobre todas as crianças da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-3868202397613682937?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/3868202397613682937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=3868202397613682937' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3868202397613682937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3868202397613682937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/04/os-meus-os-seus-e-os-nossos.html' title='Os meus, os seus e os nossos'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-9077391268723836184</id><published>2008-04-03T21:30:00.003-03:00</published><updated>2008-04-03T21:48:53.678-03:00</updated><title type='text'>O que é a arte?</title><content type='html'>Nos últimos dias, houve uma troca frenética de cartas entre amigos e admiradores em comum de Glauber Rocha. De todas, escolhi esta para publicar aqui, por reconhecê-la como definitiva sobre o assunto do insulto à obra do cineasta. É assinada pelo poeta, ensaísta e crítico literário Alexei Bueno, um dos mais conceituados intelectuais de nosso tempo. Aproveitem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*******************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PEQUENA REFLEXÃO SOBRE GLAUBER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é a arte? perguntou Tolstoi num famoso e estranho livro da sua fase mística. Para que serve a arte? não para os outros, o que é muito claro, mas para os que a criam, e num país pleno de energúmenos como o nosso, pergunto eu? Glauber Rocha, recentemente chamado de "uma merda" por um palhaço, fez Deus e o Diabo na Terra do Sol aos 24 anos de idade. Esse filme, para além da sua beleza indescritível, é uma síntese da nacionalidade que não só abarca todo o passado como chega - o famoso dom "profético" de Glauber - até nossa contemporaneidade, assim como passará além dela. É impossível, a não ser para os cegos, não ver o retrato do irracionalismo popular dividido entre a religião e a violência que há no filme, e não perceber que o Beato Sebastião e o Corisco que nele estão se transformaram no Bispo Macedo e no Fernandinho Beira-mar da nossa triste conjuntura. Aos 27 anos, Glauber fez Terra em transe, o maior filme sobre política da história do cinema, no caso sobre o subdesenvolvimento político e a tragédia dos que, conscientes, vivem nele. Mas, ora, ninguém o entendeu, qualquer flashback, e ainda mais um filme que é inteiro um flashback, é demais para a astúcia dos nossos conterrâneos, inclusive intelectuais que lêem com a maior naturalidade o mais arrevesado romance de vanguarda, mas saem de um filme no meio se ele tiver a mais ínfima inversão de ordem direta na narrativa. Aos 29 anos fez Glauber O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, fecho dessa trilogia genial, filme de uma precisão de mise-en-scène coletiva em planos-seqüência como só vi um tanto semelhante no Oito e meio de Fellini. Um importante e inteligente articulista disse recentemente que o filme era chato, essa grande reflexão estética. Já vi indivíduos dizerem que a Odisséia era chata, o Dom Quixote era chato, que a Divina Comédia era chata, que a Quarta Sinfonia de Brahms era chata, que o Grande sertão: veredas era chato, que a Missa em si-menor de Bach era chata, etc. etc. Conheci mesmo um que dizia - e era comunista, membro do Partidão - que o Encouraçado Potiônkim era chatíssimo. Uma merda deveria ser de fato Eisenstein para conseguir fazer um filme que dura uma hora, com 1.500 planos, e mesmo assim ser tão chato. Uma merda igualmente o Glauber do Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, filme onde vemos uma cidadezinha do sertão ser invadida por uma coréia de beatos famintos, comandados por uma santa; onde um matador de cangaceiros se encontra com o último deles, desafia-o e fere-o de morte; onde há um Coronel cego, que é corneado pelo delegado a quem domina; onde o mesmo Coronel chama seus jagunços para massacrar todos os beatos; onde a amante, flagrada, mata o delegado em praça pública com cinqüenta punhaladas; onde o cangaceiro ferido agoniza como o Cristo, e é deixado como que crucificado num mandacaru; onde um professor bêbado e a mulher do delegado fazem um ménage à trois com o cadáver do próprio, perante o padre, que se transformará por sua vez num revoltado, cena de necrofilia lírica única na história do cinema; onde os beatos são todos massacrados, a partir do que se prepara um duelo final, titânico, entre o professor e o matador de cangaceiros, de um lado, e o Coronel e todos os jagunços do outro, uma das maiores seqüências corais da história do cinema; onde o pobre Preto Antão se transforma num novo São Jorge e mata, a cavalo, com uma lança, a figura maligna do Coronel cego, no meio de uma praça, etc. etc. De fato, se Glauber, com tudo isso acontecendo em menos de duas horas, conseguiu fazer um filme chato, deve estar na mesma categoria de Eisenstein para o comunista. Esse filme, que conquistou a Europa - apesar do substrato histórico cultural que ela não conhece, e que nós deveríamos ter obrigação do conhecer - esse filme sobre o qual disse, magistralmente, o Osservatore Romano, fazer a fusão exata da tragédia grega com a elisabetana, esse filme com que Glauber ganhou o prêmio de Melhor Diretor em Cannes, esse filme que reuniu um dos mais admiráveis grupos de atores do nosso cinema, Joffre Soares, Maurício do Valle, Othon Bastos, Emmanuel Cavalcanti, Odete Lara, Hugo Carvana, com uma fotografia colorida de uma beleza poucas vezes igualada, etc. etc., é chato, e basta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Citei três filmes para nem, citar o resto, nem os admiráveis livros sobre cinema que Glauber deixou, nem nada. Glauber morreu com 42 anos, já lá se vão 27. Poderia estar vivo e bem agora, com 69, ter seguido a sua vida na Faculdade de Direito de Salvador, e assim não seria hoje chamado uma merda. Disse o mesmo articulista que seus filmes não são para a geração do palhaço que o chamou de uma merda, nem para a dos avós do mesmo. Não sei o que é arte fashion, arte para "tal geração", vejo e revejo os filmes de Griffith, Murnau, Abel Gance, Dreyer, Eisenstein, Pudovkin, Dovchenko, Stroheim, Epstein, Clair, Keaton, Chaplin, Lang, Fellinni, Buñuel, Bergman, Godard, Pasolini, Truffaut, Glauber, etc. etc. etc. com suprema emoção estética, a mesma que tive aos ver pela primeira vez Deus e o Diabo na Terra do Sol, aos 13 anos, no dia 15 de janeiro de 1977, no Cineclube Macunaíma, na ABI, dia que mudou toda a minha visão sobre o cinema, assim como leio Homero, Camões, Balzac, Proust ou Kazantzákis com a mesma estesia; como olho para a pinturas de Lascaux, para as das múmias de Fayum, de Caravaggio, de Rembrandt, de Van Gogh, de Picasso com o mesmo entusiasmo; ou ouço Bach, Haendel, Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert, Brahms, Wagner, Stravinsky, Bartok, Chostakóvitch como se meus contemporâneos fossem. Não se tem o direito de xingar Glauber? Claro que sim. Qualquer um pode chamar de uma merda o Aleijadinho, Machado de Assis, Raul Pompéia, Euclides da Cunha, Villa-Lobos, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Guimarães Rosa, etc. etc. O direito ao desprezo abissal, no entanto, esse também é sagrado. Talvez o grande cinema brasileiro seja o de A Copa do Mundo é nossa, do grupo Casseta. O que é, simplesmente, mais desagradável, mais deselegante, no caso de Glauber, é que essa merda tem uma mãe viva, uma senhora de quase noventa anos que perdeu uma filha aos 13, de leucemia, uma outra, a bela e saudosa Anecy, aos 34, caída num poço de elevador, e o seu último filho, a merda em questão, aos 42, graças a uma obra-prima da medicina lusitana. Felizmente, cada um sabe escolher quem é a merda de sua preferência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexei Bueno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3-4-2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*******************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-9077391268723836184?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/9077391268723836184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=9077391268723836184' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/9077391268723836184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/9077391268723836184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/04/o-que-arte.html' title='O que é a arte?'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-6374729797339951887</id><published>2008-03-30T20:41:00.004-03:00</published><updated>2008-04-03T15:32:43.295-03:00</updated><title type='text'>De Alma Lavada</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu fui à sessão de “Deus e o diabo na Terra do Sol” em desagravo a Glauber Rocha, no auditório da ABI. Eu já havia me comprometido a comparecer a outro evento na mesma noite, a superfesta dos decoradores no Golden Room e mal teria tempo para passar em casa depois da sessão no centro da cidade, trocar de roupa, e seguir para o Copacababa Palace. Acontece que para a vida da gente ter sentido, precisamos ter um mínimo de aderência entre nosso discurso e nossas ações. E fiquei bastante contrariada, revoltada até, quando soube que um dos caras do Casseta e Planeta disse, outro dia, em um debate no cine Odeon, que “Glauber Rocha é uma merda”. É claro que O Globo fez questão de repercutir a grosseria ao máximo, e acabou provocando a reação de quem gosta de cinema, do cineasta, e do cinema nacional. Assim como exigiu dos parentes de Glauber uma justa ação na justiça. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu vinha acompanhando pela imprensa o desenrolar dos fatos até que ontem mesmo, pela manhã, estava no jornal uma matéria com a convocação para o ato de desagravo, e mais adiante, a fala do agressor dizendo que não adianta organizar esse tipo de protesto porque “ninguém vai”. Eu fui, também de pirraça. Ora, é por confiar na falta de iniciativa das pessoas que essas figuras nadam de braçada nas águas da debilidade cultural que inunda a programação das televisões privadas no Brasil. E, se por um lado, esse grupo de humoristas faz sucesso apostando no comodismo mental do telespectador médio, por outro, faz piada confiando na pusilanimidade de grande parte de seus pares. Pelo menos aquela que preza mais os laços empregatícios com o sistema Globo de comunicação do que zela por sua integridade artística e intelectual. Ou não é o caso de ter passado incólume no meio teatral o slogan do Casseta que diz “Vá ao teatro, mas não me chame”! Até camiseta com os dizeres eles mandaram imprimir. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Glauber Rocha libertou o cinema nacional da estrutura colonizada que impedia sua expansão artística e abriu espaço para a evolução da linguagem cinematográfica, influenciando a cinematografia mundial. Par se ter uma idéia do impacto de seus filmes na comunidade intelectual internacional é só ver a crítica de “Deus e o Diabo” em um artigo assinado por ninguém menos do que Alberto Moravia, por ocasião do lançamento do filme na Itália, e transcrita no site do Tempo Glauber. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Se é verdade que um Glauber hoje não chegaria a um multiplex, é verdade também que muitos dos bons cineastas não conseguem distribuidor para seus filmes justamente porque suas obras são paradigmas de uma expressão artística elaborada, inventiva, social e politicamente engajada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não sou daqueles que aplaudem tudo o que faz sucesso ou só reconhece o valor de artistas regularmente incensados pela mídia. Ao contrário, costumo até desconfiar de um filme que tem muita chamada na rede Globo, e, via de regra, ele não vale mesmo o preço do ingresso na bilheteria. Reconheço, sim, que a gente vive na era da “imbecilidade triunfante”, expressão cunhada por Euclides da Cunha e bem lembrada em um dos discursos dos que foram à ABI levar seu abraço aos familiares de Glauber Rocha. Eu também fui chamada a falar e dei o meu recado. Saí dali, passei em casa voando pra trocar de roupa, e fui à superfesta no Copacabana Palace, que tinha uísque de chafariz. Mas então, eu já estava com a alma lavada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;***********************************************************************************&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-6374729797339951887?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/6374729797339951887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=6374729797339951887' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6374729797339951887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/6374729797339951887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/03/alma-lavada.html' title='De Alma Lavada'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-9201710781471288597</id><published>2008-03-24T01:01:00.003-03:00</published><updated>2008-03-24T09:30:43.585-03:00</updated><title type='text'>Domingo de Páscoa</title><content type='html'>O menino é de rua, como se diz. Traz a qualificação colada no corpo feito etiqueta moral, a pele escurecida de sol e  sujeira, a calça curta e rota cobre só o início das pernas finas como dois gravetos enterrados nos pezinhos frios e nus. A camisa é uma tira molambenta que serve ainda para enxugar o ranho verde e continuo escorrido do nariz. Vejo-o de dentro do carro, parado em frente à farmácia. Ele se demora olhando a fotografia afixada no display da entrada lateral. Foram dez, quinze minutos, talvez mais ... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Eu o observo preguiçosamente trancada em ar-refrigerado. Foi um dia de calor nesse domingo, com almoço de família, vinho e chocolate. Os pequenos procurando ovos de páscoa nos vasos de planta e atrás das cortinas, os adultos discutindo as notícias das próximas eleições, e os ânimos se entorpecendo de fartura até a hora das despedidas encharcadas de conformismo burguês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Na volta para a casa, uma parada na Prado Júnior para comprar comprimidos digestivos. E ali está o guri, hipnotizado com a imagem enquadrada na parede. Ele fita a cena como quem vê um filme ou um programa de televisão. É uma cena aconchegante com o menino de cabelo curto e bem penteado deitado de olhos fechados sobre o travesseiro limpo, o lençol puxado até a altura do ombro e o pijama abotoado no último botão. Ao seu lado, velando o sono bendito, o rosto sereno da mãe. Seus cabelos são sedosos e bem penteados, o olhar transborda ternura. A mão delicada, de unhas levemente esmaltadas, está pousada sobre a cabeça do filho. Mais acima, está o nome do produto anunciado em letras garrafai, um analgésico qualquer. Eu me comovo e abaixo a cabeça culpada em participar deste teatro absurdo de concentração de renda e exclusão. Tenho no colo a revista semanal com o último escândalo da Alerj - deputados contratavem pessoas pobres com prole numerosa para embolsar seus respctivos salário e auxílio-educação. &lt;br /&gt;Mais do que vergonhoso, é tudo tão nojento. Volto pra casa sem graça e sem esperança. O Brasil me entristece.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-9201710781471288597?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/9201710781471288597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=9201710781471288597' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/9201710781471288597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/9201710781471288597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/03/domingo-de-pscoa.html' title='Domingo de Páscoa'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-3287982569531653276</id><published>2008-03-21T00:17:00.004-03:00</published><updated>2008-03-21T00:36:53.255-03:00</updated><title type='text'>Campanha Eleitoral nos EUA</title><content type='html'>Para quem está acompanhando a campanha eleitoral nos Estados Unidos, uma boa dica é assistir ao filme “Sob a Névoa da Guerra” (Fog of war), dirigido por Errol Morris, o mesmo de "Gates of Heaven". Vencedor do Oscar de melhor documentário de 2003, o filme – com montagem primorosa e ótima música de Filip Glass – passa  em revista alguns dos momentos mais decisivos da história americana no século vinte, a partir de uma entrevista com Robert MacNamara, Secretário de Defesa dos governos do Presidente Kennedy e Lindon Johnson. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MacNamara foi uma figura controversa, porém altamente influente na política do seu tempo. Daí a importância que tem o seu relato sobre as decisões envolvendo o maior poderio militar do planeta na época da Guerra Fria. Em tom claro, direto, e as vezes intimista, o ex- Secretário faz confidências e revela fatos novos nos episódios já conhecidos e bastante explorados, como o bombardeio de Tóquio, a crise cubana dos mísseis e Guerra do Vietnam. As conversas gravadas no Salão Oval (arquivos oficiais posteriormente divulgados) avalizam o discurso de McNamara que, desta forma, torna-se um valioso informante para o espectador sobre não apenas as decisões tomadas na alta cúpula do poder norte americano, mas também sobre o próprio processo de decisão na Casa Branca que é, em última instância, de inteira responsabilidade do presidente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, portanto, interessante assistir ao documentário nesta fase em que se acirra a disputa entre os dois candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos. Com certeza, “Sob a névoa da Guerra” vai ajudar o espectador a entender melhor a pressão da mídia e dos eleitores americanos sobre a necessidade de se saber quem realmente é cada concorrente e qual deles é o mais preparado para escolher os destinos da nação. Principalmente agora que os Estados Unidos enfrentam uma grave crise financeira depois de cinco anos metidos numa guerra que, segundo o pentágono, já custou aos cofres públicos, no mínimo, 600 bilhões de dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-3287982569531653276?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/3287982569531653276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=3287982569531653276' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3287982569531653276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3287982569531653276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/03/campanha-eleitoral-nos-eua.html' title='Campanha Eleitoral nos EUA'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-313266902728081741</id><published>2008-03-17T00:15:00.002-03:00</published><updated>2008-03-17T00:26:36.673-03:00</updated><title type='text'>TÁ</title><content type='html'>O NOVO DARLING DO CINEMA nacional é o jovem Felipe Sholl, o primeiro brasileiro a ganhar um Teddy, o prêmio de melhor curta-metragem da mostra gay do Fertival de Berlim. Felipe é carioca, tem 25 anos, e nunca havia segurado uma câmera até ser incentivado pelos diretores Karim Aïnouz, de Madame Satã e Jonathan Nossiter, de “Mondovino” a dirigir seu curta, como condição para ter um longa-metragem produzido pela dupla. Com esse apadrinhamento, a carreira do rapaz está garantida e, junto com o prêmio internacional, aumentam as possibilidades de captar recursos para suas próximas produções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ótimo para o Felipe, ex-aluno da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, e ótimo para mim e meus colegas da mesma escola, pelo prestígio que o prêmio nos estende. Mas não sei se isso é bom para o movimento gay, que numa outra ponta, menos glamourosa, luta contra a discriminação dos homossexuais e, portando, contra qualquer tentativa de colocá-los em guetos culturais, segmentos sexistas, isolamentos homofóbicos e etc. Também não sei se é justo que um prêmio em mostra segmentada seja tão festejado, enquanto outros cineastas, talvez melhores, não tenham as mesmas oportunidades por disputarem num universo infinitamente maior de concorrentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei sobre tudo isso quando fui assistir ao filme, exibido na festa de abertura do ano letivo da Darcy e apresentado pelo próprio Felipe como uma história “sórdida e fofa”... E “Tá” é isso mesmo. O filme conta em 5 minutos o encontro de dois jovens, em torno de 25 anos, em um banheiro masculino. Eles cheiram cocaína e trocam carícias ousadas com o maior despudor – daí o “sórdido” –, e chegam à conclusão que tudo pode ser bem mais gostoso se começar ou terminar com um beijo na boca – daí o “fofo”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo com as mesmas questões colocadas acima, no entanto, tenho que tirar o chapéu para a naturalidade com que Felipe conta sua história, com diálogos enxutos, atuações exatas, e linguagem cinematográfica definida, marcada por forte identidade artística. Portanto, palmas para Felipe e atenção para que, no futuro, seus trabalhos dispensem as mostras segmentadas e, nessa hora, tratem seus personagens com a dignidade que eles mereceram quando foram construídos. Não importa que sejam mulheres, ou gays, ou homens, ou lésbicas, ou negros, ou brancos, ou jovens, ou velhos. Importa, sim, que sejam apresentados simplesmente como gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-313266902728081741?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/313266902728081741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=313266902728081741' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/313266902728081741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/313266902728081741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/03/t.html' title='TÁ'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-3023989613742802216</id><published>2008-03-09T22:37:00.004-03:00</published><updated>2008-03-10T00:08:05.221-03:00</updated><title type='text'>Notícias do Front</title><content type='html'>Depois de uma semana fora do ar, não encontrei um assunto que me inspirasse uma postagem. Escrever sobre o quê?  Qual o sentido de manter um blog com as minhas impressões e opiniões, qual a relevância disso e a quem interessaria assuntos em geral tão comezinhos?? Tentando escapar da crise de identidade que me acometeu, resolvi dar uma volta pelos blogs dos amigos, num último esforço para descobrir quais fatos os motivara a escrever e postar nos últimos dias. Constatei que a crise é geral! Desanimada, pensei em postergar a tarefa um pouco mais, quem sabe deveria primeiro botar a correspondência em dia; ou sair de casa um pouco; ou comer um sanduíche acompanhado de um copo de coca cola bem gelada... Mas antes mesmo de fechar a internet e desligar o computador cliquei – meio que de bobeira – no botão do Próximo Blog na barra superior. Foi assim que conheci Ali, médica do exército dos Estados Unidos em missão no Iraq. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Digo que conheci Ali porque ela está quase que de carne e osso em seu blog. Sem tentar revelar meandros das profundezas de sua alma, sem se valorizar como pessoa, sem pretensão literária, sem afetação, muito mais para manter uma correspondência com os seus e, talvez, reafirmar sua identidade de mãe esposa, filha, irmã e amiga ("I am a mom, wife, daughter, sister, friend and CRNA deployed to Iraq.", diz em seu perfil), num momento extremo de sua vida. No blog, Ali faz relatos freqüentes em textos bem construídos, enxutos, de leitura rápida e agradável sobre seu cotidiano na guerra. Fala das saudades dos dois filhos, de seis e onze anos de idade, do marido e da própria mãe. São poucas as informações sobre a vida no front, porém são informações preciosas para traçar um perfil mais humanizado de uma médica combatente no Iraq – mesmo que engajada no exército invasor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Lendo o blog de Ali, podemos ainda fazer uma idéia mais precisa da impressionante capacidade logística americana nessa guerra do Iraq – ao ponto de os colegas de hospital conseguirem que um bolo confeitado viesse da Alemanha especialmente para a festa de seu aniversário. Além disso, o blog de Ali pode ser considerado uma peça emblemática de como o imperialismo americano se sustenta ao aliar o máximo de progresso capitalista ao aperfeiçoamento da democracia interna. É só ver que logo no subtítulo, revelando independência política e dispondo de liberdade de expressão, Ali assume pessoalmente um posicionamento e o torna público ao afirmar que suas idéias não refletem necessariamente as do exército americano. Coisa inaceitável, por exemplo, em qualquer instituição militar brasileira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Enfim, Ali faz um blog objetivo, coerente e bom de ler porque escreve do mesmo jeito que vive suas experiências, com simplicidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Para quem se interessar, o endereço de Ali na web é http://redsbogblog.blogspot.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-3023989613742802216?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/3023989613742802216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=3023989613742802216' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3023989613742802216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/3023989613742802216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/03/notcias-do-front.html' title='Notícias do Front'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-828876009470957342</id><published>2008-02-29T23:12:00.006-03:00</published><updated>2008-03-01T22:37:30.845-03:00</updated><title type='text'>Questão de auto-estima</title><content type='html'>Não me lembro de um mês de fevereiro com um clima tão agradável, dias tão bonitos e noites tão frescas como esse que acabou hoje. Não sei se foi por causa da antecipação do carnaval ou do aquecimento global - sempre há uma explicação para tais fenômenos-, só sei que foi bom à beça. Eu nem pude aproveitar a praia por conta de trabalhos com prazo para entregar. Mas também não passei horas e horas  trancada no ar refrigerado. E hoje, com tempo de sobra, resolvi dar uma volta a pé pelas redondezas e aproveitar ao ar livre o último dia do último mês de férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Logo na primeira esquina, um homem que eu nunca vi mais gordo mandou uma piadinha ousada em minha direção. Eu costumo considerar esse tipo de coisa falta de respeito e, normalmente, fico até meio irritada. Porém, como a brisa da manhã enchia o ar de bom humor, acabei achando graça.Também porque me lembrei na hora de uma antiga teoria do meu pai, segundo a qual, uma moça vinda do interior perdia rapidamente a virgindade no Rio de Janeiro por mais feia que fosse, pois tinha sempre um cara no portão de uma obra pra chamá-la de “coisa linda”.  É claro que quanto mais feia ela fosse menos resistiria a passar outra e mais outra vez pelo mesmo lugar, e aí...&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;         O fato é que não são apenas as feias que se encantam com essa lábia barata de meio fio. Dependendo do dia e da situação, ninguém escapa. Margarida, uma amiga de longa data, não perde a feira livre por nada. Ela é pesquisadora e professora universitária, lança um livro a cada 4 anos, no entanto adora ser alvo do gracejo dos feirantes. E nisso, convenhamos, eles são experts. É o único jeito de uma balzaquiana ouvir um homem dizer “e a gatinha não vai escolher nada hoje?”,  parar na barraca do cara e fazer as compras ali. Margarida reclama que o marido, um intelectual e artista consagrado, não sabe dizer um inesperado “...gostosa” no seu ouvido. Sequer um  “...você me deixa louco com esse rebolado.”. E, convenhamos, toda mulher precisa ouvir isso de vez em quando, até mesmo pelo bem do casamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Outra amiga que vai sempre à feira, ainda que por motivo diferente, é a Maria Clara. Maria Clara tem tendência para engordar e está sempre fazendo a dieta da moda ou começando um novo regime na próxima segunda-feira. Isso quer dizer que Maria Clara oscila de peso com uma freqüência absurda. É lógico que a sua auto-estima vacilaria na mesma medida se Maria Clara não fosse uma mulher de grande sabedoria. Maria Clara resolveu a questão da seguinte maneira: quando está magra, escolhe suas roupas mais elegantes e enseja elogios no country club. Quando está gorda, lança um top decotado e uma mini mini-saia  e vai arrebentar na feira livre. Tanto Maria Clara quanto Margarida são mulheres normais, sensíveis, inseguras, neuróticas e etc. Seus maridos também são homens normais, exigentes, dissimulados, egoístas e etc. O que não é normal é essa irreverência – às vezes adorável, às vezes inconveniente, mas sempre sensual – do povo carioca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-828876009470957342?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/828876009470957342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=828876009470957342' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/828876009470957342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/828876009470957342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/02/questo-de-auto-estima.html' title='Questão de auto-estima'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-4901078255149984227</id><published>2008-02-18T14:46:00.005-03:00</published><updated>2008-02-18T15:14:07.351-03:00</updated><title type='text'>Bala Perdida em Berlim</title><content type='html'>O filme tropa de elite ganhou o Urso de Ouro em Berlim e isso é bom para o cinema brasileiro, ponto. O filme tropa de elite ganhou o Urso de Ouro em Berlim e isso não é bom para os brasileiros, ponto. É ponto de vista, o meu. E  vou morrer defendendo a liberdade de expressão de quem discorda de mim, ponto final. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Na ocasião do lançamento do filme no Brasil eu escrevi neste blog que considerava o filme de José Padilha muito bom, mas que, infelizmente, trazia uma mensagem fascista, expressa em vários aspectos. Pra começar, o tratamento de herói dado ao capitão Nascimento, fazendo dele uma figura simpática com a qual é fácil se identificar. E, no entanto, o personagem é um facínora, torturador, sanguinário. O filme mostra a corrupção na polícia, e isso é bom, pois talvez esteja aí a raiz do problema de toda essa violência. Porém, ele comete o grave erro de colocar no mesmo saco traficantes, usuários de droga e moradores da favela. E pau neles! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Eu rezo na cartilha de Paulo Emílio Sales Gomes, o célebre crítico de cinema, para quem o pior filme brasileiro é sempre melhor que o melhor filme estrangeiro. Digo isso como justificativa para a minha primeira assertiva aí em cima. Para explicar a segunda, evoco o mais recente e abominável episódio de criança atingida por tiro de fuzil na favela. Foi na sexta-feira passada, durante operação da Polícia Civil na Rocinha. Eu estava em São Paulo e li nas manchetes dos jornais aquela velha história que tanto excita e assusta os paulistas, a balela da "bala perdida". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Bala perdida uma ova! Vamos aos fatos. Às 13h começa uma operação da Polícia Civil na favela da Rocinha para encontrar um paiol de armas e prender o chefe do tráfico local. Uma menina de onze anos brinca de videogame com o pai, dentro de casa. Eles ouvem o movimento de carros e o pai vai à janela ver o que está acontecendo lá fora. Quando a menina coloca a cabeça na outra janela, os policiais atiram e acertam dois tiros, um no pescoço e outro no braço da criança. O pai vê de onde partiram os tiros e os próprios policiais ajudam a levar a menina para o Miguel Couto. Ágata Marques dos Santos chega ao hospital já morta. Na operação foram presos dois traficantes (pés de chinelo, é claro) e apreendidos uma pistola, maconha, crack, cocaina e munição. Precisa dizer mais? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Só pra finalizar, faço ainda duas declarações: sou terminantemente contra qualquer tipo de operação policial, civil ou militar, nas favelas e periferias das cidades enquanto os órgãos de segurança não provarem que podem agir com planejamento, inteligência, cautela e respeito pelos moradores dessas comunidades. Sou radicalmente contra qualquer mensagem de glorificação da brutalidade policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1161141458557165545-4901078255149984227?l=leilarichers.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leilarichers.blogspot.com/feeds/4901078255149984227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1161141458557165545&amp;postID=4901078255149984227' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4901078255149984227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1161141458557165545/posts/default/4901078255149984227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leilarichers.blogspot.com/2008/02/bala-perdida-em-berlim.html' title='Bala Perdida em Berlim'/><author><name>Leila Richers</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16622970450352233612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_SGTwIwk9sN0/TQ-S6nr0ZiI/AAAAAAAAAU4/wxHJKyne1F8/S220/leila_capa2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1161141458557165545.post-4984969116352231274</id><published>2008-02-10T18:16:00.001-02:00</published><updated>2008-02-13T10:42:27.850-02:00</updated><title type='text'>Relaxa &amp; Goza</title><content type='html'>Há um movimento no Rio, meio espontâneo, meio conduzido, no sentido de esticar o carnaval até o final de semana seguinte. Eu dou força. Primeiro porque nada acontece nos dois dias subseqüentes à quarta-feira de cinzas. Então deixa a festa continuar, pelo menos para atenuar a ansiedade de quem quer ou precisa trabalhar. Depois, porque acredito que o Rio de Janeiro deve assumir definitivamente sua vocação turística e incrementar o calendário de eventos, investir recursos e somar esforços para trazer o maior número possível de visitantes e tentar mantê-los por mais tempo aqui. No Brasil, gabinetes de turismo deveriam ter importância estratégica. Mas não, a escolha para essas pastas se faz por conchavo ou acomodações políticas. E o povo que fique no relaxa e goza, até bem apropriado no caso do Carnaval...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a onda de estender a folia tem dado muito certo. É só conferir o desfile das campeãs, que faz a noite mais alegre do sambódromo. O desfile do Monobloco, hoje, em Copacabana, foi sucesso absoluto e garantiu lugar de destaque na agenda prolongada. Outro evento que está firmando tradição, e um dos que eu mais gosto, é o Balmasqué do Sofitel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O baile existe há três anos, acontece na sexta-feira pós-carnaval, e com muito sucesso mantém a qualidade da versão original. O espaço é magnífico, um andar inteiro do hotel no posto 6, no cantinho de Copacabana, com a vista de toda a praia na grande varanda decorada com mesas e sofás, juntinho ao Forte de Copacabana, este ano com a roda-gigante colorida arrematando a paisagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O salão é amplo e luxuoso, com um grande palco para a orquestra, mesas de quatro, seis e até doze lugares e dois grandes camarotes. A orquestra é ótima e o repertório atende a todos os gostos no carnaval. Mais marchinhas, sambas tradicionais e um pouquinho de axé. Entre o salão e a varanda há um enorme lobby, todo decorado para a festa com muito espaço para as pessoas se encontrarem e conversarem, por onde, a cada meia hora, passa a bateria de uma escola de samba. Ali, as mesas largas e avulsas são dispostas com folga pra quem quiser sentar-se para jantar. Ah, o jantar... Esse é, há três anos, o ponto alto do baile. Um grande bufê com a maior variedade de iguarias, mantido do início ao fim da festa com as mesmas qualidades: gostoso, bem apresentado e bem servido.   &lt;br /&gt;Há ainda no mesmo andar três salões menores decorados como um lounge, um camarim, um boudoir, e uma boate superrefrigerada com música de discoteca. A bebida é servida com fartura. Além dos bares montados por todos os cantos, garçons experientes passam suas bandejas com constância confortável entre a gente bonita e bem vestida. &lt;br /&gt;Mas essa festa não tem defeito?, você há de perguntar. Tem, e é justamente a freqüência, “boa” demais. &lt;br /&gt;Ora, os poucos convidados são escolhidos a dedo e a grande maioria paga um convite de preço justo, porém alto. O traje exigido é black tie, longo ou fantasia de luxo, fato que seleciona o público ainda mais. Há muitos hóspedes estrangeiros do próprio hotel e executivos das empresas francesas sediadas no Brasil concorrendo para manter o nível igual da festa. A sociedade carioca já comparece em peso ao evento e este ano ainda havia um grupo de eminentes intelectuais. &lt;br /&gt;É claro que eu me diverti e encontrei muitos amigos, gente que não via há tempos, gente boa e interessante para conversar, mas festa bacana tem que ter mistura, contraste, e aqueles convidados que por si só já são um happening, um acontecimento espontâneo e natural. Havia, sim, um Jorge Salomão aqui, uma Roberta Close acolá, mas já muito comportados, não eram os mesmos de o
